24 de março de 2019 por Gabriel Haguiô.

A menos de duas semanas para o Lollapalooza, as expectativas nunca estiveram tão grandes para o festival. Entre os dias 5 e 7 de abril, o Autódromo de Interlagos receberá alguns dos mais importantes nomes da atual indústria musical para uma das grandes celebrações da música em território brasileiro em 2019, com espaço para todas as tribos e multidões.

Diversidade, aliás, não é um problema para o line-up. A programação liderada por Arctic Monkeys, Kings Of Leon e Kendrick Lamar garante espaço para veteranos e revelações de todos os gêneros, partindo dos desdobramentos alternativos de Twenty One Pilots e St. Vincent até a apoteose eletrônica do ODESZA, por exemplo.

Para acalentar os ânimos, o Tracklist listou os dez shows imperdíveis desta edição do Lollapalooza, que deve reservar grandes momentos para serem lembrados por anos na história do festival.

5 DE ABRIL, sexta-feira

ARCTIC MONKEYS
PALCO BUDWEISER, 21:00-22:45

Cinco anos após se apresentar no Brasil e dar início ao que viria a ser o maior hiato de sua carreira, o Arctic Monkeys retorna ao país com o repertório renovado pela meia década longe dos palcos. Reunindo influências das mais diversas esferas da música alternativa, os britânicos prometem mostrar suas inovações sonoras ao Autódromo de Interlagos sem deixar de lado os traços que os popularizaram como um dos maiores fenômenos do rock nos anos 2000.

Muito se comenta sobre o ápice criativo em que se encontram Alex Turner e companhia com o lançamento do último disco do grupo, “Tranquility Base Hotel & Casino”, no ano passado. O trabalho mescla elementos de diversos subgêneros sessentistas do pop, baseando-se na invenção de grandes artistas como David Bowie e até mesmo o mineiro Lô Borges. Apesar de dividir opiniões, o resultado deu vida à algumas das mais inspiradas performances ao vivo do quarteto, como a explosiva “Four Out Of Five” e a melancólica “The Ultracheese”. Sucessos como “Do I Wanna Know?” e “I Bet You Look Good On The Dancefloor”, entretanto, permanecem intactos nos coros do público, que sempre os recebem em plenos pulmões durante as apresentações.

Em quinze anos, o Arctic Monkeys tomou as rédeas da nova geração do rock e, em sua segunda passagem pelo Lollapalooza nacional, conta com uma plateia ávida de fãs e novos ouvintes para apresentar seu legado que só tende a crescer. O grupo sobe ao Palco Budweiser para performar seus clássicos que as próximas décadas definirão como atemporais — um espetáculo sonoro que não se caracteriza como um dos melhores shows da atualidade em vão.

ST. VINCENT
PALCO ADIDAS, 18:20-19:20

Desde que surgiu no meio musical, em um já longínquo 2007, St. Vincent apresentava um perfil distinto de seus contemporâneos. A americana iniciou sua carreira como parte da banda de apoio de Sufjan Stevens e rapidamente estabeleceu suas próprias raízes artísticas, influenciada pelas diferentes experiências que os anos de turnê lhe trouxeram e a permitiram se consolidar como uma das grandes artistas femininas de sua geração.

O forte experimentalismo de suas obras, baseadas em elementos de gêneros diversos como jazz, pop, rock e dance também consagraram Annie Clark entre as principais forças criativas da indústria fonográfica. Seu mais recente trabalho, “MASSEDUCTION”, comprova tal status, sendo um dos discos mais aclamados da música alternativa na década e elevando seu nome para o cenário mainstream com sua sonoridade pegajosa e multifacetada.

