26 de janeiro de 2018 por Luciana Lino.

Com muita energia misturada ao je ne sais quoi cool de qualquer francês, a banda de rock alternativo Phoenix chegou ao Brasil para uma série de shows: no Rio, em Belo Horizonte – para o Planeta Brasil 2018 -, em Curitiba e no Rio Grande do Sul, para o Planeta Atlântida. Não deu nem tempo de sentir muitas saudades; eles estiveram no Popload Festival, em São Paulo, em novembro passado. O vocalista Thomas Mars, o baixista Deck D’Arcy e os guitarristas Christian Mazzalai e Laurent Brancowitz começaram sua quinta visita ao país com seu primeiro show no Rio de Janeiro, graças à iniciativa do Queremos! em parceria com a Heineken, no Circo Voador, casa de shows na Lapa, centro da cidade. Não faltaram elogios por parte da banda à Cidade Maravilhosa, cujo público retribuiu às alturas – afinal, como o próprio Thomas disse no início e no fim do show, “obrigado por esperarem 18 anos” (a banda foi fundada em 1999). De fato: os ingressos para a apresentação carioca se esgotaram, tamanha era a ansiedade em ver os franceses ao vivo por aqui.

Em turnê pelo álbum “Ti Amo”, de 2017, o quarteto começou a noite com um pouco mais de uma hora de atraso. Devido a um problema técnico no replicador do Phoenix, os portões foram abertos às 23h – duas horas antes do previsto. A confusão deixou os fãs indignados de início, mas a banda conseguiu acalmar os ânimos suficientemente quando pisou no palco e trouxe uma sequência arrebatadora.

Foto: Tuiki Borges/Midiorama

A noite começou animada com “J-Boy”, primeira faixa de “Ti Amo”. Seguiu com as antigas “Lasso” e “Entertainment”, até chegar a um pequeno discurso de Thomas, que agradeceu a longa espera dos cariocas. Eis que a música mais famosa do grupo, “Lisztomania”, ecoou no Circo Voador – e aí, meu amigo, não teve um que ficou parado. Espero que dizer que o primeiro refrão foi entoado a capela pelo público transmita um pouco da energia do que realmente rolou naquele momento. Talvez este vídeo, publicado pelo Queremos em seu Facebook, explique melhor que eu:

Com pouco papo, mas com muita desenvoltura no palco, o Phoenix seguiu a noite com músicas como “Trying To Be Cool”, e mesclou faixas menos conhecidas como “Lovelife” com mais populares, como “Rome”. Mesmo com pouca conversa, Thomas Mars e companhia demonstraram apreço, empolgação e até certo espanto com a efervescência dos cariocas, que acompanhavam faixa por faixa, se não cantando, pulando. Uma coisa a ser destacada é a simpatia da banda, extrovertida até demais para os franceses – não faltaram momentos em que os integrantes entregaram palhetas os público, sorriram ou até mesmo se entregaram corpo a corpo demais. Calma, essa parte a gente explica daqui a pouco.

Por parte da produção da banda, um ponto a ser destacado foi a iluminação, contrastada entre o azul, vermelho, branco e piscante, e um painel de LED. No telão, rolaram desde efeitos de luzes seguiam as batidas das musicas até a inserção do nome da banda em letras coloridas, o que rendeu umas boas fotos pro Instagram da galera.

Foto: Tuiki Borges/Midiorama

Apesar da boa recepção de público e crítica pelo álbum “Ti Amo”, foram as músicas mais antigas que extasiaram os fãs. São bons exemplos a própria “Lisztomania”, do álbum “Wolfgang Amadeus Phoenix”, de 2009, um exemplo da repercussão que este disco teve ao redor do mundo, e “If I Ever Feel Better” – “Uma das nossas músicas mais antigas”, disse Thomas segundos antes de começar a canção -, do álbum “United”, de 2000. Apesar disso, as faixas de “Ti Amo” foram bem recebidas, especialmente a faixa-título, quando os presentes soltaram balões vermelhos no ar.

Uma pausa bem rápida para o encore, onde somente Thomas e o guitarrista Christian Mazzalai voltaram ao palco. Com o vocalista bem rente ao público, em pé no pit e quase aos braços do público da grade, canções lentas como “Countdown” e “Goodbye soleil” – nesta última, o inglês e o francês se mesclam – deixaram o pequeno, mas cheio local, ainda mais intimista e menos enérgico. Foi uma pausa para o tanto de adrenalina que viria a seguir, especialmente com a clássica “1901”, que finalizou a noite. Bem… mais ou menos.

Para quem acompanhou ou viu na internet os últimos shows do Phoenix, isso não foi novidade (inclusive, rolou também no Popload Festival). Mas a atitude rock ‘n’ roll do indie Mars deixou o público carioca, que já viveu uma noite de êxtase, ainda mais em catarse quando pulou na galera e ficou cerca de 10 minutos transitando por cima dos fãs (!!!). Com a ajuda dos fãs da pista, ele alcançou a galera que estava segundo piso, tirou selfies, bebeu cerveja de um deles, e voltou aos braços de quem o esperava ali embaixo. Com o tanto que já está acostumado com a brincadeira, Mars teve equilíbrio e força suficiente para se manter de pé em cima das diversas mãos que o apoiavam.

Foto: Tuiki Borges/Midiorama

Se aqui cabe uma metáfora interessante, manter-se seguro não é novidade para o Phoenix, que saiu da França para explodir internacionalmente com uma sólida base de fãs por todas as partes. Os cariocas que o digam – depois de esperarem 18 anos, ver na própria cidade uma das bandas preferidas de 9 a cada 10 admiradoras do indie rock só consolidou e fortaleceu, ainda mais, a sua relação com a banda. Foram 23 músicas performadas em uma noite que começou mal, mas que terminou melhor do que os presentes imaginavam.

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