Entrevista: OUTROEU se aventura no pop com “Preciso Dizer”

Batemos um papo com Mike e Guto para saber mais sobre o novo single, parcerias de composição, mudança de sonoridade e muito mais!

Por em 10 de abril de 2021

Enquanto ainda não conseguimos parar de ouvir o álbum que a dupla lançou no final do ano passado, Mike e Guto surpreenderam os fãs no início dessa semana com o anúncio de lançamento da nova música, “Preciso Dizer”.

“Preciso Dizer” deixa de lado as produções realizadas com banda e aposta na união do orgânico com o eletrônico, descoberto neste momento de pandemia pela dupla. O single foi lançado na última quinta-feira, 8 de abril.

O clipe, dirigido por Ygor de Oliveira, traz o alto astral característico da OUTROEU e chegou ao YouTube logo no dia seguinte. Confira:

“Essa música, a gente compôs com o Pablo Bispo, Arthur Marques e o Alex Favilla aqui em casa. Foi nossa primeira vez compondo em grupo assim, já havíamos composto junto ao Arthur, mas foi nossa estreia com o Pablo. É muito massa compor com essa galera responsável por grandes hits do pop, ficamos muito felizes de fazer música com eles”, conta Mike.

‘Preciso Dizer’ veio muito da nossa vontade de lançar uma música do jeito que a gente tava fazendo em casa. Começamos a compor mais, produzir mais, fazer beat, programando, usando esse software do live e a gente queria muito colocar isso para frente. Foi quando chamamos o Alex para produzir junto com a gente esse single e nosso próximo EP, e ele já trouxe a base pronta, compusemos em cima disso e gravamos alguns instrumentos”, relembra Guto.

O Tracklist bateu um papo com Mike e Guto para entender melhor sobre o novo single e as parcerias de composição, a mudança de sonoridade, o ritmo de lançamentos mais acelerado e o futuro da dupla.

Entrevista com o duo OUTROEU

Tracklist: Vocês lançaram um álbum há relativamente pouco tempo, né? Vocês costumavam demorar mais entre um lançamento e outro. Vocês lançaram 12 músicas e agora estão lançando outra… como que está sendo manter esse ritmo de lançamento?

Guto: Então, Victor, como é que tá sendo esse ritmo? (risos) Eu que te pergunto, Victor

Não, então, cara… eu vou ser sincero. Assim, eu acho que a gente aproveitou esse momento da pandemia, que é um momento que a gente tá sem shows, para tentar dar uma continuidade, sabe? De estar lançando coisas boas, essa música, então, que tem uma mensagem positiva, sabe? Tem uma coisa legal, um pouco mais pra cima, a gente quis já soltar também… e nada impede da gente continuar também trabalhando, falando do álbum, sabe? Que saiu em dezembro…

Mas é uma coisa que eu acho que o cenário do momento atual fez a gente soltar um pouco mais rápido, sabe? E, como a gente nunca tinha feito isso… e na indústria tem muita gente que já tem esse costume, né? De estar lançando mais rápido, a gente quis dar uma experimentada e aproveitar também essa coisa. Pra gente é novo demais, mas a gente tá super feliz com esse lançamento. E é engraçada essa pergunta porque pra gente também foi meio assim, porque a gente realmente tende a demorar um pouco, né? Acho que do primeiro álbum pro [EP] “Encaixe” foram quase dois anos, né? Se não me engano. Então, é novo pra gente, e por isso que eu ri no começo da pergunta!

Mike: É, a gente tá se adaptando também, né? Aos poucos a essa coisa… porque é um outro ritmo de tudo e, enfim… mas tá massa! O trabalho, inclusive, deu uma segurada na cabeça da gente. A gente sempre fala isso, mas é… ano passado a gente trabalhou pra caraca, um monte de lançamento, um monte de coisa…

Guto: E eu acho que foi o que rolou pra gente que não deixou a peteca dar uma caída, né? Porque o trabalho segurou a gente pra caramba… foi meio tenso.

Ah, e deu tudo certo, né? O álbum que vocês lançaram é lindo e eu tenho certeza que os fãs estão amando esses lançamentos assim… que ninguém esperava e tá quase Taylor Swift agora!

Guto: Pode crer!

Mike: E a gente inverteu esse último lançamento do álbum… a gente picou tudo, né? Ele era pra sair inteiro, né? A gente fez o contrário. A gente foi lançando, lançando ele quase inteiro, lançamos 5 singles antes do álbum. E aí lançamos o álbum, e tá lá!

