4 de abril de 2019 por Redação Tracklist.

Por Luciana Lino e Victor Wulfric

Os britânicos dos Arctic Monkeys não começaram a noite na Jeunesse Arena, no Rio de Janeiro, tão britânicos assim. Marcado para entrarem no palco às 21h, a banda começou a tocar os primeiros riffs de “Do I Wanna Know?”, música de abertura, às 21h30. O atraso gerou uma certa impaciência nos fãs cariocas, mas, quando olharam o grupo entrar no palco, perdoaram o fato e se entregaram ao momento.

Geralmente, os artistas guardam a cereja do bolo ao final do show. “Do I Wanna Know?” é, indiscutivelmente, a música mais conhecida do grupo – compete com “Fluorescent  Adolescent”, que não entrou no set, e talvez com ‘R U Mine” e “505”, das quais falaremos mais adiante -, e na turnê do álbum “Tranquility Base Hotel & Casino”, é com ela que a noite começa.

Não fizeram feio. O público cantou cada sílaba em coro, embalados pela emoção de rever a banda após pouco mais de quatro anos desde a última visita. Em seguida, a ótima “Brianstorm” agitou ainda mais a arena, com seu ritmo extremamente fervoroso. “Snap Out Of It” completou a tríade de canções entoadas ao máximo, e, a partir daí, a apresentação mesclou entre momentos de euforia com momentos de contemplação.

Foto: Luciana Lino

A contemplação, por exemplo, veio em seguida, com “Don’t Sit Down ‘Cause I’ve Moved Your Chair” e “One Point Perspective”, atingindo a euforia novamente com a clássica “I Bet You Look Good on the Dancefloor”. “Library Pictures”, “Knee Socks” e “The Ultracheese” acalmaram o público, inclusive rendendo, nesta última, a tradicional “chuva” de lanternas de celulares ligadas.

As anteriores não foram as únicas que despertaram a nostalgia nos fãs da banda de Sheffield: aos primeiros acordes de “Teddy Picker” e “Dancing Shoes”, o público já estava entregue e nas mãos do vocalista Alex Turner. As canções, que têm apenas um ano de diferença entre seus lançamentos, fizeram com que todos se entregassem ao coletivo de dança e alegria que foi um dos últimos shows da turnê da Arctic Monkeys.

Teddy Picker no Rio de Janeiro! 😍💫
📆 03.04.2019
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Quando os meninos mostraram indícios de uma das mais esperadas da noite, “Why’d You Only Call Me When You’re High?”, foi levantado um belo coro de vozes que permaneceu até o fim da música. Apesar de não termos visto apresentações de interlúdios visuais na performance, rolou muito solo de instrumentos, comandados pela banda e também pelo próprio vocalista. Logo após “Cornerstone”, a bela e emotiva “505” – como dito anteriormente, uma das mais famosas do grupo – ecoou na arena, causando comoção. Ao fim, a faixa contou com “The Jam of Boston”, instrumental bem conhecido pelos fãs e usado sempre pela banda para abaixar os ares após a apresentação da canção.

A banda fez uma viagem utópica para seu hotel lunar com “Tranquility Base Hotel & Casino”, que foi intercalada com favoritas de fãs, como “Crying Lightning” e “Pretty Visitors”. A adoração do público ficou visível nos momentos mais calmos do show, quando Alex se sentava para tocar em seu teclado conceituado com o tema gráfico do último álbum da banda, que comanda e dá nome à turnê.

Foto: Luciana Lino/Tracklist

Os adeus ficaram por conta de “Four Out Of Five”, que encerrou o set do grupo antes do bis. Já eram audíveis os comentários do público de que o show teria sido rápido demais e, de fato, foram retiradas da setlist músicas fixas (agora já-não-tão-mais) como “Science Fiction” e “Fireside”. Equilibradas foram, porém, pelas já citadas “The Ultracheese” e “Knee Socks”, não tão usuais nesta turnê.

Na escuridão da arena, pós tchauzinhos e aplausos de total aclamação, foi posicionado um cubo gigante e que mais tarde descobriríamos luminoso, para a apresentação da primeira canção de encore: “Star Treatment”. Todos assistiam, embasbacados, o elemento estrutural que a banda fez questão de trazer para a América do Sul, assim como todo o cenário de palco completo da turnê.

Outro ponto magnífico aconteceu após a segunda música bis: o grande e conhecido letreiro luminoso escrito “MONKEYS” foi erguido na frente da cortina do palco, e o público correu para tirar a foto perfeita da marca registrada da mais recente turnê da banda. A “pesada” de rock “Arabella” fez a galera toda suar e deixar para trás qualquer preocupação e então, aos agradecimentos e clamas de público incrível, a banda iniciou sua última música da noite, “R U Mine?”, bastante entoada e aplaudida.

Não tiveram surpresas ou firulas durante a apresentação. Não tão próximos ao público, mas simpáticos, o Arctic Monkeys entregou um show redondo e mostrou novamente que sabe para o que veio, e que toda a espera valeu a pena. Fãs – alguns deles que acamparam desde a tarde do dia anterior ao show – saíram aos prantos da apresentação, querendo mais um gostinho do que os britânicos proporcionaram – apesar de que, alguns deles, não se simpatizaram muito com o último álbum da banda. Temos certeza de que o show não será esquecido para quem estava naquela agitada e incansável arena, e a dose será repetida na noite de amanhã (5), no Lollapalooza Brasil – muito provavelmente, com o mesmo setlist.

Setlist dos Arctic Monkeys na Jeunesse Arena, Rio de Janeiro, Brasil! 💫
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