St. Vincent é um dos mais nítidos reflexos do invencionismo que se espalhou pelo ramo musical durante o século XXI. Assumindo variados arquétipos e personalidades a cada projeto, a cantora se encontra em um constante processo de reconstrução artística que não a permite se recostar nos saturados padrões que tomam as rádios e os serviços de streaming nos dias de hoje. Em sua segunda passagem pelo Lollapalooza brasileiro, Annie voltará a nos presentear com seu espetáculo performático que, certamente, conquistará os ouvidos de todos os presentes para a testemunhar.

THE 1975
PALCO ONIX, 17:00-18:00

Uma das atrações mais esperadas do Lollapalooza em 2019, o The 1975 já é bem conhecido do público brasileiro. Em sua segunda passagem pelo país, a banda britânica retorna ao festival para a promoção de seu mais novo álbum de estúdio, “A Brief Inquiry Into Online Relationships” — tido por muitos como um dos mais significativos passos de sua carreira até então — e deve voltar a surpreender após ter protagonizado um dos grandes shows de 2017.

O grupo liderado por Matty Healy promete levar ao Palco Onix uma apresentação conduzida por efeitos visuais e hits familiares aos ouvidos, como “Somebody Else” e “Chocolate”, sempre entoados em alto e bom som entre os fãs. A caricatura de seus integrantes, bem como seu amplo repertório, prometem conferir diferentes tons ao show para os fãs mais leais e os entusiastas das grandes bandas alternativas que pelo mundo surgiram durante os últimos anos.

6 DE ABRIL, sábado

KINGS OF LEON
PALCO BUDWEISER, 21:00-23:00

Em meio à leva de bandas que a virada do milênio trouxe ao rock, o Kings Of Leon se tornou um caso à parte. Enquanto muito se comentava sobre a grandeza que nomes como The Strokes, The Killers e Interpol ainda viriam a ter em um futuro próximo, o grupo de Nashville timidamente estabeleceu seu próprio espaço na segunda prateleira sem a mesma atenção comercial imediata de seus contemporâneos. 

Tal panorama mudaria em 2008, com o lançamento do aclamado “Only By The Night”. O meteórico sucesso dos singles “Sex On Fire” e “Use Somebody” catapultaria o grupo entre os grandes representantes da cena alternativa e daria início à transição do rock moderno para os anos 2010, tornando-se duas das maiores canções do gênero. Tamanha repercussão não viria sem seus reveses: os Followill foram amplamente julgados pela perda da identidade de seus projetos antecessores na época e não repetiriam o mesmo desempenho comercial e crítico em seus futuros discos, gerando desavenças entre os fãs mais antigos.

Hoje, o Kings Of Leon é reverenciado como um dos maiores showmakers do meio fonográfico, à frente dos mais populares festivais de música pelo mundo. Já em sua quinta passagem pelo Brasil, a banda promete levar a atmosfera apoteótica de suas apresentações ao Autódromo de Interlagos, efervescendo o público com hits grandiosos e uma marcante presença de palco. Certamente, um dos melhores espetáculos da nova geração do rock.

ODESZA
PALCO ADIDAS, 21:00-22:15

Entre as atrações eletrônicas do Lollapalooza, o ODESZA se sobressai com um dos grandes shows do gênero na atualidade. O duo, formado em 2012 pelos produtores Harrison Mills e Clayton Knight, alcançou notoriedade em meio ao ramo musical com trabalhos tematicamente profundos e destoantes dos hits formulaicos que caracterizavam a EDM na época, criando assim uma identidade própria para suas obras.

Tamanha unidade é perceptível com as preocupações técnicas dos americanos com suas performances. Exclusivamente formadas por músicas originais, as apresentações da dupla seguem uma narrativa autoral, contada por meio das projeções visuais e reedições de suas faixas — que ganham um novo corpo com a presença de instrumentistas no palco. A percussão, por exemplo, intensifica-se com cerca de dez bateristas que acompanham a dupla, além das próprias mixagens realizadas ao vivo.

