23 de dezembro de 2019 por Larissa Rhouse Santos Silva.

Por Giovana Bonfim e Larissa Rhouse

Abrimos essa década de 2010 ainda musicalmente dependentes da década passada. O pop mainstream ainda era mais limpo, sem muitos crossovers com outros gêneros como o r&b e o rap. As boybands estavam em alta. Lady Gaga lançava um trabalho mais diversificado. Ariana Grande começava a se arriscar musicalmente no YouTube.

Agora, na reta final, é doido ver o quanto andamos e evoluímos. Ariana Grande é atualmente uma das maiores artistas do mundo mainstream, com um pop mesclado com r&b. Artistas continuaram sendo descobertos pelo Youtube (Ariana Grande, Billie Eilish e Anavitória, por exemplo) e fazem sucesso estrondoso. Boybands praticamente (pelo menos no ocidente) sumiram (apesar de alguns comebacks). Bandas de alternativo e indie estão no mainstream.

Com tantas mudanças, seria impossível eleger álbuns da década com tão pouco número de álbuns. Por isso, para maior abrangência do que rolou de melhor pela década, selecionamos os 50 melhores. Ainda com (muita) dificuldade para montar essa lista (são 10 anos de música!), aqui está ela. Continue lendo e conte para nós se você concorda com tudo!

50. “A Brief Inquiry Into Online Relationships” – The 1975 (2018)

Um álbum que diz muito sobre a geração dos millenials. As relações cada vez mais rasas e difíceis de serem mantidas e, principalmente, o imediatismo. Ainda trata criticamente das controvérsias do racismo: vender a cultura negra mas odiar negros. Sobre nossa hipocrisia de interiormente falar ou pensar, mas, publicamente, expressar outras. Assim como o “After Laughter”, é importantíssimo para se ter um olhar registrado de como foi se viver entre os anos 2010 e 2019. E como isso provavelmente vai continuar (e piorar) nos próximos anos.


49. “Lewis Del Mar” – Lewis Del Mar (2016)

O álbum homônimo Lewis Del Mar traz a combinação perfeita entre a beleza do acústico com riffs de guitarra. Explorando paisagens urbanas, a dupla optou por focar na constante mudança da vida, incentivando o ouvinte a sintonizar o próprio dia-a-dia com as músicas. É, sem dúvidas, uma produção consistente, com letras que nos convida a analisar o mundo ao nosso redor.


48. “Efêmera” – Tulipa Ruiz (2010)

O debut álbum de Tulipa Ruiz, nomeado de “Efêmera”, traz uma rara característica no cenário musical nacional. Seguindo a leveza e inteligência lírica da Musica Popular Brasileira (MPB), a produção ainda apresenta elementos do pop, com ritmos dançantes e envolventes.

Apesar de seu caráter moderno, é nítida a vontade da cantora em trazer o “movimento tropicalista”, famoso durante a década de 1960, para a atualidade. Ao analisar a produção, podemos garantir que ela atingiu esse objetivo com uma naturalidade inimaginável.


47. “Queen” – Nicki Minaj (2018)

Nicki Minaj não tem medo de afrontar seus rivais, e deixou isso claro ao disponibilizar o álbum “Queen”. Repleto de faixas polêmicas, o disco exalta, principalmente, a dominância da cantora, delimitando quem é a rainha e quem são os súditos.  

A era “Queen”, por sua vez, ganha um destaque ainda maior quando o assunto são performances ao vivo. Faixas que compõe o álbum, como “Majesty”, “Barbie Dreams” e “Ganja Burn”, foram apresentadas em um medley de tirar o fôlego no VMAs 2018.


46. “My Beautiful Dark Twisted Fantasy” – Kanye West (2010)

O lado obscuro da fama foi tema do álbum “My Beautiful Dark Twisted Fantasy”, de Kanye West. Na produção, o rapper questiona se é mais importante ter dinheiro e fama ou uma vida humilde e tranquila.

Além disso, Kanye também mostrou as consequências advindas do estrelato. Assim, ele analisa como a indústria musical muda as pessoas, seja para o bem ou para o mal.

Considerado uma obra-prima para muitos críticos de música, o álbum alcançou 94 dos 100 pontos possíveis no Metacritic.


45. “O Tempo é Agora” – Anavitória

Mesmo seguindo o romantismo à risca, o duo Anavitória apresentou um novo olhar sobre o tema no álbum “O Tempo é Agora”. Composto por 11 faixas, o disco mostra uma discreta evolução das artistas, que agora sofrem com a ausência de alguém.

