Royal Blood

Entrevista: Royal Blood dá novas pistas sobre seu terceiro (e melhor) disco

Com pouco menos de dez anos na estrada e dois discos de sucesso na bagagem, não […]

Por em 29 de outubro de 2020

Com pouco menos de dez anos na estrada e dois discos de sucesso na bagagem, não é exagero algum considerar o Royal Blood entre os grandes nomes do rock da atualidade. O duo britânico surgiu no início da década passada e, desde então, tem surpreendido multidões pelo mundo com sua simples combinação de baixo e bateria, criando enormes expectativas para o seu próximo passo em sua carreira.

Segundo Mike Kerr, o novo disco promete seguir um caminho totalmente diferente dos demais. O Tracklist conversou com o vocalista da banda nessa quinta-feira (29) sobre sua atual fase com o single “Trouble’s Coming”, e ouviu detalhes inéditos do próximo álbum de estúdio do grupo, incluindo influências e temas pertinentes no trabalho.

A música foi lançada no fim de setembro e abraça um estilo totalmente diferente dos dois últimos discos, com um ritmo mais dançante e menos pesado. “Foi muito importante pra nós encontrar algo inédito e, como resultado, exploramos muito e nos perguntamos muito o que realmente queríamos fazer”, disse Mike durante a entrevista.

“Trouble’s Coming” é a primeira prévia do terceiro disco da dupla, que segundo o cantor, “é o melhor disco que eles já fizeram”. “É como se estivéssemos em nossa primeira banda, gravando nosso álbum de estreia, sabe?”, comentou.

Leia a entrevista completa com Mike Kerr a seguir:

TRACKLIST: Vamos começar falando sobre sua música nova, “Trouble’s Coming”. A primeira vez que eu a ouvi, eu fiquei surpreso com o quão diferente ela é dos seus últimos trabalhos, mas ainda de uma forma muito autêntica. O que levaram vocês à essa faixa — para deixar de lado a maior parte da influência do rock e mostrar um lado mais dançante que ainda não tínhamos visto do Royal Blood?

MIKE: Foi um resultado de muita exploração. Estávamos procurando por algo diferente e novo porque não queríamos fazer só mais um álbum do Royal Blood. Queríamos fazer algo pra nós, sabe? Queríamos fazer algo que nós realmente amássemos e não apenas algo para agradar pessoas que amaram o que já fizemos antes, porque esse é o motivo errado para se fazer música. Foi muito importante pra nós encontrar algo inédito e, como resultado, exploramos muito e nos perguntamos muito o que realmente queríamos fazer. Você disse que deixamos essa influência de lado, mas pra mim, é como se fôssemos um AC/DC acelerado, mas com teclados e cordas. Deixamos que os riffs fossem mais pesados porque a bateria é mais dançante. Eu acho que “Trouble’s Coming” é uma das canções que iluminaram esse conceito de música disco, que nós sempre amamos e em bandas antes do Royal Blood, nós até mesmo tocávamos. Eu acho até que em “Figure It Out”, nós estávamos quase tocando esse tipo de música, é como se fosse uma versão não desenvolvida dessa. Quando tivemos a ideia de tocar nesses tempos, pra nós foi realmente empolgante. É diferente, mas não existe nada interessante pra nós em continuar sendo o mesmo. Na verdade, eu acho que se você quer fazer a mesma coisa toda vez, você acaba se tornando chato.

TRACKLIST: Promovendo o último álbum, vocês disseram em uma entrevista que o Daft Punk era uma de suas maiores influências para compor e gravar, e acho que agora essa influência soa ainda mais clara aqui, certo?

MIKE: Sim! Eu acho que tem várias influências como essa, mas acho que antes tínhamos um pouco de medo delas serem ouvidas em nossa música. Agora que fizemos dois álbuns, eu acho que sentimos que era a hora de não esconder essas influências de serem ouvidas.

TRACKLIST: É como se você estivesse saindo da sua zona de conforto para o novo álbum?

MIKE: Totalmente, mas eu diria que não nos sentimos desconfortáveis. É como se estivéssemos em nossa primeira banda, gravando nosso álbum de estreia, sabe? É assim que eu me sinto.

