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GRAMMY 2021: A corrida pelo “Álbum do Ano”

Conheça os indicados à categoria mais importante do Grammy, que será realizado neste domingo (14)

Por em 12 de março de 2021

Por Fernando Marques e Gabriel Haguiô

Em 2021, a corrida pelo prêmio de “Álbum do Ano” no Grammy 2021 está acirrada como nunca. Oito artistas estão na expectativa para o maior prêmio da música; são eles: Dua Lipa, Taylor Swift, Black Pumas, HAIM, Jhené Aiko, Coldplay, Post Malone e Jacob Collier.

Para te prepararmos para a maior premiação da música, o Tracklist organizou um panorama geral sobre a abordagem de cada um dos discos indicados à categoria mais importante do evento! A única certeza que temos é: ainda é grande a dúvida quem será o grande ganhador da noite!

Quando acontece o Grammy 2021?

O Grammy será realizado neste domingo (14) a partir das 21h, com transmissão ao vivo da TNT. A premiação terá a cobertura completa do Tracklist no site e também em nossas redes sociais!


“Black Pumas”, Black Pumas

Entre as principais surpresas do Grammy, o Black Pumas também pode ser considerado uma das grandes surpresas da música nessa última temporada. A dupla formada por Eric Burton e Adrian Quesada se reuniu em 2017 e, desde então, tem escalado diversos degraus até o lançamento de seu primeiro disco homônimo, que chamou a atenção da premiação e de muitos novos fãs em 2019.

Surpreendendo com sua sonoridade voltada ao blues e ao soul, o duo não demorou muito para se tornar uma legítima revelação no rock norte-americano com a mistura de gêneros que suas músicas propõem. O trabalho de estreia, lançado em 2019, rendeu à dupla indicações a quatro prêmios, incluindo “Artista Revelação”, “Álbum do Ano” e “Gravação do Ano” pelo sucesso “Colors”.

Fazendo jus à fama que Burton e Quesada construíram para si, o Black Pumas tem tudo para seguir conquistando novos públicos com seu som, e o Grammy pode ser o primeiro passo. Apesar de figurar entre as surpresas da edição, a dupla pode surpreender a muitos com um prêmio ou outro em um dos maiores palcos da música, que parece ser só mais um para uma dupla que ainda tem muito a crescer.

“Chilombo”, Jhené Aiko

Apesar de ser uma das maiores artistas da atual geração do R&B, Jhené Aiko nunca havia chegado com tanta força no cenário mainstream antes de “Chilombo”. Lançado em março do ano passado, o terceiro disco da carreira da cantora é o seu trabalho mais comercial até então e, não à toa, foi reconhecido como uma dos principais obras na disputa pelo prêmio mais simbólico do Grammy.

O álbum destaca uma figura mais transparente e vulnerável de Aiko, deixando de lado os experimentalismos de seus antecessores para dar lugar a canções mais simples e melódicas — algumas delas, inclusive, que estão entre as melhores já gravadas pela californiana. Duas delas são “Triggered (Freestyle)” e “None Of Your Concern”, faixas que abrem os trabalhos com um grande desabafo sobre o fim de uma relação e precedem um longo testamento sobre as alegrias e as dores dos amores.

“Chilombo” pode não ser o trabalho mais ambicioso de Jhené, mas certamente é um dos seus melhor desenvolvidos. Com a produção assinada pela própria cantora ao lado de Fisticuffs e Lejkeys, seus colaboradores de longa data, o disco conta com a participação de diversos nomes do hip-hop e do R&B, incluindo nomes como H.E.R., Future, Miguel, John Legend e até mesmo seu ex-namorado Big Sean.

Depois de anos surpreendendo críticos e conquistando fãs, Jhené Aiko finalmente teve o seu devido reconhecimento na premiação mais importante da indústria musical. Em um ano com vários grandes discos e artistas concorrendo às principais categorias, não seria surpresa alguma ver a cantora correndo por fora na disputa pelos maiores destaques da noite.

“Djesse Vol. 3”, Jacob Collier

“Djesse Vol. 3” certamente é a escolha mais polêmica do conselho. Sem pensar muito, existem ao menos três grandes álbuns que poderiam substituir a produção de Jacob Collier sem sombra de dúvidas.

Um disco experimental, que não leva nada a sério e aceita essa condição. Durante toda a duração do disco a pergunta que fica é: “O que está acontecendo aqui?”. Exótico, irreverente ou experimental. O adjetivo fica a sua escolha, porém existe algo na produção que agradou o conselho do Grammy.

Seria “Djesse Vol. 3” o grande azarão da noite? Não podemos descartar qualquer possibilidade.

“Everyday Life”, Coldplay

Os rumos que o Coldplay tomou para sua carreira na última década foram, no mínimo, questionáveis. A banda afastou alguns de seus fãs após seguir um caminho em direção ao pop, assumindo uma sonoridade mais comercial e se concentrando em gravar sucessos para os grandes shows, transformando-os em espetáculos visuais para públicos muito maiores.

“Everyday Life”, entretanto, parece dar início à uma nova fase para o grupo. Pela primeira vez em quase dez anos, Chris Martin e companhia deixam de lado as influências do pop para produzir um dos seus discos mais conceituais, reconstruindo sua identidade em torno de instrumentações orquestrais e composições menos fantasiosas e mais atuais.