A sonoridade das composições oferece, ainda, um passeio por diferentes estilos. É possível encontrar na produção predominantemente pop elementos do rock e folk.


44. “Reputation” – Taylor Swift

Considerado um divisor de águas no mundo pop, “Reputation” mostra como Taylor Swift lidou com todos os tipos de acusações que fizeram sobre ela. Apesar de mostrar a artista inocente que era durante a fase country, é sua personalidade ácida que ganha destaque no álbum. Assim, o foco principal das letras é mostrar como determinados acontecimentos refletiram em sua vida. 

Vale lembrar que Taylor Swift não mandou o conteúdo do “Reputation” para nenhum veículo midiático antes de seu lançamento. Assim, ela fez com que todos recebessem a mensagem da mesma forma, sem influências externas.


43. “Sua Alegria foi Cancelada” – Fresno

“Sua Alegria foi Cancelada” é, sem dúvidas, o melhor álbum produzido pelo Fresno na década. O regaste do estilo emo, abordando temas como solidão, tristeza e necessidade de resistência, trouxe à tona as raízes da banda fundada em 1999.

Apresentada simultaneamente com lyrics vídeos das 10 faixas, a produção levou dois anos para ficar pronta. No caminho, mais de 30 faixas foram descartadas, a fim de deixar o disco o mais honesto possível.


42. “El Dorado” – Shakira

A chegada dos europeus ao “Novo Mundo” durante a época das grandes navegações é, sem dúvidas, algo que aprendemos na escola. No entanto, na Colômbia, essa história vem acompanhada de algumas lendas muito curiosas. Entre elas, o conto de “El Dourado”, que deu origem a um dos álbuns mais íntimos de Shakira.

Segundo a lenda contada por indígenas locais, El Dorado era uma cidade feita inteiramente de ouro, localizada entre Colômbia, Venezuela e Brasil. Tal fato, por sua vez, atraia a atenção dos expedicionários, que buscavam incansavelmente o lugar.

Posteriormente, foi descoberto que a história se tratava, na verdade, de um ritual pagão. Nele, um líder despia-se e cobria-se de ouro como uma forma de oferenda aos deuses. Foi nesse ínterim que o álbum da cantora foi produzido. Como páginas arrancadas de um diário, a produção mostra um lado mais sincero e conceitual da dona do hit “Loca”.


41. “Miley Cyrus & Her Dead Petz” – Miley Cyrus

“Miley Cyrus & Her Dead Petz” marca a produção mais experimental da dona do hit “Malibu”. Lançado de forma independente com o selo “Smiley Miley”, o álbum foi disponibilizado de graça no site oficial da cantora.

A obra conecta elementos do pop, característicos das produções de Rihanna, com o rock clássico de Paul McCartney. Essa combinação, por sua vez, veio acompanhada de letras que variam da tristeza extrema ao entusiasmo e alegria. Além disso, é notável o desejo de Miley em trazer à tona a relação entre humanos e animais.


40. “Tropix” – Céu

“Tropix” chega em 2016 para se “redimir”. O último álbum de Céu tinha sido considerado exagerado e feito para vender pela crítica, mas, “Tropix” foi por completo aclamado. É um álbum simples, mas que tem tudo para dar certo. Junta a bossa nova com o eletônico, reggae e vários outros ritmos. É uma volta renovada da década ao tropicalismo. “Perfume do Invisível”, “Varanda Suspensa” e “Minhas Bics” resumem bem a alma do trabalho.

Ele foi não só bem recebido no Brasil como também teve imenso reconhecimento internacional. Sites como New York Times, The Guardian, Pitchfork e Metacritic o avaliaram com boas notas. Esse último, avaliou o álbum como 84 de 100 – nota próxima do “BEYONCÉ” da Beyoncé, por exemplo.


39. “El Mal Querer” – Rosalía

Não é à toa que “El Mal Querer”, de Rosalía, foi nomeado o melhor álbum latino de 2018 pela Billboard. As 11 faixas, distribuídas em pouco mais de 30 minutos, é a recapitulação de um romance do século XIV, nomeado de “Flamenca”.

Cada canção, na verdade, é um capítulo que formará a história final. Extremamente sentimental, a produção é contada do ponto de vista de uma mulher que vive um relacionamento abusivo. Nele, ela se mantém refém de seus medos em um ambiente sombrio e tenso.


