“Montero” e 6 outros clipes ou músicas que irritaram conservadores

O videoclipe de Lil Nas X é o mais novo alvo de grupos conservadores. Conheça outros clipes e músicas de artistas que também foram profundamente criticados por essas organizações.

Por em 6 de abril de 2021

Assim como no novo single de Lil Nas X, “Montero”, há durante anos de mercado musical canções que pelo seu conteúdo tanto visual, quanto lírico irritaram conservadores. O rapper está constantemente sendo alvo de críticas por parte da comunidade mais conservadora e religiosa dos Estados Unidos.

Entretanto, o norte-americano não é o único a receber julgamentos pela sua obra, cantoras como Madonna e Lady Gaga também já estiveram nesta situação. De boicotes a excomungação da igreja, muitos desses foram os efeitos polêmicos impostos sobre os projetos desses artistas.

Recebendo cartas de autoridades religiosas e sendo expostos em matérias jornalísticos, os clipes e músicas de determinadas figuras públicas foram marcados não só pela sua ousada temática, mas também pelo recebimento do público. Sabe quais foram esses materiais e artistas condenados pela comunidade conservadora? Vem que a gente te mostra!

6 trabalhos musicais de artistas que irritaram os conservadores

1. Lil Nas x – “Montero”

Foto: reprodução/Youtube

Um single de sucesso e líder dessa semana na Billboard Hot100, “Montero (Call Me By Your Name)” é a nova aposta do intérprete de “Old Town Road” e a faixa carro-chefe do seu álbum de estreia nomeado MONTERO. Assim, entregando sempre ótimos visuais para os seus projetos, a música que irá promover seu disco debut não poderia ter seu videoclipe fora desse padrão de qualidade.

No entanto, embora o rapper lance grandes materiais visuais, o recente clipe de “Montero” está ganhando atenções além do esperado! Com críticas em torno das cenas apresentadas, o mais novo clipe de Lil Nas X é agora um dos problemas de grupos conservadores dos EUA.

O vídeo que apresenta o rapper dançando pole dance com o diabo vem recebendo críticas por seu teor diabólico. Logo, os críticos mais conservadores da internet levantaram um debate acerca do cantor que na época do sucesso de “Old Town Road” teria se tornado uma das personalidades favoritas do público infantil.

Isso originou uma grande repercussão ao redor do clipe, o que deu a Lil a tarefa de rebater inúmeras críticas sobre seu novo material. “Não houve sistema envolvido. Eu tomei a decisão de criar o clipe. Eu sou um adulto. Não vou passar toda a minha carreira cuidando dos seus filhos. Esse é o seu trabalho.

Ao longo dos tweets, Lil Nas X ressalta os recentes tiroteios e assassinatos em massa nos EUA e destacou que “não sou eu descendo em um pilar de computação gráfica que estou destruindo a sociedade“.

O videoclipe de “Montero” foi pauta de uma das maiores emissoras jornalísticas do país norte-americano.

https://twitter.com/LilNasX/status/1376728380087824387?s=20

O desabafo de Lil Nas X sobre as críticas ao novo clipe

Contudo, apesar da imensa atenção criada ao redor da nova obra do rapper, o que garante a ele muita visibilidade, Lil fez um profundo desabafo sobre o seu lugar como homem gay e como o vídeo serve de “vingança” para todo o seu passado, onde enfrentou difíceis conflitos consigo mesmo.

Eu passei toda a minha adolescência me odiando por conta das merdas que vocês diziam que iam acontecer comigo porque eu era gay. Então eu espero que vocês estejam bravos, continuem bravos, sintam a mesma raiva que vocês nos ensinam a ter de nós mesmos.

Leia também: “Montero”, de Lil Nas X, e 3 outros clipes acusados de plágio

2. Madonna – “Like a Prayer”

Uma das maiores músicas Pop já feitas, ficou marcada na carreira de Madonna não só como uma importante faixa para a indústria, mas também pela sua impactante história que a fez construir inúmeros situações com a igreja e até mesmo com o Papa.