Guto: Eu acho que foi por isso que também a gente soltou mais rápido! Porque a gente conseguiu fragmentar durante o ano de 2020, né? “Pra Vida Inteira”, “Se Perder”, “Oceana”, “O Mantra”… depois veio o álbum já com “Dança”. Então, acho que se você parar pra pensar que nem todo mundo consegue divulgar cinco músicas de um álbum de dez, onze… acho que a gente conseguiu dar uma trabalhada legal, sabe? Então acho que foi por isso também que a gente teve essa vontade de soltar essa música agora meio de surpresa.

Vocês já estavam pensando nisso quando vocês lançaram o álbum ou isso veio recentemente?

Guto: Cara, a gente tava pensando sim… a gente foi trabalhando, né? Aí quando viu que ficou pronta a gente meio que curtiu, sabe? A gente falou “Pô, essa música tá maneira!”, sabe?

Que massa! E até falando sobre a mudança de sonoridade… eu, sendo muito fã das músicas antigas, do folk… a mudança sonora me surpreendeu muito positivamente. Eu vejo muitos artistas mudarem a sonoridade e às vezes eu não gosto, mas ouvi muito de boa e gostei muito, sabe? Eu acho muito difícil um artista conseguir mudar tanto e ainda conseguir manter sua identidade e entregar um trabalho com uma qualidade muito boa, sabe? Então, eu achei isso muito legal… da primeira vez que eu ouvi, eu já ouvi muito animado e os cinco primeiros segundos da música já me ganharam, sabe? Então, foi incrível! E como foi pra vocês essa mudança?

Mike: Ah, é difícil um pouco… difícil, sendo muito sincero. Ao mesmo tempo que é natural, a gente sempre bota na nossa cabeça de fazer as coisas de um jeito natural, sabe? Se não for natural da gente fazer alguma coisa, a gente prefere não fazer, prefere cortar, voltar do início e refazer o rolê inteiro. Mas a gente já vinha naturalmente… “Oceana” ali, né? “Dança”… a gente tava até brincando na outra entrevista que era 30% beat e agora tá tipo 60… 70%.

Guto: É! “Oceana” era 30% beat e 70% orgânico. E agora tá 60% beat e 40% orgânico. (risos)

Mike: Então nesse sentido é meio que natural, mas ao mesmo tempo foi meio que um quebra-cabeças na nossa cabeça, sabe? De ficar meio pirado e falar “caraca, e aí? vamo?” e testar muitas coisas… e ficar meio ansioso com isso. Mas rola, é parte do processo também. A gente tá animado, cara! Eu tô animado!

Guto: É bom pra sair um pouco da zona de conforto, né? Porque dá essa dorzinha assim, mas ao mesmo tempo eu acho que o artista tem que experimentar e fazer o que ele tá sentindo, fazer o que ele tá experimentando em casa, sabe? Botar pra fora, então acho que a gente tá feliz com isso. Mesmo que ainda seja um pouco novo, eu acho que tá sendo importante.

E fica claro mesmo… “Oceana”, “Dança”, e agora “Preciso Dizer”, né? E vocês já falaram algumas vezes que vocês sempre se experimentam muito nos EPs. Então vocês veem isso agora como uma fase experimental ou como um possível futuro da OUTROEU? 

Mike: Não sei se é um possível futuro, mano… tamo experimentando, entendeu? (risos)

É uma fase!

Mike: É! Eu não sei também… eu acho que pode migrar e a gente aprender alguma coisa com isso e fazer um negócio legal, entendeu? Diferente, mas com esse aprendizado, né? Então a gente tá “indo vendo”… indo, indo e iu! (risos)

Guto: É um estudo, né cara? Eu acho que acaba sendo um estudo essa experimentação toda. Eu até falei anteriormente na outra entrevista que eu acho que é uma coisa que a gente não quer se prender, sabe? Então a gente tá aí pra experimentar, pra fazer o que a gente tá sentindo… botar pra fora o que tá saindo da gente, que a gente esteja curtindo naturalmente como ele falou também, sabe? Quando a gente sente que é natural, a gente bota pra fora. Então, é uma coisa que eu acho que realmente a gente não tem uma certeza se vai ser esse o futuro, mas eu acredito que possa ser talvez um pouco da mistura do todo, sabe? É uma coisa de evolução! A gente vai ouvindo o que é novo e vai usando conforme se identifica com a gente, sabe?

Vai acrescentando, né?

Guto: É! Acho que é um pouco disso.

A música tem inspiração de coisas que vocês têm ouvido recentemente?