38. “Setevidas” – Pitty

Pitty volta misteriosamente depois de uma grande pausa, onde realizou projetos como o Agridoce. Um álbum repleto de simbologia em sua divulgação (em torno do número 7).

“Setevidas” alegrou os fãs por ser o seu retorno ao rock mais pesado e característico seu, que havia deixado para trás com o “Agridoce”. Apesar de ter sido um ótimo disco e duo feito, não era surpresa que o público clamava pelo que estava acostumado.

Em seu quarto álbum de estúdio, ela trabalhou nos EUA com o produtor Tim Palmer, responsável por trabalhos de artistas como Bowie, U2 e Pearl Jam.

Sua carga emotiva, assim como suas melodias, são fortes em praticamente todas suas 9 músicas. O processo de gravação se deu analogicamente: quase que uma gravação de um ensaio de garagem. Mas a gravação de um ensaio sem erros e muito bem feito.


37. “Homecoming: The Live Album” – Beyoncé

Mesmo se tratando de um álbum ao vivo, o “Homecoming” não poderia ficar fora dessa lista. Gravado durante a performance de Beyoncé no Coachella 2018, o disco é um registro impecável de arranjos sofisticados e ativismo.


36. “Agridoce” – Agridoce

Você possivelmente nem soube que na real “Dançando”, single que fez enorme sucesso lá por 2011, não era fruto do trabalho solo de Pitty, mas do Agridoce. Trata-se de um trabalho paralelo entre Pitty e Martin Mendonça, focado no folk. Inspirados por artistas como Leonard Cohen e Elliot Smith, o duo fez nascer o álbum em 2011 de mesmo nome, “Agridoce”. Mostra uma outra faceta de Pitty antes nunca muito vista e explorada, mostrando o quão talentosa é a cantora. O álbum foi gravado despretensiosamente num dia de chuva, e conta até com um cover do The Smiths: “Please Please Please Let Me Get What I Want”

Foi considerado um dos melhores discos de 2011. Por aqui, batemos o pé que é um dos melhores da década e possivelmente até um dos melhores do folk brasileiro até hoje. O álbum foi o único do Agridoce até hoje  –  esperamos que ele reapareça na próxima década!


35. “Night Visions” – Imagine Dragons

Primeiro álbum do Imagine Dragons, “Night Visions” se tornou uma grande influência para novas bandas de rock. Faixas com introdução acústica ganharam refrãos contundentes, explorando temas sombrios e dramáticos.

Mesmo após oito anos de lançamento, canções como “Radioctive”, “Demons” e “It’s Time” continuam em destaque na mídia. Vale lembrar, ainda, que a principal faixa do álbum, “Radioactive”, levou o Grammy de “Melhor Performance de Rock”, em 2014.


34. “Red” – Taylor Swift

“Red” marca o início da transição de Taylor Swift do country para o pop. O álbum, lançado em 2012, é uma verdadeira encruzilhada entre inocência e experiência.

Com hits memoráveis, como “22”, “I Knew You Were Trouble” e “Begin Again”, a produção foca em uma temática romântica, passando por assuntos como o amor incondicional e términos dramáticos. Além disso foi “Red” que introduziu a faixa “Everything Has Changed”, aclamada parceria com Ed Sheeran, para o público.


33. “BEYONCÉ” – Beyoncé

BEYONCE é o álbum que trouxe a evolução de Beyoncé, após seu pai não ser mais seu empresário. Seu quinto álbum solo foi lançado de surpresa no iTunes em 2014, levando seus fãs ao êxtase. 

É a partir de BEYONCÉ que a cantora a abranger um público bem maior, tanto por suas tentativas de novas produções musicais, tanto por suas estratégias de divulgação. Ela passa também a falar de novos temas como sobre a maternidade em “Blue”. Houve também a memorável parceria com Jay-Z “Drunk in Love”. Nele, Beyoncé já começa a caminhada para a grandiosidade que foi o “Lemonade”.


32. “A Moment Apart” – ODESZA

Álbum coeso, que destaca a busca por novos horizontes em um ambiente mais futurista. “A Moment Apart” retrata a fuga da realidade para um novo mundo, introduzindo canções extremamente comerciais, mas sem superficialidade.

O álbum apresenta, ainda, uma impecável mistura de diversas manifestações músicas, como pop, soul, rock e eletrônica. Essa foi, sem dúvidas, a aposta mais ambiciosa do duo ODESZA.


