Durante a premiação dos Grammy's, Dua Lipa aparece segurando um gramofone em cada mão. Ela usa o cabelo curto e usa um vestido preto. A imagem estampa a postagem sobre as polêmicas do Grammy.

Polêmicas do Grammy: as maiores da história do prêmio

De Will Smith a Dua Lipa, a história dos Grammy Awards é traçada por inúmeras controvérsias. Reunimos 5 grandes polêmicas que fazem parte da história da premiação.

Por em 11 de março de 2021

Todos os anos, os Grammy Awards recebem uma enxurrada de críticas. Desde a primeira noite de premiações, em 1959, até a última edição, muita coisa mudou. Contudo, algo permanece intacto: as polêmicas nas quais o Grammy se envolve. Nesse post, relembramos algumas das maiores controvérsias na história do prêmio.

Durante a premiação dos Grammy's, Dua Lipa aparece segurando um gramofone em cada mão. Ela usa o cabelo curto e usa um vestido preto. A imagem estampa a postagem sobre as polêmicas do Grammy.
Dua Lipa protagonizou uma das polêmicas durante os Grammy Awards 2020, após responder indiretamente comentários machistas de um integrante da Acadêmica. (Foto: Reprodução)

A mais recente aconteceu no ano passado. Depois de um álbum muito trabalhado e bem-sucedido, Abel Tesfaye, o The Weeknd, não foi indicado a nenhuma categoria dos Grammy’s. Prontamente, os fãs se indignaram e levantaram o assunto na rede social.

Leia também: Zayn e mais 5 artistas que já criticaram as indicações do Grammy

Uma prova do sucesso do cantor foi o recorde que quebrou nesta semana. Nesta terça-feira, 9, a Billboard divulgou os resultados de mais uma semana em suas listas. O hit Blinding Lights” se tornou a primeira música na história da Hot 100 a passar um ano no top 10 do ranking.

Além disso, o álbum “After Hours”, quando lançado, tomou o topo da Billboard 200 por quatro semanas consecutiva. Para os Grammy’s, ter um álbum impecável, com desempenho excepcional e quebrar inúmeros recordes na indústria da música não foi o suficiente. Abel foi apagado da premiação.

Além deste explícito exemplo de racismo, há diversos outras polêmicas que citamos na matéria “O racismo, a xenofobia e o machismo que sustentam as categorias no Grammy“. Não deixe de conferir.

Confira outras 5 grandes polêmicas na história dos Grammy Awards

1. Will Smith e a categoria não televisionada

Em 1988, o ator Will Smith se juntou com o DJ Jazzy Jeff e lançaram a música “Parents Just Don’t Understand”. No ano seguinte, a dupla foi indicada para uma nova categoria dos Grammy’s: “Melhor Performance de Rap”. Porém, ao saberem que a categoria não seria televisionada, ambos desistiram de aparecer na cerimônia.

“Eles disseram que não havia tempo suficiente para transmitir todas as categorias na televisão”, disse Jeff, à época, em uma entrevista ao Entertainment Tonight. “Eles transmitiram 16 categorias para a televisão e, pelas vendas de discos, das paradas da Billboard, do ponto de vista do público em geral, não há como dizer que, dentre elas, o rap não está entre as primeiras [com melhor desempenho].”

Smith e Jeff foram chamados para a noite de premiação, mas recusaram o convite. “Esta é a nossa contribuição para o hip-hop no Grammy, mas não é grande o suficiente para transmitirmos a categoria na televisão”, relembrou o DJ em uma entrevista mais recente.

Outros rappers como Salt-N-Pepa, Russell Simmons e LL Cool J, se uniram à dupla vencedora no boicote ao show. Em um comunicado, Salt-N-Pepa afirmou: “Se eles não nos querem, nós não os queremos.” Ainda assim, “Parents Just Don’t Understand” levou o prêmio a qual foi indicada.

2. Milli Vanilli é obrigada a devolver o prêmio

Milli Vanilli foi uma dupla alemã de R&B criada em 1988. Formada por Rob Pilatus, estadunidense, e Fab Morvan, francês, obtiveram sucesso instantâneo, que resultou no Grammy de “Artista Revelação” na premiação de 1990.

Com o hit “Girl You Know It’s True”, o grupo passou todo o verão de 1988 perfomando na europa. A canção alcançou o top 5 em 14 países e o número 1 em três (Alemanha Ocidental, Áustria e Espanha). Todos acreditavam genuinamente que os parceiros eram os verdadeiros cantores da faixa.

Antes mesmo de ganharem o gramofone, havia algumas suspeitas de que ambos não cantavam as próprias músicas. Além das falhas técnicas durante diversas apresentações, alguns artistas denunciaram a dupla por fraude. Foi o caso do rapper Charles Shaw, que se calou ao receber mais de um milhão de dólares em propina.