Guto: Sim, cara! Pra caramba, né? Porque acho que o que a gente mais ouviu e assistiu foi coisa positiva nesse último ano, né? A gente tentou ficar ouvindo coisas que realmente davam aquela sensação de bem-estar, né? E aí, meio que foi isso…

Mike: É, a gente tava ouvindo bastante Surfaces, Rex Orange [County]… Ah, eu sempre curti muito R&B, então, essa coisa do Daniel Caesar, voltou muito tudo… os acordes com sétima bonitão… A gente tava ouvindo muito, aí rolou uns resgates assim… Sugar Ray… acho que a gente tava ouvindo essas coisas e influenciaram.

Guto: Muita coisa também aqui do Brasil, né? Como o som dos Gilsons, com Lagum, Jovem Dionisio… que são conhecidos e amigos da gente que a gente também admira, né? Então acho que é um pouco de tudo, vai influenciando… você vai ouvindo ali e quando vê você já tá fazendo também. Eu acho isso massa!

Uma outra coisa que eu sempre presto bastante atenção é o visual, né? A estética… E vocês acertaram em cheio na identidade visual! O único adjetivo que eu consigo atribuir é, sei lá… impecável! Tem um contraste ali do azul com o rosa e uma coisa bem… no clipe, mesmo, parece que tem muita presença do sol, sabe? Dá uma vibe muito boa! Então, como vocês fazem essa construção visual?

Mike: Cara, esse clipe a gente foi muito no olho! A gente conversou com o Ygor, que é o parceiro que fez “Se Perder”, alguns clipes da gente, assim… e aí a gente alugou uma casa de uma senhorinha e fomos pra casa. E ela ficava num quarto lá em cima e a gente tinha umas ideias mais ou menos de roteiro e a gente queria fazer uma coisa muito relax assim, tipo…

Guto: Bem caseira, né? Tipo, fazendo um som em casa, numa vibe boa, sabe? Acabou que é meio uma quarentena assim mesmo, sabe? Você tá ali na casa curtindo a vibe, né, que tá sendo feita.

Mike: É! Um amigo meu falou desse termo… é “low-energy” que ele falou, eu achei maneiro. Ele falou “Pô, Rex Orange [County] é meio low-energy” e é isso mesmo, ele não gasta energia pra nada, sabe? (risos) Ele fica quieto, na dele, e aí ele gasta pra fazer as músicas e é isso. E tá vindo muito forte essa coisa meio low-energy e falei “cara, a gente tinha que fazer um clipe meio nessa vibe assim de boa em casa”, igual foi, a gente em casa porque a pandemia é essa coisa mais contida mesmo… tá todo mundo na boa e relax, e fizemos lá na casa que a gente alugou. E até apareceram os cachorrinhos da moça e tal… e ela aparecia lá da janela, perguntou o nome da gente e a gente falou, e aí ela falou “Nossa! Mas vocês tem muitas visualizações, né?” (risos). Aí eu falei “Pô, valeu!” e ela “Mas são muitas mesmo… são milhões!” (risos) Ela ficou assim… muito engraçado! Muito massa esse dia!

Guto: Mas, cara, foi muito maneiro porque a gente foi deixando muito rolar, sabe? A gente chegou lá de manhã e saiu antes do final da tarde. Porque, por exemplo, a estética tem muito a presença tem muito a presença do sol, mas era um dia que tava marcado pra chover… e não choveu! E aí foi muito doido porque a gente tava numa cena lá gravando na sala e aí daqui a pouco abriu um sol muito forte, porque tinha fechado… a gente falou “Cara, vamo lá fazer a cena das nuvens!”. E a gente foi correndo lá pra fora fazer, sabe? E foi uma cena que a gente nem tinha trocado antes ideia, sabe? Então foi uma cena que meio que surgiu ali: “Caraca! Saiu o sol! Como a gente vai fazer isso?” e aí foi o Ygorse tacou no chão com a câmera e ficou filmando a gente… a gente tipo brincando assim… e acabou fluindo. Foi tudo muito fluido, sabe? Foi muito na troca ali de sentir o que a casa também tava entregando pra gente dessa low-energy, né?

Mike: É… o plano sequência dos cachorrinhos, né? Faz carinho no cachorro, toca guitarra, pega o negócio, frita o ovo… (risos)

Guto: (Risos) Dá uma dançada e acaba a cena!

E dá pra ver… na cena das nuvens dá pra ver que tem um momento que tem poucas nuvens, outro momento que tem muitas nuvens… tá bem inconstante.

Guto: Exatamente! Foi muito massa, cara!

Mike: Nesse clipe a gente se planejou pra improvisar! Foi isso!