31. “Harry Styles” – Harry Styles

Como primeiro álbum solo de sua carreira, Harry lançou diversos singles importantes como “Sign Of The Times” e “Kiwi”, além de ter realizado turnê mundial para a promoção do disco. Ele rompe quase que por completo com a sua ligação pop One Direction que tínhamos, e, aposta em um rock mais suave da década de 70. Acerta em cheio, renovando seu público e ainda tendo em mãos boa parte dos fãs da One Direction.


30. “Abraçaço” – Caetano Veloso

Em “Abraçaço”, Caetano consegue incorporar ritmos mais recentes à sua música sem parecer forçado. O “quê” do tropicalismo ainda está ali, mas vão se juntando à ele algumas pitadas de rock, um algo de forró, tambores e até mesmo funk e batidas eletrônicas. Não fica desconexo, ruim, ou com cara de experimental. Parece que ele sempre fez aquilo a vida toda, que todos aqueles sons de fato fossem seus (e não das regionalidades e passarem dos anos) e não apenas nesse álbum tivesse “misturado” tudo. Prova que mesmo depois de tantos anos, Caetano continua único e relevante.


29. “Caravanas” – Chico Buarque

Em “Caravanas”, Chico Buarque mostra que ainda nos dias atuais consegue fazer trabalhos bons e sólidos. Ele se aproxima da qualidade musical dos seus melhores álbuns, feitos décadas atrás.

Um dos seus maiores destaques vai para “Dueto”, regravação de Nara Leão, mas, dessa vez, com Clara Buarque – sua neta. A versão ganha uma atualizada com referências ao Tinder, Facebook e WhatsApp, por exemplo.

Também há “Caravanas”, música que dá nome ao álbum e é “moderna” com um sutil funk.


28. “Dirty Computer” – Janelle Monae

“Dirty Computer” quebra completamente o paradigma da construção musical que estamos acostumados, e, ainda engloba inúmeros fatores ativistas. Referências ao feminismo, histórias e mitos que possuem mulheres. Afrofuturismo. Críticas ao EUA. Tudo isso com imensas participações, como as de Brian Wilson (Beach Boys), Zoe Kravitz, Grimes e Pharrell Williams


27. “Paramore” – Paramore

O quarto e homônimo álbum do Paramore apresenta uma drástica mudança na sonoridade da banda. Lançada em 2013, a produção apresenta um caráter mais pop e, até mesmo, mais humano.

Hits como “Still Into You” e “Last Hope” ainda são destaques em rádios em todo o mundo. Além dessas, Ain’t It Fun, ganhadora do Grammy de “Melhor Musica de Rock” em 2015, também é muito reproduzida até os dias de hoje.

O impacto de “Paramore” foi tão grande, que a banda lançou uma versão deluxe do disco um ano depois do original.


26. “22, A Million” – Bon Iver

“22, A Million” consegue ter músicas caóticas, mas, que interligadas e todas escutadas em sua devida ordem, torna-se um álbum perfeitamente coeso. 

A produção de suas primeiras músicas é forte, com elementos extremamente computadorizados. Não que o aspecto mais digital desapareça durante o trabalho, mas, após as duas primeiras músicas ele passa a ser sutil com a presença de instrumentos como o violão e teclado, ou até mesmo só de batidas mais calmas.

Ele possui muito do controle de seu líder, Justin Vernon, que aparece com o álbum apenas 5 anos após desde o último álbum (também aclamadíssimo) da banda. No meio tempo, dedicava-se a projetos pessoais paralelos.


25. “Nó Na Orelha” – Criolo

Mesmo tendo apenas pouco mais de 30 minutos, “Nó Na Orelha” consegue ter seu impacto na cena do rap nacional. É o álbum pelo qual Criolo passa a ser mais conhecido.

Com a produção de Daniel Ganjaman, seus fundos musicais são inovadores, mesclando ritmos como afro beat, jazz, samba, brega e mpb. Nas letras, rimas que prendem a atenção do ouvinte do início ao fim do álbum. Não à toa, foi eleito o álbum do ano pela Rolling Stone brasileira quando foi lançado. Seu destaque vai para “Não Existe Amor Em SP”, um de seus maiores sucessos até hoje, mais desacelerada em comparação com outras faixas e que descreve tão bem a cidade de São Paulo.


