Review: “Te Amo Lá Fora” da Duda Beat traz sonoridade mais fria

Duda Beat lançou nesta semana o segundo álbum de sua carreira, o “Te Amo Lá Fora”. Vem conferir opiniões e conhecer mais!

Por em 30 de abril de 2021

Na última quarta, Duda Beat lançou seu segundo álbum, o sucessor do “Sinto Muito”: “Te amo Lá Fora”.

Enquanto em “Sinto Muito” Duda trazia muito do brega e forró para as faixas que mesclavam com um dream pop, em “Te Amo Lá Fora” ela se arrisca ainda mais. O conceito da “antena parabólica fincada na lama” do mangue beat continua, utilizando e captando referências de fora, mas sem esquecer de ritmos brasileiros: dessa vez, traz o forró, pisadinha, coco, xote e até mesmo o pagode baiano. Só que de forma mais “fechada”.

“Sinto Muito” tem cara de verão, mais aberto e muito mais jovem, ainda mais por sua estética. “Te Amo Lá Fora”, por mais que traga todos os ritmos brasileiros já citados, tem a sonoridade mais sombria e mais cara de outono. e tristeza na pandemia. Não à toa, ritmos misturados ao já falados são o drill e eletrônico.

Produções e composições

Todas as músicas tem como produtores o duo Lux & Troia, responsáveis por essas misturas de ritmos e sintetizadores. Já as composições, em sua maioria são dos dois com a própria Duda Beat.

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“Tu e Eu” começa com um coco que vai sendo acrescentado a inúmeras camadas de sons que dão toda sua personalidade. Há inclusive a tradicional parte cantada mais baixa junto de palmas, popular nas músicas do gênero. Ela também conta com a participação de Cila do Coco, importante cantora do nordeste.

O álbum não foge das temáticas do primeiro álbum, e tendo tanto essa mistura de gêneros musicais me fez achar bem interessante. É ainda sobre o sofrimento de amores, de relacionamentos intensos, mas rápidos, e toda aquela destruição do fim.

Reflexões

Enquanto pelo nordeste todos esses estilos musicais são populares, é como se Duda Beat fosse a responsável por popularizar a música brega pro jovem cool do sudeste. Ela adapta os ritmos e letras a situações mais comuns fazendo ficar 100% acessível e cair no gosto da gente, ainda mais com toda a estética que traz.

Fico na dúvida se Duda realmente sofreu tanto assim por amor na vida a ponto de escrever tantas músicas boiolinhas ou se a maior parte delas é criada. Eu sinto sinceridade de certa forma em todas as letras, e espero que de fato tudo seja real pois não quero me decepcionar (e se são reais, Duda, eu te amo, me abrace, ainda bem que você achou um amor de verdade).

Destaques

“Nem Um Pouquinho” é certamente um dos pontos altos do álbum. Ela começa com um quê de trap e vai pro pagode baiano. Fiquei surpresa em como o pagode baiano combinou tanto nela e com as outras camadas sonoras adicionadas. Confesso que queria ver mais músicas da Duda com o ritmo, ainda mais cantando sobre amores que te fizeram e/ou te fazem se humilhar. “A gente dançava junto / A gente comia junto / A gente falava tudo / Era tudo junto / Quando eu vi eu fui piada / Você ria e eu chorava / Você só me esnobava /E não deu em nada“. Impossível ter vivido os últimos anos e nunca ter passado por isso. Principalmente se você é uma mulher que se relaciona com homens.

Uma única coisa me incomoda nela: a parte do Trevo. Acho ela ótima, como uma música separada ou talvez em outra colaboração funcionaria, mas forçou um pouco ao tentar encaixar em “Nem Um Pouquinho”.

O reggae em “Te Amo Lá Fora”

Há duas faixas que transitam entre o reggae de uma forma muito bonita: “50 Meninas” e “Decisão de Te Amar”. Não sou uma fã do ritmo, mas, da forma que é colocada em “50 Meninas”, com aspectos quase imperceptíveis do dream pop e de instrumentos de sopro, logo após o barulho de fita rebobinando, dando a entender que o sonho deu tudo errado. ‘Fizemos planos mas você me decepcionou.‘ É uma quebra de expectativa (se não fosse pelo nome da música talvez não daria pra saber).

Finalmente, em “Decisão de Te Amar” as coisas pra Duda Beat dão certo! A música é a cara de produções indie nacionais. Os versos são um pouco mais acelerados e parece uma música de décadas atrás. Eu consigo imaginar ela cantando num daqueles bares chiques com um copo de whisky na mão. Vocês também?

“Meu Coração” e “Tocar Você”

“Meu Coração” é sem dúvidas uma das músicas mais diferenciadas do álbum e da carreira da Duda. Suas músicas costumam ter muitas camadas divertidas de instrumentais, mas nessa, a produção é minimalista. A voz da cantora fica em evidência e mostra todo seu potencial vocal e de composição. De fundo musical, nada muito além que piano e violino. É a cara de alguma trilha de novela ou de um 007, caso ele fosse brasileiro. Incrível. É um som puro.

“Tocar Você” fecha o álbum perfeitamente. Ela abusa dos sintetizadores e é possivelmente a música com mais elementos eletrônicos, que chega a lembrar músicas de ballrooms em certos pontos. Eu, sinceramente, só queria uma festa pra poder dançar ela. Tem cara de fim de festa. Ao mesmo tempo que é dançante, é calma.

Considerações

O segundo disco da pernambucana não deixa de surpreender e é muito bem fechadinho. Arrisca e inova em muitos aspectos, e, não erra em nenhuma letra. Mais uma vez, infelizmente, encaixa bastante na realidade de muitas das nossas vidas amorosas. Triste ser jovem querendo amar em tempos pós modernos/líquidos.

É estranho ao escutar de primeira por estar acostumado com a sonoridade do “Sinto Muito”, mas, conforme você escuta mais vezes, vai entendendo muita coisa e começa a pegar o “por quê” do álbum. A qualidade dele é inegável, mas, confesso que prefiro a maior linearidade do primeiro disco do que como é construído o “Te Amo Lá Fora” com sua pluralidade. Minha opinião hoje. Talvez, em breve, isso mude.

Nota: 8.2/10


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