Com a aclamada turnê de seu último disco, “A Moment Apart”, lançado em 2017, o ODESZA retorna ao Lollapalooza como uma alternativa aos menos interessados pelo Kings Of Leon, que se apresenta no mesmo horário. Porém, aqueles que decidirem dar uma chance ao duo não se arrependerão: trata-se de uma das mais marcantes experiências ao vivo na música, que segue surpreendendo e conquistando novos fãs por todo o mundo.

JORJA SMITH
PALCO ADIDAS, 18:20-19:20

Fruto de uma nova geração de talentos do R&B, Jorja Smith é indubitavelmente uma das artistas mais interessantes a se apresentarem no Lollapalooza em 2019. A cantora, já mencionada por aqui como uma das revelações do festival, tem construído uma respeitosa reputação pela indústria com seus próprios projetos e vínculos com artistas de grande renome no meio, como Kendrick Lamar, Drake e Bruno Mars, firmando-se como uma das mais promissoras vozes da música na atualidade.

A britânica promete agraciar o público brasileiro com os sensíveis testamentos que compõem seu disco de estreia, “Lost & Found”, destrinchando suas próprias experiências e as desigualdades que afomentam os debates sociais. Não apenas os timbres encantadores e a enorme simpatia de Jorja tornam seu show um dos maiores destaques do dia 6 de abril, mas também o maduro perfil de uma artista que, aos 21 anos de idade, já é aludida como “a Lauryn Hill de nossos tempos”. A julgar pelo talento e criatividade, tal afirmação não representa exagero algum.

7 DE ABRIL, domingo

KENDRICK LAMAR
PALCO BUDWEISER, 21:00-22:15

Da cultura de gangues e da violência de Compton, Kendrick Lamar levantou sua voz entre os grandes nomes do rap e, ao longo dos últimos anos, consolidou-se como a mais importante referência do gênero na atualidade. Combinando as diferentes facetas de suas canções com rimas que não hesitam ao ilustrar a realidade afro-americana, o californiano deu início à uma verdadeira revolução no meio ao conquistar uma gigantesca multidão de adoradores (incluindo inúmeros rappers influenciados pelo seu trabalho) e transformar a mensagem do hip-hop no século XXI.

Em sua primeira visita à América Latina, K. Dot também tem muito a dizer ao público do Lollapalooza. O americano vem ao Brasil em meio à fortes tensões políticas e crises sociais, situação que vivenciou em sua cidade-natal durante seu crescimento pessoal e artístico — e assim gerou frutos como “To Pimp A Butterfly” e “Good Kid, m.A.A.d City”, dois discos que acompanham seu amadurecimento entre as dificuldades encaradas pela população negra e pobre nos Estados Unidos. O teor crítico de ambos os trabalhos é facilmente aplicável à nossa realidade, enfatizando ainda mais a importância da internacionalização de seus discursos.

“DAMN.”, último álbum solo lançado pelo rapper, legitimou-o definitivamente como uma das mais simbólicas figuras da história do rap ao transformar os males da fama em uma reflexiva odisseia pessoal. As densas imagens que trama por meio dos versos envolveram o nicho cultural como um todo, conquistando cinco prêmios no Grammy e até mesmo um Pulitzer — o primeiro concedido a um artista popular na história. 

A expectativa é de que a virtuosidade criativa de Kendrick continue influenciando as futuras gerações, trazendo à mesa debates profundos acerca da sociedade e seus indivíduos sem abrir mão de seu valor comercial. Responsável por encerrar o Lollapalooza em 2019, sua apresentação no Palco Budweiser promete ser um claro reflexo de seu perfil artístico: uma performance calorosa, dinâmica e consciente que apenas nomes como Kendrick Lamar conseguem promover.

YEARS & YEARS
PALCO ADIDAS, 21:00-22:15

Uma das atrações mais aguardadas do Lollapalooza, o Years & Years precisou de poucos anos de carreira para se consolidar como um dos nomes de maior destaque da música alternativa na atualidade. Chamando a atenção de público e crítica, os britânicos surgiram entre as revelações desta geração com seu pop eletrônico, dançante e, sobretudo, consciente, como comprovam as temáticas composições de seu álbum de estreia, “Communion”, lançado em 2015.