24. “Golden Hour” – Kacey Musgraves

Álbum coeso e com “no skips”. Kacey criou um álbum que fez com que as pessoas que não curtiam tanto o estilo country, tivessem interesse pelo gênero. É quase como se tivesse repaginado o gênero: ela aborda temas que não costumam ser falados no country.


23. “When We All Fall Asleep, Where do We Go?” – Billie Eilish

Billie Eilish é um dos grandes destaques da nova geração da música. A artista, de apenas 17 anos, se consagrou com seu álbum de estreia, apresentando uma subversão do pop. “When We All Fall Asleep, Where Do We Go?” é uma produção singular, marcada pelo forte uso de sintetizadores.

Em sua narrativa, é nítido o desejo da cantora em criar um universo próprio, que traz uma exclusividade para cada faixa. Adicionando sua personalidade, Billie navega em influências do trap, hip-hop e eletrônica em algo totalmente inovador.


22. “Blackstar” – David Bowie

Não teria como fazer essa lista sem falar de David Bowie, por mais que ele não seja tão popular na nossa geração como Beyonce, por exemplo.

É inegável o legado que Bowie criou durante muitos anos atrás não só musicalmente como politica e artisticamente. E deixou tudo isso preparado para os novos artistas. E é com o “Blackstar” que ele fecha em parte esse legado.

Seu processo de gravação se deu enquanto David estava com um câncer terminal, apenas revelado ao público com sua morte, 2 dias depois do lançamento do álbum. Sua musicalidade é mais sombria, tendo um quê de jazz. Mesmo com tantos anos na indústria fonográfica, ele não falhou em fazer mais uma vez algo único seu. Tirando as palavras do The Guardian, “é uma performance final multifacetada do melhor ator do pop”. É a obra pela qual ele gostaria de ser lembrado.


21. “1989” – Taylor Swift

Mesmo já estando com um pé no pop  em “Red” (2012), foi apenas em 2013 com “1989” que Taylor Swift se jogou de vez no estilo musical. Com singles memoráveis como “Blank Space”, “Welcome To New York” e “Shake It Off”, as canções do “1989” ficaram em alta até início de 2016! Ele rendeu a Taylor 3 Grammys: o de “Record of the Year”, “Best Music Video” e “Best Pop Vocal Album”

Falando na premiação, a idéia do álbum surgiu logo após o Grammy de 2013, no qual perdeu na categoria de “Record of The Year” para o Daft Punk. Taylor diz em entrevistas que a partir daquela noite, transformou a tristeza de ter perdido em motivação. O processo se iniciou ali. Além dos Grammys, o álbum rendeu à Swift inúmeros recordes.

Sua genial produção conta com grandes nomes como Max Martin e Jack Antonoff, nomes que desde então continuam trabalhando em parceria com a cantora.


20. “Cuz I Love You” – Lizzo

Mesmo sendo o terceiro da carreira de Lizzo, este foi o que revelou a cantora e a fez se tornar conhecida mundialmente, sendo assim um dos mais importantes para ela. Com uma voz inegualável, ela traz músicas dançantes como “Juice”, “Truth Hurts” e “Tempo”, mas também outras com um quê de soul e R&B, mostrando todo seu potencial e talento, como na faixa que dá nome ao álbum “Cuz I Love You”. O disco foi de fato importantíssimo para revelar tamanho potencial da cantora na próxima década.


19. “Melodrama” – Lorde

Lorde é um grande exemplo de que é possível se reinventar sem perder a identidade. “Melodrama”, segundo álbum da cantora neozelandesa, mostra a arte de forma coesa e honesta, captando emoções e desejos.

O aguardado sucessor de “Pure Heroine”, é uma produção magistral, capaz de ressoar tanto no indivíduo quanto na sociedade. Seguindo um estilo obscuro, as canções passeiam de maneira perfeita pelo drama, tristeza e hedonismo.


18. “Born This Way” – Lady Gaga

Se o “The Fame” e o “The Fame Monster” foram os responsáveis por apresentar Gaga ao mundo, o “Born This Way” mostra sua evolução e tentativa de continuar fazendo algo novo. 

É mais obscuro que os dois anteriores, mas ainda com o pop em chamas, mas mesclados a outros gêneros que futuramente iria flertar. É sobre abraçar o diferente e aceitar-se do jeito que é.

Sua estética ia muito à direção do renascer e ainda à polêmicas. Foi nessa fase os importantes e polêmicos singles “Judas” e “Born This Way”. Além delas, as musicalmente inovadoras (falando da carreira de Lady Gaga) “Marry The Night” e “You and I”.


