Luta Contra a LGBTQIA+fobia: 5 nomes Queers na música nacional

Neste Dia Internacional da Lutra Contra a LGBTQIA+fobia, separamos 5 nomes Queers na música nacional

Por em 17 de maio de 2021

Há exatos 31 anos, no dia 17 de maio de 1990, a OMS retirava a homossexualidade da lista de distúrbios mentais da Classificação Internacional de Doenças. Desde então, a data é um lembrete da luta histórica da comunidade Queer contra a discriminação e o preconceito. É inegável que o mundo avançou muito de alguns anos para cá. LGBTQIA+ estão ocupando mais lugares e conquistando cada vez mais direitos, principalmente na música. Cada vez mais artistas Queers se destacam na música nacional, impondo seu lugar em uma país homofóbico.

Até 2019, o Brasil ainda era o país campeão mundial de crimes contra as minorias sexuais, de acordo com o relatório do Grupo Gay da Bahia. Os dados mostram que a cada 26 horas um LGBTQIA+ é morto no Brasil de forma violenta ou suicídio. A situação é ainda pior quando analisamos os números individuais da população trans. Este grupo representa a categoria sexológica mais vulnerável a mortes violentas. Ainda de acordo com o relatório, apenas em 2019, 118 travestis foram vitimas de homicídio ou suicídio no país. A maioria assassinadas enquanto trabalhavam nas ruas.

Apesar do cenário triste que acompanha nosso país, na música nacional, pelo menos, vemos cada vez mais personalidades Queers se destacando. De alguns anos para cá, houve um ascensão de artistas drags dominando as paradas musicais. Pabllo Vittar, Gloria Groove, Aretuza Lovi, Lia Clark, são alguns dos nomes que vêm trilhando o caminho e abrindo espaços para novos artistas queers. A presença dessas cantoras na indústria refletem a luta da comunidade pela ocupação de todos os espaços, sem necessidade de esconder quem são.

Apesar dos nomes já citados de grande destaque, existem outros artistas LGBTQIA+ no cena que merecem atenção. O Tracklist separou uma lista com 5 nomes Queers na música nacional que vêm ganhando cada vez mais espaço na música.

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Foto: Divulgação

5 nomes Queers na música nacional

1- Hiran

Hiran é um jovem rapper do interior da Bahia. Antes de ser descoberto, ele que teve que lutar muito para ser aceito em um meio, muitas vezes, machista e homofóbico como o do rap. Em 2018, o rapper lançou seu primeiro disco “Tem Mana no Rap”. Homem gay, negro e nordestino, Hiran canta a partir de suas vivências e reivindica seu espaço no hip-hop nacional.

O talento do rapper logo chamou a atenção de muita gente na música como BaianaSystem, Glroia Groove, Baco Exu do Blues e Caetano Veloso. Este último, inclusive, decidiu apadrinhar Hiran, escrevendo sobre o rapper, indicando ele e colocando em suas playlists. Além disso, os dois gravaram uma versão da música “Tropicália”, antigo sucesso do veterano da MPB.

Em 2020, Hiran lançou seu segundo álbum, “Galinheiro”. Entre os singles, a faixa “Gosto de Quero Mais”, parceria com Tom Veloso, filho de Caetano. A música é uma mistura de MPB clássica, com rap e algumas batidas de funk. O vídeo, que conta com a presença de Majur, chamou atenção do Veloso pai. “Hiran dançando com Tom, as meninas (com Majur quase escondida entre elas), flash de Matheus, Tom dançando com Hiran. Acaba, dá vontade de ver de novo. Sou baiano. Sou pai de um deles. Fiquei emocionado.”, declarou o cantor em post nas redes sociais.

2- Rico Dalassam

Rico Dalassam é um rapper muito conhecido pela sua colaboração com Pabllo Vittar no hit “Todo Dia”, que dominou o carnaval em 2017. O cantor acabou se envolvendo em uma longa disputa judicial com a drag pelos direitos autorais da canção. Esta briga pública afetou a imagem de Rico, que decidiu tirar um tempo para descansar sua imagem e focar na música.

Em 2020, Rico retornou à cena com o EP “Dolores Dala Guardião do Alívio” e o single “Braile”, ao lado do produtor Dinho Souza. O single venceu a categoria Canção do Ano no Premio Multishow 2020, cujo ganhador é escolhido por um grupo de especialistas do mercado musical. Em 2021, o rapper lançou a versão completa do EP, em um disco de mesmo nome, contendo 11 músicas.

