19 de maio de 2019 por Giovana Bonfim Escudine.

Na última sexta-feira, 16 de maio, Carly Rae Jepsen fez sua volta com o álbum Dedicated. Teria a cantora “salvado o pop”?

De forma geral, seu terceiro álbum de estúdio traz um pop “limpo”. Sem crossovers com o hip hop, como vem acontecendo no mainstream atual, pegando como exemplo artistas como Billie Eilish.

Não há muitas inovações musicalmente falando. Mas há algo de único, que faz você identificar a maior parte das músicas como pertencentes ao disco. Você não confunde as faixas de “Dedicate” com outras dos discos de Carly.

De diferente mesmo, há o synth pop. Muitos sintetizadores foram utilizados nas batidas. A sua sonoridade tem como claras influências músicas da era disco, anos 1970 e principalmente 1980.

Se tem uma coisa que Carly parece fazer é música do seu jeito, sem se importar se é ou não vendável. “Se colar, colou”. Não é para fazer enorme sucesso, mas entregar um trabalho honesto e de seu jeito à indústria da música. Desta forma, se mantendo fiel ao pop que ela e seus fãs se identificam.

Influências e parcerias

O álbum tem como sua primeira faixa “Julien”. Ela fala sobre um pesadelo e pode facilmente ser identificada como inspirada na era disco dos anos 1970, talvez até lembrando algo do ABBA.

Se formos ainda comparar outra música, pode-se falar de “Want You in My Room”. Certamente é um dos destaques do álbum, com claras inspirações nos anos 1980, lembrando Madonna. Dá até para imaginar um clipe da canção: Carly andando por Nova York enquanto canta, uma coisa também meio Cyndi Lauper.

Falando em Nova York, não podemos esquecer que, por um tempo ,a cantora esteve na Broadway, e talvez essa época a tenha inspirado. O resultado é “Everything He Needs”. Podemos enxergá-la fácil em um musical. Talvez também porque seu refrão foi pego emprestado (com algumas mudanças) de “He Needs Me”, do filme Popeye de 1980.

Jepsen não poderia ter chamado alguém melhor para colaborar em seu álbum como fez em “Feels Right“, com o Electric Guest. O Electric Guest é um duo de indie, que também tem uma pegada de músicas oitentistas. As batidas – produzidas em parte por Asa Taccone, um dos membros – funcionam para ambos na música e se encaixam bem. Ela fala sobre a transição de amigos para o sentimento amoroso de um relacionamento.

A cantora canadense também teve ajuda de Charli XCX na criação do álbum, mas a colaboração das duas não entrou na versão final.

Musicalidade do “Dedicated” é parecida com o “Kiss”

Já a faixa “Too Much” destaca algo importante, o que sempre nos perguntamos: sentimentos à flor da pele são “errados”? Uma música que talvez coubesse também no seu primeiro álbum, o “Kiss”, lançado em 2012.

Pela melodia e produção, “The Sound” é outra música que também poderia estar no “Kiss”. No entanto, as letras são vívidas demais para ele. A canção fala sobre o cansaço de um amor sufocante e certa confusão no meio disso.

Temporalidade e trama

O “Dedicated” aborda acontecimentos diferentes na vida de Carly – nem sempre cronologicamente. Eles são: terminar um relacionamento, se descobrir e se apaixonar novamente. A seguir, falamos mais sobre outras faixas.

 “No Drug Like Me”

A canção fala sobre finalmente conseguir se abrir por completo com quem se está relacionando. “And if you make me feel in love then I’ll blossom for you”. (Se você fizer eu me apaixonar então eu irei me abrir por você)

“Happy Not Knowing”

Quase o ditado de que “o que os olhos não veem, o coração não sente”. Parece falar sobre o início do novo romance. Fala sobre amigos tentando juntar o casal, ambos escondendo sentimentos um do outro.

“I’ll Be Your Girl”

Diferente das que estamos acostumados vindo de Carly. É um pop mais acelerado, com batidas suaves que lembram um pouco ritmos latinos. Sobre o desejo impossível de querer alguém que já está comprometido. “Come to bed, I’ll be your girl(…)/Oh, but you’re living for her/I go crazy, see red when she’s touching you, now”. (Venha para a cama, vou ser sua garota(…)/Ah, mas você está vivendo por ela/fico louca, vejo vermelho quando ela te toca, agora”

“Automatically in Love”

Certamente conta de quando ela começa a se apaixonar. Há a romantização de algo que está no começo. “We got the chemical rush/And now we’re just dreaming/And we could wait for the proof/A little time to adjust/But every morning with you/I wake up just dreaming”. (Nós temos a química/e agora estamos só sonhando/podemos esperar pela prova/um pouco de tempo para nos ajustarmos/mas toda manhã com você/eu acordo sonhando)

“For Sure”

Uma música que é mais dançante e não tem a letra tão significativa. Mas é também sobre o termino e a certeza de que o fim chegou. “I’ve been thinking, we were over/I’ve been thinking, got to know for sure”. (Eu tenho pensado, nós tínhamos terminado/Eu tenho pensado, tive certeza)

“Party For One”

O álbum termina com o single que fez nascer a era “Dedicated”. Uma das músicas mais chicletes e que, mesmo depois de tanta confusão e dramas de acontecimentos, deixa a mensagem interessante. Apesar de tudo, é importante gostar de sua própria companhia.

Em seu terceiro disco, apesar de parecido com os outros dois álbuns, Carly Rae Jepsen está mais madura nas letras. Afinal, agora ela tem 33 anos. Ela deixa claro, mais uma vez, que não vai mudar para agradar, nem para se tornar mais famosa.

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