17. “DAMN” – Kendrick Lamar

“DAMN” é um álbum pesado no sentido de mostrar a realidade da população negra nos Estados Unidos. A denúncia da violência policial e a cultura racista na falsa condenação de negros estão presentes, o que faz dele um grande marco na década.

Nele, Kendrick Lamar confirma seu imenso talento no rap (onde ele respira entre as rápidas e grandes rimas? Ele pega fôlego?) e em contar histórias. Ele já havia mostrado sua grandiosidade em “To Pimp A Butterfly”, mas, ao recebermos um disco de rap tão denso por um “novo” artista, não se tinha certeza se tamanha grandiosidade fosse parar por ali. Mas não parou.

“DAMN” ainda conta com colaborações com Rihanna (“Loyalty”) e U2 (“XXX”).


16. “CTRL” – SZA

A cantora prova que pode, sim, fazer música melódica e sinestésica com o pouco de tempo em um álbum em “CTRL”. Apesar de sua duração ser menos de 1 hora, suas faixas conseguem dizer muito da profundidade que SZA quer apresentar.

“CTRL” é o seu primeiro álbum completamente comercial lançado, que ainda mantém sua grande e boa ligação com o R&B. Nele, a cantora canta de forma aberta e crua sobre a vida amorosa. Por mais que sejam experiências pessoais, boa parte dela o público (principalmente o feminino) consegue se relacionar.

São experiências como traição e o amor em tempos de liquidez. O resultado mantém o público fiel que já estava com a cantora e estava ansioso por esse lançamento.


15. “Loud” – Rihanna

Rihanna encontrou, durante a produção de “Loud”, uma maneira de falar sobre seus temores ao mesmo tempo em que mostrava a sua força. O lado mais agressivo da cantora foi revelado em melodias dançantes, enquanto temas polêmicos eram abordados em letras cativantes.

Apesar do single chave da produção ser “Only Girl (in the World)”, foi “Man Down” que realmente chamou a atenção. Na faixa, Rihanna relatou o assassinato de seu estuprador, causando uma série de acusações relacionadas a banalização da violência.

Mesmo com a tentativa de boicote por parte de algumas instituições estadunidenses, “Loud” foi aclamado pelo público. Além de ser um dos álbuns destaques de 2010, a produção levou o prêmio de “Favorite Soul/R&B Album”, no American Music Awards, no ano seguinte.


14. “A Mulher do Fim do Mundo” – Elza Soares

Considerada a cantora do milênio em 99 pela BBC inglesa e consagrada mundialmente, Elza Soares volta com tudo em 2015 depois de longa pausa. “A Mulher do Fim do Mundo” em 2015 traz Elza à nova geração, tratando de temas que nunca deixaram de ser pauta, mas falados com liberdade, e, também de temas mais atuais. Violência à mulher, sofrimento urbano, negritude e transsexualidade em pauta. Ela se reinventa trazendo canções de samba misturados ao rap, eletrônica. Os destaques com certeza vão para “Mulher Do Fim do Mundo” e “Maria da Vila Matilde”. O álbum recebeu aclamação pela crítica nacional e internacional, chegando a ser publicado pelo Pitchfork e El Pais, por exemplo.


13. “AM”- Arctic Monkeys

Se o Strokes começou fazendo o trabalho de trazer o indie ao mainstream, o Arctic Monkeys que deu essa missão por completo. O álbum é o melhor da carreira da banda? Provavelmente não. Mas foi definitivamente o mais importante.

O AM possui uma produção muito bem feita e tudo nele se conecta. É o “indie da massa”. Antes dele, a cultura indie era realmente “escondida”. Após AM, o indie veio a tona ao mundo com força; cria-se não somente um gostar do estilo musical, mas uma estética. “Are U Mine?”, “Do I Wanna Know?” e “Why’d You Only Call Me When You’re High” hinos do indie de banda se popularizando! Nunca serão esquecidas.


12. “After Laughter” – Paramore

Mesmo que você não gostasse do Paramore até esse álbum, é quase impossível dizer que você não gostou de pelo menos uma música dele. Com várias influências do pop-rock dos anos 80, é bastante diferente de tudo que o Paramore havia feito até então.

“After Laughter” é um álbum perfeitamente irônico e sarcástico. Enquanto fala de temáticas tristes, complicadas, sua estética é o oposto e feliz (alô, “Fake Happy”!). Suas melodias são em maior parte animadas, e, clipes com tons pasteis que deveriam passar a tranquilidade. Uma crítica esteticamente bonita a nossa geração. Uma fase que chegou de surpresa e que total define os millenials.