Tudo começou quando a empresa de refrigerante Pepsi fechou um contrato milionário com a rainha do pop, o que para aquela época era extremamente importante, já que marcas de bebidas viviam entre uma acirrada disputa de marketing.

A Coca-Cola havia feito uma parceria com Michael Jackson, Whitney Houston e George Michael. Assim, vendo isso, a Pepsi não ficou para trás e imediatamente conquistou Madonna para estrelar suas campanhas. Estava previsto ainda o patrocínio à turnê mundial do álbum Like a Prayer. Porém, o acordo acabou sendo desfeito meses depois diante da pressão da Igreja Católica.

Lançado no dia 2 de março de 1989, o filme Make a Wish mostrava uma Madonna adulta e criança, na qual dançavam feliz ao som de “Like a Prayer”. No entanto, tudo isso se deu antes do lançamento do videoclipe da música, o que claramente poupou a empresa de saber sobre as referências religiosas que ele traria.

Clipe de “Like a Prayer”

O material trouxe a cantora testemunhando um caso de estupro em que um negro é acusado injustamente. Além disso, o visual apresenta a artista dentro de uma igreja com um coral de negros, dançando em meio às cruzes flamejantes.

Logo, a repercussão mundial e a pressão sobre a Pepsi foi ficando cada vez mais forte, resultando então em boicote à empresa por se associar a Madonna. Tendo em vista isso, a companhia resolveu cancelar a exibição da propaganda Make a Wish e encerrar o patrocínio da turnê da cantora. 

Para a voz de “Vogue”, a extrema importância dada ao clipe resultou na proibição de sua entrada na Itália, bem como a censura do disco Like a Prayer no país.

Em entrevista na época, a artista afirmou que não imaginava o tamanho que o clipe se tornaria: “Quando eu penso em controvérsia, eu nunca imaginaria que as pessoas ficariam nem metade tão chocadas quanto elas ficaram com o que eu fiz. Eu realmente não pude acreditar o quão fora do controle toda essa história da Pepsi gerou”.

3. Lady Gaga – “Judas”

A icônica canção do álbum Born This Way foi alvo de duras críticas por grupos religiosos mesmo ainda antes do lançamento do seu videoclipe. No visual, Lady Gaga interpreta Maria Madalena e o papel de Judas é vivido por Norman Reedus, ator de séries de TV como “Hawaii Five-O” e “Walking Dead”.

Na época, o presidente da Liga Católica para Direitos Civis e Religiosos, Bill Donahue, considerou a faixa uma manobra de marketing. Uma reunião foi marcada para discutir o assunto.

Existem as pessoas com talento, e depois existe Lady Gaga. Acho-a cada vez mais irrelevante. É esta a única forma de se destacar? Isto não está sendo feito por acaso: estamos nos aproximando da Semana Santa e da Páscoa

De acordo com o diretor criativo da cantora, Laurieann Gibson, em entrevista à MTV americana naquele período, declarou que o vídeo mudaria o mundo, mas não era uma blasfêmia.

A intérprete de “Bad Romance” insistiu que seu trabalho não diz respeito a questões religiosas e sim sociais. “Eu não vejo o vídeo como uma crítica religiosa. Vejo como uma crítica social. Eu o vejo como uma crítica cultural. É uma metáfora. Não pretendo dar lições bíblicas“.

4. David Bowie – “The next day”

Em 2013, a organização religiosa conservadora dos EUA, Liga Católica Para Direitos Religiosos e Civis, divulgou uma nota em seu site com críticas ao clipe de “The next day”, de David Bowie. O conteúdo do vídeo traz o cantor britânico vestido como personagem semelhante a Jesus Cristo, além de mostrar padres e mulheres seminuas. 