Guto: É, porque quando você tem na cabeça a ideia do clipe, acho que fica mais fácil. Porque você vê, tipo… é dentro da casa, é usar o que tem, com os melhores takes e luzes possíveis, então a gente só foi curtindo, sabe? Foi bem massa!

Massa! E ficou bem divertido pra assistir, também, né, o resultado…

Guto: Cara! Vou te falar que eu também curti! Esse final de semana eu assisti ele umas três vezes com a galera aqui em casa e eu achei massa porque ele é divertido… tu vai olhando e vendo os takes… eu achei maneiro! Tô curtindo pra caramba!

Que massa! Eu estava lendo o release de imprensa e eu vi que o Guto comentou que, por vocês estarem escrevendo isso em casa, compondo em casa… vocês escolheram essa música como “a primeira a sair”… isso quer dizer que a gente pode esperar mais músicas em breve? Mesmo estilo? Como que vai ser isso aí?

Guto: Cara, a gente não tem um plano… a gente tem vontade. As músicas estão saindo, mas se a gente vai sair com elas a gente ainda não sabe. Mas a vontade existe, e a gente vai soltar essa, vai curtir ela e vamo ver… Mas tem saído coisas, sabe? A gente tá aproveitando pra se divertir, sabe? Pra trabalhar e se ocupar criando, sabe? Enquanto a gente espera a vacina! (risos)

(Risos) Espero que venha o quanto antes!

Guto: Sim! Por favor!

Mais uma coisa que eu queria falar… sobre as composições: vocês já tinham trabalhado com o Arthur Marques antes em “Canção de Amor” e “Se Perder”… e agora a gente tem o Alex e o Pablo de novos, né? Que inclusive já trabalhou com a Pabllo [Vittar], com a Anitta, com a IZA… isso é muito massa! Como que aconteceu essa reunião?

Guto: Cara, foi muito doido! Porque o Arthurzinho ficou nosso brother, né? Nosso irmãozinho mega querido, muito carinhoso com a gente, atencioso… 

Mike: Veio através do Pedro [Calais], né? O Arthur.

Guto: É, aí veio através do Pedro… lá em 2019, o Pedro chamou a gente pra compor e o Arthur tava, a gente se conheceu e aí a gente começou a fazer coisa… E depois fomos eu, Arthur e Mike pra casa do Mike mais a Ana Gabriela e fizemos aquelas duas.

E agora, nesse lance de quarentena… eu sou muito fã do Pablo Bispo, né, por causa das composições, das coisas que ele fez que eu acho demais… e aí também vi que ele produziu algumas coisas que eu curti, como o álbum do Fran, sabe? O álbum do BRAZA, também… e aí eu fui curtir alguma parada dele no Instagram e comentei assim “Caraca! Tu fez essa também!” porque, pô, toda hora ele faz uma música muito estourada aí do pop. E aí ele já me chamou no direct [no Instagram] e falou assim “Caraca, mano! Tô pra falar uma parada contigo há mó tempão”, e a gente nunca tinha trocado ideia. E ele foi e falou, cara, que em 2016 ele morou em Nova Iguaçu e foi exatamente quando uma música dele começou a virar… que foi a música “Essa Mina É Louca” da Anitta… de 2015 pra 2016. E aí ele falou que ficava ouvindo muito nossa música, pegando trem… ouvindo “Zade”, ouvindo “Coisa de Casa”, “Dona Cila”… E aí ele falou que viu um outdoor da gente que tinha aqui na cidade, aqui em Nova Iguaçu, porque na época a gente fez um show aqui e falou assim “Pô, um dia vou compor com esses caras!”.

Ele veio contando isso pra mim e eu falei pro Mike: “Mano, olha que doideira essa história aqui, cara!”. Tipo, um mundo muito pequeno… E aí, nisso, ele falou “Pô, quero muito fazer música com vocês, eu tô desde 2016 falando que um dia eu ia trabalhar com vocês… bora se encontrar, bora fazer um som!”. E aí eu já vi que ele era amigo do Arthur, né, porque eles já tinham feito várias músicas juntos e eu falei “Cara, vamo marcar um encontro, vamo compor” e aí a gente se encontrou e fez a “Preciso Dizer” e foi meio que isso… através dessa coincidência muito doida, né?

Muito massa!

Caras… nosso tempo aqui acabou! Então…

Guto: Que isso, cara?!

Obrigado pelo tempo e atenção! É… muito pouco, né? Da próxima vez a gente faz mais! (risos)

Guto: Pô, fechou! A gente já tá acostumado!

Um abraço! Muito sucesso pra vocês!

Guto: Valeu, Victor! Até mais!

Mike: Valeu! Obrigado! Beijo!

Guto: Valeu galera do Tracklist!


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