11. “Pure Heroine” – Lorde

“Pure Heroine”, da Lorde, quebrou o tabu de que música de qualidade precisa ter produções grandiosas. O álbum se destaca por seu caráter minimalista e experimental, focando em letras que refletem sobre as angustias dos jovens.

A cantora buscou, ainda, romper o estereótipo da adolescência perfeita, característico das produções Hollywoodianas. Assim, o debut disco apresenta uma poética obscura, com melodias sublimes e vocais consistentes, dando evidência mundial a jovem neozelandesa.


10. “Blurryface” – Twenty One Pilots

O “Blurryface” foi possivelmente o mais perto que chegamos de um álbum dos Beatles ou Oasis em muito tempo. Não musicalmente falando, mas pela sua popularidade. Ele é o terceiro álbum do duo Twenty One Pilots, mas o ´primeiro que fez suas músicas cair no gosto de um público muito variado: pessoas mais velhas, jovens, aqueles que gostam apenas de rock, etc. Uniu todas as tribos assim como o Nirvana.

As músicas abordam conflitos pessoais, o clichê das situações amorosas (mas abordada de forma não clichê) com uma mistura de diferentes ritmos, o que acaba deixando o álbum sensacional. O rap é bastante presente com até mesmo um quê de reggae (“Ride”), e aspectos do rock. Pode-se dizer que a banda fez algo que a muito tempo não faziam e exploravam no mainstream

Além do material gravado em estúdio, é válido também falar da turnê que o “Blurryface” rendeu. Todos os shows eram energizantes e levantavam o astral do público que estivesse ali assistindo, mesmo que fosse 15h da tarde. Foi o que aconteceu em 2016, na primeira vinda da banda pelo Brasil no Lollapalooza. Normalmente atrações desse horário deixam as pessoas sentadas no gramado assistindo, e, não rende tanto. O duo provou ao contrário, e, não a toa, voltaram ao festival em 2019 como headliners. 


09. “Channel ORANGE” – Frank Ocean

O álbum debut de Frank Ocean lá em 2012 demonstra o furacão que o cantor é. Não só cantor, mas também escritor musical. É com ele que Ocean começa a chamar atenção tanto da indústria musical como de seu público, e que o r&b se populariza de vez. 

Frank Ocean cantava sobre sua realidade em Los Angeles e o álbum conta com feats de artistas consagrados como John Mayer e Tyler, The Creator. Com várias referências, contando até mesmo com samples do Playstation 1. Mesmo tendo lançado o aclamado “Blonde”, ainda é o seu álbum mais marcante. Por um lado, parece que ele trouxe Frank do nada a fama. E merecidamente, já que a qualidade musical é inigualável, e, por aqueles anos, ninguém ainda fazia algo parecido. 


08. “Teenage Dream” – Katy Perry

Não é difícil entender o motivo de “Teenage Dream” ser um dos álbuns mais emblemáticos da história. O terceiro lançamento de estúdio de Katy Perry é lembrado, principalmente, por sua originalidade e irreverência.

Sem medo brincar com os estilos, a produção varia de baladas pop a batidas eletrizantes, sem esquecer, é claro, da mudança de padrões característicos do groove. A produção, repleta de singles memoráveis, rendeu a cantora cinco números “#1” na Billboard Hot 100.


07. “Random Access Memories” – Daft Punk

Quando falamos de Daft Punk, é impossível não lembrar do Grammy de 2014, quando o duo desbancou Taylor Swift e levou o prêmio de “Álbum do Ano” para a casa. “Random Access Memories”, ou apenas “RAM”, traz uma crítica sobre a indústria musical, assim como uma revisão da maneira de produzir canções.

O álbum é focado na figura humana, dando destaque para o talento dos músicos envolvidos, não para sons produzidos em computadores. Essa escolha, por sua vez, trouxe uma singularidade até então desconhecida nas novas produções, apresentando marcas próprias dos artistas em cada melodia e letra.


06. “Thank U, Next” – Ariana Grande

Eleito pela Billboard o melhor álbum do ano, “Thank U, Next” tem como temática a maneira com que Ariana Grande lida com as dores. A autenticidade e honestidade presente em cada faixa, abre margens para mostrar um outro lado da artista que viveu uma verdadeira montanha-russa de sentimentos nos últimos anos. Nele, ela fala abertamente sobre saúde mental e como a arte é capaz de curar feridas.