Estrelado por atores hollywoodianos como Gary Oldman (“Batman: O cavaleiro das trevas ressurge”) e Marion Cotillard (“A origem”), o vídeo foi dirigido por Floria Sigismondi e foi temporariamente retirado do YouTube e substituído por uma mensagem na tela que dizia ter sido retirado, pois violava os termos de serviço da plataforma.

Na nota, a organização intitulava o clipe do artista como “O vídeo de Bowie ‘Jesus’ é uma bagunça” e completava dizendo:

David Bowie está de volta, mas tomara que não por muito tempo. O senhor cidadão londrino bissexual ressurgiu, dessa vez interpretando um personagem como Jesus, que sai para uma boate suja frequentada por padres, cardeais e mulheres seminuas”, diz o texto. “Em resumo, o vídeo reflete o artista – é uma bagunça.

5. Ariana Grande – “God is a Woman”

A música que foi o terceiro single do quarto álbum de estúdio de Ariana Grande recebeu críticas por declarar que Deus é uma mulher. Antes mesmo do laçamento, a canção já chamou a atenção dos fãs quando o título foi divulgado. Muitos internautas criticaram a artista nos comentários em suas redes sociais.

Não, ele (Deus) não é (uma mulher)”, respondeu um seguidor. “Eu te amo Ariana Grande, mas cale a boca. Deus não é uma mulher. Não seja desrespeitosa porque você é uma celebridade. Do contrário, Deus irá tomar de volta a vida que Ele te deu”, disse outra seguidora.

montero e god is a woman são músicas que irritaram grupos conservadores. A foto é um print de vários comentários criticando a música de Ariana Grande pelo instagram
Foto: reprodução/Instagram
montero e god is a woman são músicas que irritaram grupos conservadores
a foto é um print de um comentário criticando a música de Ariana Grande pelo instagram
Foto: reprodução/Instagram

Apesar das reações negativas, Ariana Grande trocou mensagens com os fãs antes do lançamento do single e respondeu:

Estava esperando isso e é claro que entendo, mas isso é arte. Está tudo bem se nem todo mundo entender o que eu faço. Me sinto muito grata por ter a oportunidade de ser eu mesma e inspirar outras pessoas a fazerem o mesmo. Eu prefiro fazer isso do que não me arriscar

6. Nicki Minaj – “Roman Holiday (performance)”

Embora nenhuma religião seja associada ao videoclipe e faixa de “Roman Holiday”, a apresentação da canção no Grammy Awards 2012 deu o que falar, sendo duramente criticada pela Liga Católica norte-americana. Para o tapete vermelho da maior premiação da música, Minaj chegou usando uma roupa vermelha de freira da marca de roupa luxuosa Versace, acompanhada de um homem mais velho vestido como o Papa. 

Afinal, o presidente da Liga Católica, Bill Donohue, julgou a performance da rapper considerando-a de mau gosto e desrespeitosa à Igreja Católica.

Logo, a organização se incomodou com a produção extravagante da artista que contou com um conjunto de ilustrações explicitamente católica e a encenação de um exorcismo. Em um comunicado publicado no site da Liga, o presidente argumentou:

Talvez a parte mais vulgar tenha sido a conotação sexual do momento que mostrou uma dançarina com poucas roupas se dobrando para trás enquanto um coroinha ajoelhou entre as pernas dela para rezar. Nada disso foi acidental e foi tudo aprovado pela Academia de Gravações, que organiza o Grammy. Se Minaj está possuída é certamente uma questão em aberto, mas o que não está em dúvida é a irresponsabilidade da Academia de Gravação. Eles nunca deixariam que um artista insultasse o judaísmo ou o islamismo.

Como apresentado, a Liga Católica estadunidense condenada ferreamente produções que utilizam e exibem imagens, objetos e atributos católicos ligados à temáticas sexuais e provocativas. Você sabia de algumas dessas situações? Conta pra gente no nosso Twitter!


Deixe um comentário

Seja o primeiro a comentar!