“Dolores Dala Guardião do Alívio” é um álbum sensível e bonito. Nas canções, Rico recai sobre questões como amor, alívio, relacionamento abusivo e relacionamento inter-racial, tudo de uma forma extremamente poética mas sem abandonar abatidas envolventes e dançantes. Ao todo, o álbum contém produção de Mahal Pita, Netto Galdino, Pedrowl, Moisés Guimarães, Dinho Souza, além de Rafa Dias e Chibatinha do Àttoxxaá.

3- Jup do Bairro

Eleita Artista Revelação pelo superjuri do Premio Multishow em 2020, Jup do Bairro é uma das artistas mais criativas e originais na indústria nacional. Seu EP de estreia “Corpo Sem Juízo”, lançado em 2020, coloca em pauta narrativas que envolvem seu corpo. “Nos tornamos mulheres, ou homens. Não nascemos nada. Talvez nem humanos nascemos. Sobre a cultura, ação do tempo, do espaço, história, geografia, psicologia, antropologia, nos tornamos algo”, discorre a cantora em uma das faixas.

O EP contém parcerias de Deize Tigrona, Rico Dalasam, Linn da Quebrada e Mulambo. A parceria com Linn, inclusive, já é antiga. Antes de embarcar em seus projetos solos, Jup integrou por três anos a banda da cantora como backing vocal e performer. Além disso, Jup também colaborou com a criação do álbum “Pajubá” de Linn. As duas cantam juntas na faixa “All You Need is Love”, ao lado de Rico Dalasam.

Apesar de abordar assuntos sérios de forma humorada, como em “O Corre”, o EP também tem seus momentos mais sérios. Na faixa “Luta Por Mim”, por exemplo, Jup do Bairro se une ao rapper Mulambo para falar sobre racismo em uma das faixas mais comoventes do projeto.

4- Urias

Amiga de longa data de Pabllo Vittar e também modelo, Urias vem se destacando na músicas nos últimos tempos. A cantora começou a carreira musical fazendo covers despretensiosos na internet, até que uma dupla de produtores viu seu potencial e decidiu investir na artista. Ao lado de Rodrigo Gorky, Maffalda, Hodari e Zebu, a canotra lançou seu o single “Diaba”, em 2019. A intenção de Urias era lançar algo estranho, diferente do que estava sendo produzido no cenário musical. Para o single, ela imaginou que o Diabo estava vindo a terra incorporado no corpo de uma mulher trans.

O single faz parte do primeiro EP da cantora, autointitulado “Urias”. Com este projeto, Urias traz o som esquisito e diferente que tanto procurava. O EP possui bastante influencia da música eletrônica, como nas faixas “Rasga” e “Frita”, que perfeitamente se encaixariam na set list de uma rave. Mais recentemente, Urias lançou o single “Racha”, misturando referencias do pop, música eletronica e rap. De certa forma, a sonoridade da artista lembra muito cantoras como Charli XCX, sem medo de ousar e adicionar sons “estranhos” em suas músicas.

5- Boombeat

Outro nome queer dominando o cenário do rap atual é Boombeat. A rapper vem se destacando com seu álbum de estreia “Nem Tudo É Close”, lançado em 2020. Assim como outros artistas LGBTQIA+, Boombeat gosta de misturar influências e gêneros para produzir algo original. Sempre muito envolvida com a luta contra a homofobia, a artista também tem a militância como uma das características de suas composições.

O primeiro lançamento foi a faixa “Guerreiros e Guerreiras” em 2018. Foi neste período também que a artista começou a receber notoriedade com o “Quebrada Queer”, primeiro grupo de rap gay do Brasil. O single “Quebrada Queer” já acumula mais de 4 milhões de visualizações no Youtube. Foi a partir daí que Boombeat começou a se destacar e a chamar atenção.

No seu primeiro disco solo “Nem Tudo É Close”, a rapper conta com a participação de outros integrantes do grupo como Harlley e Murillo Zyess, além das cantoras Gloria Groove e Bivolt. Depois disso, ainda lançou um EP com seis faixas remixadas do álbum. Os produtores Zebu, BADSISTA, Noize Men, CyberKills, veronicat e Sanvtto trouxeram uma nova pegada para o projeto. Além disso, Boombeat também colaborou com Pabllo Vittar na versão remix de “Parabéns” lançada pela cantora no “111 DELUXE”.


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