Focando em um notório amadurecimento e independência, “Thank U, Next” veio provar que Ariana está na melhor fase de sua carreira.


05. “ANTI” – Rihanna

É definitivamente o álbum mais experimental de Rihanna. O que de longe não quer dizer que seja ruim: pelo contrário, é o melhor trabalho da cantora até hoje.

É como se ela reunisse o que tivesse feito até então em todos os outros álbuns no “ANTI”. Com colaborações maravilhosas (“Consideration”, com SZA; e “Work”, com Drake). Ela utiliza não somente aquilo já criado por ela, mas por outros artistas atuais da cena mainstream (ou quase mainstream).

Por exemplo, “Same Ol’ Mistakes” é um cover muitissimo bem apropriado (tanto que parece dela) da banda de indie psicodélica Tame Impala. Já em “Goodnight Gotham”, seu início possui sample de “Only For A Night”, de Florence+The Machine. É genial!

Todos seus singles tiveram imenso sucesso, assim como também sua estética puxada para o vermelho. Desde 2016 com “ANTI”, Rihanna ainda não voltou para a música. Sentimos sua falta, volte!


04. “Normal Fucking Rockwell” – Lana Del Rei

As produções de Lana Del Rey são lembradas, primordialmente, por seu caráter melancólico. No entanto, a cantora apresentou uma notável evolução musical em “Norman Fucking Rockwell”.

Utilizando o sofrimento para criar atmosferas realistas, a cantora investiu no uso de sintetizadores e pianos, aproximando-se dos estilos folk e psych-rock. Mesmo seguindo com as mesmas abordagens, como a glória e decadência norte-americana e ídolos do rock, Lana investiu em uma nova visão dela. Desse modo, a figura da garotinha assustada e triste deu lugar a uma mulher forte, que está no controle da situação.


03. “Bon Iver” – Bon Iver

Segundo álbum e homônimo da banda que fez com que ela recebesse seu merecido reconhecimento pelo Grammy. Ele foi responsável por dar à banda o prêmio de Artista Revelação e Melhor Álbum de Música Alternativa em 2012.

Foi altamente aclamado e importante, moldando e influenciando diversos outros artistas. Pode-se perceber muito dessa influência na parte melódica de James Bay em seu primeiro álbum, por exemplo.

O “fazer” cru do álbum foi basicamente Justin Vernon se isolando e o gravando sozinho no meio de uma floresta. Pela sua sonoridade, é total possível imaginar essa situação acontecendo. Suas músicas são bem mais calmas e lembram mais a natureza do que o “22, A Million”, que remete a algo mais urbano.


02. “Lemonade” – Beyoncé

Incontestavelmente, “Lemonade”, da Beyoncé, é um dos álbuns mais impactantes da década. Além de apresentar um visual incrível, a produção abriu portas para discussões políticas e assuntos invizibilizados.

Falar sobre representatividade é, sem dúvidas, algo de extrema importância na atualidade. No entanto, mesmo com todos os avanços que passamos nos últimos anos, a sociedade prossegue dando passos para trás no quesito respeito. Com o “Lemonade”, a cantora deu voz para pessoas que muitas vezes não se sentem representadas, abordando questões raciais e o empoderamento feminino.

O álbum, responsável por motivar outros artistas pop a produzirem discos de cunho político, foi disponibilizado no Spotify três anos após seu lançamento. O objetivo de Beyoncé, por sua vez, era focar na mensagem e não, necessariamente, nos números.


01. “To Pimp a Butterfly” – Kendrick Lamar

Uma verdadeira obra-prima capaz de inspirar toda uma geração a transformar o mundo em um lugar melhor. É dessa maneira que podemos definir o álbum “To a Pimp a Butterfly”, lançado por Kendrick Lamar em 2015.

Aclamado pela crítica, a visionária produção expande os limites do rap e do hip-hop, quebrando todas as barreiras do estilo. Em adicional, é possível analisar um estudo profundo sobre a “árvore genealógica” do gênero, resgatando sua essência clássica dos anos 80 e 90.

Para finalizar, é impossível não citar a forte carga política que acompanha as 16 faixas. Nelas, assuntos raciais são discutidos, enquanto estereótipos são quebrados. A violência armada é analisada de dentro, sentida na pele, e não apenas como um relato dos acontecimentos.

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