Tudo foi descoberto após inúmeras dúvidas. O produtor da dupla decidiu contar tudo sobre a dupla: “Duas pessoas no estúdio e outras duas no palco. Uma parte gravada, outra visual. É uma forma de arte em si mesma. Onde está a traição? Alguém acreditava que o Village People e os Monkees cantavam suas canções?”

“A música [do Milli Vanilli] era fantástica, as pessoas estavam felizes, então qual é o problema? Por favor, há 25 anos todo mundo faz isso, Madonna, Janet Jackson, todos esses espetáculos com coreografias perfeitas que o público agora exige”, defendeu Frank Farian, produtor do duo em 14 de novembro de 1990.

Pressionada pela mídia, a comissão do Grammy decidiu, por bem, retirar o prêmio da Milli Vanilli. Os integrantes foram processados e, junto à gravadora, tiveram de lidar com diversos pedidos de reembolso e devoluções do álbum “Girl You Know It’s True”.

3. O exorcismo de Nicki Minaj

Durante os Grammy Awards de 2012, Nicki Minaj apresentou uma nova música, “Roman Holiday”. O que muitos não contavam, entretanto, era que a rapper interpretaria um exorcismo ao vivo. A interpretação começou ainda no tapete vermelho da premiação, quando Nicki chegou com um vestido vermelho e acompanhada por um ator que interpretava o papa.

No palco, prestes a ser exorcizada, Minaj estava acorrentada a uma tábua enquanto padres encapuzados a rodeavam. Uma fumaça sobiu, o fogo ardeu e a rapper levitou sobre o palco. A performance, obviamente, foi mal recebida pela comunidade Católica. No dia seguinte, publicaram uma nota de repúdio.

“Talvez a parte mais vulgar tenha sido a declaração sexual que mostrava uma dançarina seminua se debatendo enquanto um padre se ajoelhava entre suas pernas em oração. Finalmente, [o louvor] ‘Come All Ye Faithful‘ foi cantado enquanto um homem se passando por bispo subia no palco”, escreveu Bill Donohue, presidente da Liga Católica pelos Direitos Religiosos e Civis.

4. Macklemore, Ryan Lewis e o Grammy “roubado”

Durante a cerimônia dos Grammy’s de 2014, Macklemore e Ryan Lewis ganharam quatro prêmios: “Melhor Performance de Rap”, “Melhor Canção de Rap”, “Artista Revelação” e “Melhor Álbum de Rap”. Mas, assim como o público geral, o próprio Macklemore admitiu esperar que Kendrick Lamar ganhasse esta última.

Após a cerimônia, o dono do “The Heist” publicou no Instagram uma foto da mensagem que enviou para Lamar. “Você foi roubado. Eu queria que você ganhasse. Você devia ter ganhado. É estranho e é uma merda eu ter roubado você”, escreveu o músico.

Lamar foi indicado a sete categorias nos Grammy’s, mas não ganhou em nenhuma. “Eu ia dizer isso durante o discurso”, continua o texto de Mackelmore. “Então a música começou a tocar durante o meu discurso e eu congelei. De qualquer forma, você sabe o que é. Parabéns por este ano e por sua música.”

Na legenda de sua postagem Macklemore explicou que, embora não esteja tentando diminuir sua vitória, pode não ter sido o melhor lá fora. “Ele [Kendrick Lamar] merecia o melhor álbum de rap”, escreveu. “Estou honrado e completamente maravilhado por ganhar muito menos 4 Grammys. Mas nessa categoria, ele deveria ter vencido, na minha opinião.”

5. Machismo nas indicações do Grammy

No início de 2019, Dua Lipa ainda promovia seu primeiro álbum. Dona do prêmio “Artista Revelação”, Dua discursou no palco dos Grammy’s: “Quero começar dizendo o quão honrada eu estou pela indicação ao lado de tantas artistas femininas incríveis neste ano, porque… Eu acho que neste ano nós realmente nos esforçamos, não é?”

A cantora se referia diretamente a um polêmico comentário proferido pelo presidente da Academia, Neil Portnow, no ano anterior.

Em 2018, apenas uma mulher recebeu um prêmio solo: Alessia Cara, por “Artista Revelação”. Portnow disse: “Mulheres que têm criatividade em seus corações e almas, que querem ser músicas, que querem ser engenheiras, produtoras e querem fazer parte da indústria no nível executivo precisam se dedicar mais.”

O comentário dele provocou uma reação imediata na indústria da música e nas redes sociais. Em pouco tempo, uma petição que pedia sua demissão foi publicada.

Após inúmeros ataques, Portnow tentou se desculpar. “Lamento não ter sido tão articulado como deveria ao transmitir esse pensamento”, escreveu. “Continuo empenhado em fazer tudo que posso para tornar a nossa comunidade musical um lugar melhor, mais seguro e mais representativo para todos.”

Portnow não é mais presidente da Recording Academy desde julho de 2019.


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