TRACKLIST: Falando sobre a discografia de vocês, podemos esperar grandes mudanças como essas para o próximo álbum? Qual direção você sente que vocês estão seguindo para o terceiro disco?

MIKE: O terceiro álbum, pra mim, reúne todas as ideias dos dois primeiros mas meio que levando-as pra frente. Liricamente, eu sinto que essa é a primeira vez que eu me senti vulnerável e a primeira que eu fui realmente honesto sobre o que eu tenho passado. Não tem nenhuma canção sobre amor ou relacionamentos, é como se o álbum fosse uma longa olhada no espelho.

TRACKLIST: Nos outros dois álbuns, a maioria das letras eram sobre relacionamentos e coisas do tipo. Você pode listar alguns dos temas que podemos esperar para as músicas do próximo disco?

MIKE: Ah, sim! É como eu estava dizendo, eu acho que o tema pertinente entre muitas dessas canções é essa ideia de estar perdido nos próprios pensamentos e estar nesse ciclo vicioso em que um sentimento pode tomar conta de você, e quando você o sente, meio que cria essa ilusão de que ele nunca vai acabar. Se eu tivesse que resumir um só tema sobre esse álbum, seria esse.

TRACKLIST: Eu diria que vocês estão tão animados quanto os fãs pra lançá-lo no mundo, não é?

MIKE: Com certeza! Esse é o nosso melhor álbum! Temos muitos motivos para eles estarem animados!

TRACKLIST: Voltando ao início da sua carreira, você e o Ben ficaram conhecidos como “a dupla sem guitarras” e, de repente, tornaram-se “os dois salvadores do rock”, sendo reconhecidos por nomes como Jimmy Page e Dave Grohl e abrindo pra bandas como o Pearl Jam e o Queens of the Stone Age. Indo para o seu terceiro disco depois de quase dez anos na estrada, você acha que vocês se estabeleceram no cenário e abraçaram esse título ou esse status sequer chega a incomodar vocês?

MIKE: Eu não penso sobre títulos ou coisas assim. Era e é incrível ter esse reconhecimento dos nossos ídolos, mas eu não acho que é muito saudável pensar de nós mesmos dessa forma. Pensamos simples e apenas fazemos música que amamos e amamos o que fazemos, e esperamos que outras pessoas também amem.

TRACKLIST: Eu assisti algumas das entrevistas que vocês têm feito nos últimos meses, e eu vi que vocês tem gravado numa espécie de QG! Quão diferente é gravar de casa? Vocês se sentem melhor ou isso os ajuda a se inspirarem mais de alguma forma?

MIKE: Tem sido incrível! Algumas vezes, você sente essa pressão quando se está gravando e você passa o tempo todo tentando fazer com que a música soe tão boa quanto a demo, e uma das melhores coisas em fazer esse álbum é porque ele soa tão bom quanto a demo, porque não tivemos demos! O processo de gravação tem sido como uma vivência constante que continua indo pra frente.

TRACKLIST: Eu imagino que uma das coisas que os artistas mais têm sentido falta nos últimos meses tem sido tocar ao vivo. Como você e o Ben têm lidado com essa distância dos palcos e dos fãs?

MIKE: Eu acho que nos fez se dedicar mais ao processo de gravação, porque não temos que nos preocupar em tocar ao vivo. É claro que sentimos falta, tudo isso teve um efeito devastador na indústria musical, em nossa equipe e nas pessoas que trabalham nessa indústria. Como resultado, estamos apenas tentando encontrar algumas dessas novas formas de aproveitar.

TRACKLIST: Quando tudo isso acabar, podemos esperar o Royal Blood no Brasil e na América do Sul?

MIKE: Claro que sim! No momento em que nos derem luz verde, estaremos aí!

TRACKLIST: Para encerrar a entrevista, você pode deixar uma mensagem para todos os fãs brasileiros e dizer o que eles podem esperar do novo álbum?

MIKE: Claro! Pessoas do Brasil: esse é o melhor álbum que já fizemos! Se você ama “Trouble’s Coming”, você vai amar o álbum. Da última vez, tivemos talvez alguns dos melhores shows que já fizemos. Quando for seguro para voltarmos, preparem-se: seus meninos estarão de volta!

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