Ao longo do disco, o quarteto parece se permitir explorar por horizontes inéditos pela primeira vez desde “Viva La Vida Or Death And All His Friends”, obra de 2008 que, coincidentemente ou não, foi o único título da banda a conquistar uma indicação a “Álbum do Ano”. Sem se aprofundar em críticas sociais, o álbum utiliza planos de fundo simples para abordar questões como a violência policial, o drama de populações refugiadas e a diversidade cultural; apesar das críticas em si não serem tão ricas quanto poderiam, o que se destaca no disco é a atmosfera dos grupos de metais e dos grandes corais, por exemplo, usados para contar a tal “vida de todos os dias”.

“Everyday Life” nos apresenta a um Coldplay renovado, entregando-se ao seu lado mais artístico que quase nos esquecemos de como soava, mas que ainda existe. Ainda que a indicação a “Álbum do Ano” seja uma surpresa para muitos, o disco representa um importante recomeço para a banda que certamente conquistou a Academia e, apesar das chances baixíssimas, não pode ser de forma alguma desconsiderado.

“Folklore”, Taylor Swift

Mais do que quase ninguém, Taylor Swift está acostumada aos holofotes do Grammy. A cantora está indicada pela quarta vez à categoria de “Álbum do Ano” após tê-la vencido duas vezes no passado, com “1989” em 2016 e “Fearless” em 2009. Em 2021, porém, Taylor chega à premiação com seu trabalho mais artístico e menos comercial, mas igualmente favorito.

Lançado em julho do ano passado, “Folklore” releva o apelo comercial de seus antecessores e assume uma sonoridade muito mais próxima do folk, juntando-se com nomes como Bon Iver, Jack Antonoff e Aaron Dressner, do The National, para construir um disco “quase indie”. O maior destaque da obra, entretanto, está em realçar o principal talento de Taylor: em suas composições.

O trabalho reúne algumas das melhores músicas já escritas pela norte-americana, com letras ricas e expressivas que contam sobre as experiências amorosas e pessoais de Taylor da maneira mais imersiva possível. O disco é a prova de que a sinceridade, posta no papel e na caneta, pode ser a maior virtude de um artista: Swift não precisa recorrer ao pop para cativar seus ouvintes, mas apenas descrever seus relatos mais íntimos em suas próprias palavras.

Cada vez mais consolidada entre as maiores compositoras de nossa geração, Taylor Swift tem a chance de entrar pra história com o seu terceiro Grammy de “Álbum do Ano”, e possivelmente, o mais importante deles. “Folklore” não só é uma das maiores obras já lançadas pela cantora, mas também a mostra em seu ápice artístico depois de anos de sucessos grandiosos entre a crítica e o público, escancarando seus traumas no papel e caneta da forma que só Taylor Swift sabe fazer.

“Future Nostalgia”, Dua Lipa

“Future Nostalgia” é a representação completa da ode ao oitentismo, ao dance e ao disco. O disco de Dua Lipa atravessa o gênero com maestria, sendo um dos álbuns pop mais aclamados dos últimos anos. Desilusões amorosas, novos amores, exercícios físicos e superações: tudo isso está presente no primeiro disco de Dua a concorrer ao prêmio de “Álbum do Ano”.

O resultado das 11 faixas e pouco mais de 37 minutos de duração é a vontade invariável de dançar. Com músicas carregadas com linhas de baixo envolventes e o famoso groove dos anos 80, Dua Lipa levou a sua música a um novo patamar com uma era sonora e esteticamente impecáveis.

Dua Lipa é uma das grandes favoritas da noite. Uma coisa é certa: independente de quem vencer, Dua Lipa já se consolidou como uma potência na indústria fonográfica.

“Hollywood’s Bleeding”, Post Malone

Um dos trabalhos mais coesos e bem sucedidos de Post Malone, “Hollywood’s Bleeding” reforça a crítica social ao estilo de vida dos artistas e de questões sobre a vida. Malone experimentou diversos elementos durante todo o disco, desde a surpreendente “Circles” até uma parceria com Ozzy Osbourne e Travis Scott.

Com pouco mais de 50 minutos de duração, o terceiro disco de Post apenas o reforça como um dos grandes hitmakers dessa geração. Os três principais singles do disco somam 4 bilhões de streams apenas no Spotify, reforçando sua capacidade de entendimento do público, com quem conversa como poucos.

Porém, na noite de 14 de março, “Hollywood’s Bleeding” pode surpreender a todos ao levar o prêmio da noite. A concorrência é forte, porém tudo é possível se tratando do Grammy.

“Women In Music Pt. III”, HAIM

Em 2020, as irmãs do HAIM retornaram à forma com o ótimo “Women In Music Pt. III”. São treze músicas e pouco mais de 40 minutos de disco que passeiam por momentos da vida, sensações e claro, muita confiança. Extremamente coeso e intimista, o terceiro e melhor disco do trio é repleto de bons momentos; uma verdadeira aula de como manter o ouvinte engajado durante toda a execução do disco.

Durante os dois primeiros discos, HAIM conversava sobre os acontecimentos da vida de uma forma sutil, o que tornava fácil a identificação dos fãs com os temas abordados. Em “Women In Music Pt. III” a história é um pouco diferente: as letras são muito mais profundas nos acontecimentos. Porém, o casamento das composições com as melodias dão um ar mais leve ao disco.

O trio chega ao Grammy correndo por fora, mas será que teremos uma surpresa boa na noite de 14 de março?


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