A direção ao rock

Com o lançamento do disco homônimo, Harry Styles provou seu talento e sua veia artística voltada ao rock, com influência de Bowie, Queen, Oasis e contemporâneos do cenário britânico. Observamos um amadurecimento inegável, um brilho que muitas vezes foi ofuscado pelas diversas vozes do One Direction.

A estreia bem sucedida também se reflete nas vendas: o disco é o primeiro colocado na Billboard 200, com 230 mil unidades vendidas. Não resta dúvidas de que o rompimento com a banda foi uma boa escolha dos integrantes, visto o bom início de Zayn Malik e os caminhos interessantes escolhidos por Niall Horan e Liam Payne até o momento.

Um disco bem produzido, interessante e harmonioso

Que Styles fez uma ótima estreia, isso é fato. É interessante, foi bem produzido e bem conduzido: as faixas são interligadas de forma harmoniosa, não tendo uma que soe desconectada do resto.

O primeiro single, “Sign of the Times”, também se prova como uma ótima escolha: uma linda balada sobre um parto difícil, que resultou na morte da mãe do bebê.

“A maioria das coisas que me machucam hoje não são políticas, mas direitos fundamentais. Direitos iguais para todos, todas as raças, ambos os sexos… “Sign of the Times” foi escrita com o ponto de vista de uma mãe que dá a luz a um bebê e tem uma complicação. Alguém diz a ela: “o bebê está bem, mas você não vai conseguir”. Então, a mãe tem cinco minutos pra dizer ao filho: vá em frente e conquiste”. 


A música predecessora, “Meet Me in the Hallway”, é um interessante flerte com o pop psicodélico, que mostra o sofrimento do eu lírico diante de um difícil término.

“Carolina” deixa mais evidente a influência dos Stones, bem perceptível na parte acústica. “Two Ghosts” já lembra o disco “Sea Change”, de Beck: bem cadenciada, orquestrada e com certa melancolia. “Sweet Creature” é bem acústica e lembra alguns trabalhos de Ed Sheeran (como “One” do disco x) e soa como algumas canções lançadas por Philip Philips e também John Mayer.

A segunda parte do disco é “mais rock”

Uma agradável surpresa, “Only Angel” começa meio experimental (ouvimos algumas vozes bem baixas) até evoluir para um rock de boa qualidade, fazendo Styles soar ainda mais como Rolling Stones. Em “Kiwi” também é possível ver essa influência clara, como também de bandas do cenário britânico como Kaiser Chiefs, The Libertines e um pouco o Arctic Monkeys (o início de carreira).

“Ever Since New York” soa mais intimista: é como se pudéssemos enxergar com mais clareza Styles, em sua vulnerabilidade; “Woman” carrega um ar psicodélico, por conta dos efeitos de guitarra. Com “From the Dining Table”, Styles fecha o disco de forma melancólica no estilo indie folk  que lembra trabalhos de Bon Iver e James Blake.

O disco homônimo de debute de Harry Styles é, sem dúvida, um dos melhores materiais que tivemos acesso até então. Uma estreia impactante que nos faz querer mais e esperar mais do jovem cantor, que parece ter um futuro promissor pela frente.

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