Pose trilha sonora

#SoundTrack: 5 músicas da trilha sonora de Pose que continuam icônicas até hoje

Série que fez história por sua representatividade tem uma trilha sonora que vai fundo na cultura pop dos anos 80 e 90

Por em 19 de julho de 2021

Live, werk, Pose! A série que tem como ponto central a cultura dos ballrooms de Nova York fez história com seu elenco majoritariamente negro e LGBTQIA+. A representatividade da série deixou de ser neglicenciada pelas principais premiações, após o seu encerramento na terceira temporada. Esta semana, Mj Rodriguez, que interpreta a protagonista Blanca Evangelista, se tornou a primeira pessoa trans a ser indicada por um papel principal no Emmy.

Ambientada entre os anos 80 e 90, Pose catalisa os sentimentos e as frustrações de várias gerações ao tratar com responsabilidade sobre temas como o surgimento da epidemia de HIV/Aids e a busca por tratamentos eficazes para a infecção, o preconceito contra a população trans (inclusive, dentro da própria comunidade) e o abandono de LGBTQIA+s ao saírem do armário.

Como a música sempre foi, para além de uma válvula de escape, uma forma de expressão e uma plataforma política, é óbvio que Pose teria uma trilha sonora icônica. Afinal, os figurinos, as coreografias, os troféus e toda a performance e representatividade que as queens merecem. Prepare a sua lace porque a categoria é: hits da trilha sonora de Pose que continuam icônicos até hoje – mesmo tanto tempo depois do lançamento.

Diana Ross, “I’m Coming Out”

Nos anos 1980, a cena underground surgia nas boates e nos bares gays de Nova Iorque. Em uma peregrinação por estes locais em busca do que seria a próxima grande sensação da música, certa vez, Nile Rodgers e Bernard Edwards se depararam com três drag queens vestidas como Diana Ross. De cara, Nile pensou que era como se a cantora estivesse prestes a sair do armário. A ideia para um dos maiores hinos da comunidade LGBTQIA+ surgiu ali mesmo.

“Diana Ross não é gay, então, ela cantar ‘I’m Coming Out’ não foi sobre sair do armário. Mas era como se ela estivesse saindo de um outro tipo de armário”, disse Rodgers em uma entrevista à revista Express Gay News. O lançamento do hit marcava um importante momento na carreira de Diana Ross. Após deixar a Motown Records e se livrar do comando do produtor Berry Gordy, esta era uma das primeiras ações de sua carreira que ela fazia por conta própria. O single fez sucesso em diversas paradas da Billboard e repercutiu mundialmente com sua história sobre libertação.

Madonna, “Vogue”

Outro sucesso que vai na raiz da cena LGBTQIA+ de Nova Iorque, “Vogue” trouxe ao mainstream a dança marcada pelos gestos com as mãos e as poses inspiradas nas principais divas de Hollywood e modelos capas de revistas. Composto por Madonna, o single representa o ponto de vista de Breathless Mahoney, sua personagem no filme Dick Tracy, de 1990, obcecada por bares clandestinos e estrelas de cinema.

O hit ajudou a tornar Madonna uma ícone da comunidade LGBTQIA+, e marca uma espécie de domínio da cultura gay da época nas paradas, nos rádios e na televisão. Na trilha sonora de Pose, o sucesso da canção impulsiona uma esperança de que, finalmente, o mundo se tornaria um lugar mais amigável e próspero para toda a comunidade.

Whitney Houston, “I Wanna Dance with Somebody (Who Loves Me)”

Maior sucesso de Whitney Houston até “I Will Always Love You”, a canção composta por George Merrill e Shannon Rubicam se inspira na solidão de quem deseja muito mais do que ir até uma boate e dançar com alguém, mas quer encontrar a pessoa certa para a dança de uma vida toda. Apesar das dificuldades em estúdio, devido ao fato do produtor Narada Michael Walden acreditar que, nas primeiras demos, estava mais para uma “música de rodeio com Olivia Newton-John cantando.”

O sucesso parece ter esperado 33 anos até se ver em uma cena impactante e inspiradora. Logo no primeiro episódio, o hit embala o teste de Damon em uma escola de dança. Após anos de reclusão por parte da família – em especial, do seu pai homofóbico –, o jovem se vê diante de uma possibilidade que pode mudar a sua vida, e interpreta a canção com uma belíssima coreografia.

Tina Turner, “Private Dancer”

Originalmente prevista como incluída no álbum Love Over Gold, da banda de rock Dire Straits, “Private Dancer” só chegou às mãos de Tina Turner porque Mark Knopfler, o vocalista, achou que a canção não soaria bem com vocais masculinos. Refeita para que a cantora pudesse usar – e mostrar toda sua potência vocal –, o hit deu nome ao seu quinto álbum de estúdio e apareceu nas principais paradas da Billboard.

Com um enredo que foge do comum ao não romantizar a vida de uma stripper, a canção desfigura os homens que frequentam boates e clubes e foca em como as dançarinas gostariam de ter uma vida comum, em família e longe da sexualização. Na série, ela é tema de Angel, que começa a se envolver romanticamente com um de seus clientes – que é casado e tem filhos.

Roxette, “The Look”

Um dos maiores hits do Roxette, “The Look” exalta a beleza de uma mulher à medida em que os vocais vão revelando uma espécie de interesse romântico do vocalista por ela. Apesar de ter surgido despretensiosamente e dos dois primeiros versos não significarem nada específico, já que o duo Per Gessle e Marie Fredriksson não encontraram coisa melhor, se tornou um sucesso estrondoso e levou a expressão “she’s got the look” a um outro patamar.

Comumente usada para se referir a modelos, a expressão cai como uma luva para Angel, que tem um dos principais arcos de evolução da série. Dona de uma beleza ímpar, a personagem busca se encontrar na carreira de modelo e quebrar paradigmas na indústria da moda e da beleza sendo uma mulher trans.


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