Atualmente, o trio liderado por Olly Alexander se encontra em um processo de reinvenção que em nada compromete sua qualidade artística. Utilizando-se de diferentes influências do tropical house, o grupo explora as fronteiras entre o sagrado e o herege em seu mais recente trabalho, “Palo Santo”, do qual canções como “If You’re Over Me” e “All For You” ajudaram a renovar suas performances ao vivo ao lado de outros grandes sucessos, a exemplo de “King”, “Shine” e “Desire”.

O Years & Years promete levar ao Palco Adidas a atmosfera enérgica e grandiosa de suas apresentações, dando fim à longa espera dos fãs brasileiros que tanto ansiavam por sua vinda. Em uma noite que dividirão holofotes com Kendrick Lamar, os ingleses oferecem uma segunda opção ao público pop e certamente não decepcionarão novos ouvintes e espectadores mais ávidos.

TWENTY ONE PILOTS
PALCO ONIX, 19:25-20:55

Entre as bandas mais aclamadas pelo público brasileiro, o Twenty One Pilots aproveitou seu hiato para transformar sua imagem de mero coadjuvante na indústria fonográfica em um novo protagonista. Três anos após sua emblemática e aclamada apresentação no Lollapalooza, o duo retorna ao festival entre uma de suas atrações principais — status construído por meio dos recentes êxitos de sua carreira, como a quebra de diversos recordes comerciais e a conquista de Grammy.

Com o repertório renovado pelo lançamento de “Trench”, Tyler Joseph e Josh Dun prometem repetir o show enérgico que por aqui fizeram em 2016, mesclando as faixas de seu último disco com hits clássicos como “Stressed Out”, “Car Radio” e “Heathens”. A presença de palco do grupo, bem como as frequentes interações com a plateia, também devem ajudar a conduzir a adrenalina de suas performances e comandar a atmosfera de um lotado Autódromo de Interlagos.

Como um dos representantes mais bem-sucedidos da música alternativa nos últimos tempos, o Twenty One Pilots carrega um recente, mas não menos grandioso renome para o Lollapalooza. Sempre acompanhados de uma gigantesca base de fãs pelo Brasil, a dupla certamente protagonizará alguns dos momentos de destaque do festival — os quais, quem sabe, haverão de ser lembrados por muitos anos pelos espectadores.

INTERPOL
PALCO ONIX, 17:10-18:10

O Interpol, sem resquícios de dúvida, é uma das bandas mais curiosas trazidas pelo século XXI. Formado em Manhattan em meio à proliferação do rock moderno pela música, o grupo prontamente se destacou entre os nomes da época com instrumentalizações densas e soturnas ao mesmo tempo que enérgicas, responsáveis por prover sucessos como “Evil”, “Obstacle 1”, “Rest My Chemistry” e “All The Rage Back Home” ao longo das últimas duas décadas.

Em sua quarta visita ao Brasil, o trio nova-iorquino traz na bagagem as novidades de seu mais recente álbum de estúdio, “Marauder”, lançado no ano passado. Apesar de suas canções transmitirem um tom sério e por vezes insensível, os shows são conduzidos não apenas pelas inspiradas performances de Paul Banks e companhia, mas também pela simpatia que os integrantes se apresentam ao público, reforçando a atmosfera grandiosa que promete tomar o Palco Onix.

Para qualquer um interessado em espetáculos monumentais e, acima de tudo, um som de inquestionável qualidade, o Interpol é uma atração obrigatória. Com um repertório sólido e adequado para qualquer palco ou festival, os americanos vêm ao Lollapalooza com uma das melhores performances ao vivo do rock atual — um posto que ainda deve ocupar por bastante tempo.

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