James Bay realiza show online surpreendente no Shakespeare Globe
22 de outubro de 2020 por Giovana Bonfim Escudine.

Cinco anos atrás eu lancei pro mundo (5 pessoas) o meu primeiro review de um álbum em um blog que tinha com um amigo. Ele foi do “Chaos and The Calm” do James Bay. Mal sabia eu que 6 anos depois o mundo estaria em estado de pandemia, sem poder ter show e que após webentrevistar ele eu iria cobrir um webshow em que ele tocaria boa parte das músicas desse seu primeiro álbum. A vida é completamente maluca.

O webshow do James Bay aconteceu ontem, 21, ao vivo do Shakespeare Globe, em Londres. Um teatro imenso. Com apenas James Bay e sua banda. Sem platéia.

O setlist contou majoritariamente com trabalhos dos primeiros anos de sua carreira, do, justamente, “Chaos and The Calm”, de 2015. Contou obviamente com algumas músicas do “Electric Light” de 2018 e com o single “Chew On My Heart” do terceiro futuro álbum.

Dentro do teatro existe uma espécie de casa, que também funciona como parte do centro cultural do Shakespeare Globe. E foi de lá que James começou: bem intimista do topo, com a câmera capturando ele da janela cantando “Scars” somente com um violão e com luzes baixas. Impecável.

Primeiras impressões

Após a performance da primeira música, James desceu para onde de fato aconteceria a maior parte do show junto de sua banda. Organizados em formato de arena, minúsculos diante a imensidão do lugar. A primeira sensação que tive foi de muita estranheza e tristeza, preciso confessar.

Um lugar lindo, com uma banda que definitivamente sabia o que estava fazendo junto do James tocando um setlist com um potencial de ser genial, mas, sem ninguém ali pra assistir e a gente vendo de casa. De uma tela. Tudo vazio… em algum momento entre uma música, James soltou um “totalmente bizarro e maravilhoso ao mesmo tempo” sobre essa experiencia. E de fato. Tocar ali deve ser lindo, mas sem um público, totalmente bizarro.

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Pontos altos

Pra mim, um dos pontos altos aconteceu em “If You Ever Wanna Be In Love”. Com vocais sem erros e a banda em perfeita harmonia, trouxe toda a nostalgia de 2015 do álbum e deu uma leve animada na live linda e diferenciada que tava ainda no clima esquisito de não ter ninguém além de quem estivesse ali trabalhando.

Logo após, ele volta a subir um andar do local e fica sozinho novamente. Desta vez, acompanhado de somente um teclado. James mostrou ali sua habilidade para além do violão e guitarra que tem demonstrado principalmente nas Lives no Instagram. Ali, somente ele e o teclado, tocou a intensa “Break My Heart Right”.

Depois, surpreendeu com um cover de “Life on Mars”, do David Bowie. Nela, adicionou sua própria personalidade e mostrou originalidade ao toca-la. Foi bem bonito.O cover meio que já tinha me deixado ali meio hipnotizada, e, parece que James aproveita pra seguir nisso. Ele desce de volta pra sua banda e começa a cantar e tocar a animada “Pink Lemonade”, hit do “Electric Light”. Com tamanha animação, esqueci momentaneamente que não tinha ninguém ali e que tava vendo aquele show de casa. Fui de apenas emotiva para muito animada e empolgada naquele momento.

A partir disso, a animação de fato engatou. Na sequência, veio “Craving”, que caiu muito bem e me fez bater cabelo e dançar da cadeira; logo após, foi a vez de “Best Fake Smile”.

Fim de show

Obviamente, o fechamento ficou por conta de “Hold Back The River”, maior sucesso de Bay até hoje. Fiquei reflexiva lembrando de quanto eu já a escutei, principalmente em 2014 e 2015, e tudo que se passava quanto tinha essa fase. A música tem essa coisa que pode ser incrível, mas também devastadora, né? A famosa memória afetiva que ela traz.

James parecia confortável, confiante e feliz de estar ali a todo momento. Isso só o ajudou a fazer uma performance impecável, com o único contra de não ter uma plateia em um lugar tão grande e lindo. Se através do computador, meio frio, foi assim, fico ansiosíssima para uma performance presencial e ao vivo de James no Brasil – que nunca rolou de 2014 até hoje. A esperança é a ultima que morre!

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