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O capixaba Lúcio Silva ( ou simplesmente SILVA) tem 28 anos e já lançou quatro discos de estúdio: “Claridão” (2012), “Vista Pro Mar” (2014), “Júpiter” (2015) e agora, o mais novo, “Silva Canta Marisa”, resultado de um mergulho do artista junto à obra de Marisa Monte, ao lado da própria.

No álbum novo, ainda sobrou espaço para a inédita “Noturna (Nada de Novo na Noite)”, em parceria da artista.

Na última semana, tive o prazer de entrevistar SILVA.  Bastante receptivo, ele respondeu questões que envolvem o novo trabalho, turnê e até questões mais pessoais. Confira: 

Gostaria de saber como surgiu a ideia de gravar o disco com Marisa…

Eu participei do programa Versões… e eu fiz várias canções dela, inclusive uma que não está no disco. Ela viu, gostou e entrou em contato… Eu fui na casa dela, no Rio, pra compormos juntos. Na hora de ver o título, eu perguntei se seria “Silva canta Marisa” ou “Silva canta Marisa Monte”, ela preferiu “Silva canta Marisa”. Falou que era algo mais pessoal, porque já éramos amigos e não havia necessidade.

Em entrevista recente, você se descreveu como preguiçoso, enquanto Marisa seria workaholic… Mas, vejo isso como contradição porque, na verdade, esse é o seu quarto álbum em quatro anos…

Na verdade, eu digo isso porque me cobro muito, principalmente na hora de compor o disco. Não me referia às apresentações…

O que você e Marisa têm em comum?

Nossa, nós temos tanta coisa em comum… Pra começar, nós dois somos cancerianos, sempre brinco com isso. Acho que a questão de ficar ligada mais na música, por exemplo, porque ambos nos importamos mais com a questão da música, não tanto de falar de nossa vida pessoal… Nós temos uma formação musical parecida.Tivemos uma educação formal, ela estudou canto lírico e eu me formei em violino.

5. Você se descreve como “tímido”, mas acha que ouve uma evolução pessoal nesse sentido? 
Não me acho tímido, porém já fui! Sou reservado, não muito efusivo e talvez isso se confunda. Timidez é ter medo das pessoas e no começo da minha carreira posso dizer que eu tinha esse medo. Hoje eu encaro o público com muito prazer. Amo demais o meu trabalho. Claro que eu não sou como a Ivete nos palcos, ainda mais porque é um tipo diferente de show.

Se você fosse escolher uma canção da Marisa que tem mais a ver com você, qual escolheria?

“Infinito Particular” é uma música que me identifico do início ao fim.

Quem escolheu as músicas para gravar, você ou a Marisa? 

Fui eu que escolhi, vi as canções que mais combinavam comigo.

 Como foi colaborar com Marisa em Noturna (Nada De Novo Na Noite)? 
Foi ótimo, Marisa é muito generosa e inspiradora. Foi leve e divertido desde o momento da composição até a hora de gravar em estúdio. Do jeito que a música tinha que ser.

Em algum momento se sentiu pressionado?

Sim, com certeza. Ainda mais a Marisa que tem uma fã base bem grande, né?

Você pensou: o que será que eles vão achar?

Sim, foi exatamente isso. Mas, ainda bem que a recepção do álbum foi boa, as pessoas continuam me tuitando.

Você pretende sair em turnê com a Marisa pra divulgar?

Sim, eu gostaria muito. Vou sair em turnê agora no dia  17 em São Paulo, no Sesc Pompéia, mas nessa época ela tá fazendo shows na Europa… Mas, gostaria de fazer um show com ela sim, talvez no Rio que é a casa dela isso aconteça.

Voltando um pouco pra Júpiter, você sente ainda essa vontade de ir embora do país, deixando o conservadorismo pra trás?

Bastante, no álbum eu nem falo especificamente de “país”, mas coloco o mundo todo nesse bolo. A gente tem uma situação em que o Trump foi eleito, que eu pensei que não aconteceria. Não é só aqui… Acho que as pessoas estão ligadas em questões muito pequenas, sabe? Racismo, homofobia… A gente vê muito isso à nossa volta, acho que você também como jornalista também deve vivenciar isso de perto… O fato de termos que lidar com racismo e outros tipos de preconceito em 2016 é algo muito atrasado e frustrante.

Quando você ouve algum preconceito, qual a sua reação?

Eu tento falar muitas vezes. Mas, há questões que eu não posso… Como racismo, por exemplo. Só um negro pode falar o que é sofrer racismo. Tenho muitos amigos que sofrem isso de perto.

Você é de uma família conservadora… Qual a reação deles ao ver o clipe “Feliz e Ponto”? Eles falaram: “meu filho está fazendo vídeo sobre sexo com duas pessoas”, como foi isso?

Foi um choque de início, mas eles já superaram. Hoje tá tudo bem. Acho que eu precisava sair do armário na época… detesto esse termo, mas foi isso.

Onde você mora hoje?

Moro com meus pais em Vitória. Na verdade, continuo mais aqui por conta da minha vó, que já está bem idosa tenho muito carinho por ela.

O que você anda ouvindo ultimamente?

Tenho ouvido muitas coisas antigas, de música brasileira e jazz. Bill Evans, João Donato e Hyldon. Não tô ouvindo muitas canções moderninhas, acho que tô nessa fase dos clássicos (risos).

Quais artistas você gostaria de colaborar e quem você recomenda do cenário musical brasileiro atual?

Ah, muitos. João Donato, Caetano, Ludmilla. Do cenário musical atual eu recomendo o Cícero, que muita gente já conhece, mas não custa falar.
** Neste momento, a entrevista chegou ao fim. Então, me despedi de Lúcio e agradeci pela simpatia e pelo tempo concedido ao Tracklist. Também disse que, em nova oportunidade, retomaria o contato. **

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