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Entrevista: Olly Alexander fala sobre “Night Call”, carreira solo e comunidade LGBTQIA+

Depois de muita espera, finalmente o novo disco do Years & Years está entre nós! Lançado nesta sexta-feira (21), o “Night Call” marca a estreia da banda como projeto solo do britânico Olly Alexander. O Tracklist conversou com o cantor, que contou tudo sobre essa nova fase e todo o processo de produção do disco.

Confira:

Tracklist: Olá, Olly! Tudo bem? É um prazer falar com você, sou um grande fã do seu trabalho.

Olly: Muito obrigado! É um grande prazer falar com você também.

Tracklist: Antes de qualquer coisa gostaria de parabenizar pelo “Night Call”. Ouvi ele ontem e posso dizer que está incrível. Como é pra você ver esse projeto ganhar o mundo?

Olly: Eu tô muito feliz! Fiz esse álbum depois de tantas adversidades, pensando nele de várias maneiras… Tô grato pela forma que ele ficou…. É um projeto feliz mas com muita vivência. Nem acredito que saiu! (Risos).

Tracklist: Posso imaginar que o processo de criação dele tenha sido diferente, uma vez que o Years & Years é um projeto seu agora, do Olly Alexander. O que mudou?

Olly: A maior mudança que eu sinto agora é a liberdade na forma de fazer música. Antes também era bom, eu tinha aqueles dois garotos comigo, mas agora eu tenho que tomar todas as decisões e há uma certa pressão, “o que eu faço agora?” “É a decisão certa?”… É difícil mas sinto que finalmente achei meu caminho.

Tracklist: O “Night Call” me causou múltiplas sensações. Uma hora sentia algo mais confessional, outro momento algo mais sexual, depois uma vibe coração partido. Esses são alguns dos sentimentos que você queria passar com o disco?

Olly: Eu fiz esse disco muito baseado nos meus relacionamentos anteriores, nos sexos, nos términos… Como eu me sentia e como eu gostaria de ser amado, basicamente. Para ser honesto, eu me senti muito sozinho fazendo esse álbum. Coloquei todos esses sentimentos nessas canções, talvez algo meio doloroso e dramático como em “Crave”, mas tá aí, você conseguiu captar.

Tracklist: Bom, Galantis está no álbum e você também possui duas músicas com a senhorita Kylie Minogue no disco. Quem mais poderia estar nele, ein?

Olly: Hum… Boa pergunta! Há tantas pessoas incríveis que eu colocaria nesse disco, mas pensando assim eu colocaria pessoas queers. Seria incrível ter o Lil Nas X em algumas das faixas… Já pensou a Rihanna também? Seria perfeito.

Tracklist: Seria! Falando em Lil Nas X, eu vi o seu cover de “Montero (Call Me By Your Name)! Ele é perfeito! Amo o mashup com “Baby Boy” da Beyoncé.

Olly: Sério? Você gostou? Muito obrigado por isso!

Tracklist: Eu amei! Falando em covers, eu imagino que você está louco para voltar aos palcos, viajar por aí…O que podemos esperar da “The Night Call Tour”?

Olly: Um pouco de tudo! Definitivamente. Você deve ter visto a “Palo Santo Tour”, é um grande show. Para o “Night Call” eu tenho pensado em um espetáculo diferente, mais focado em mim, algo mais sexy… Um palco cheio de elementos, não sei como vai funcionar, mas quero ser uma espécie de sereia como na capa do disco em algum momento do show… Há tantas ideias! Vai ser bom, mal posso esperar para estar na estrada de novo, cantar as novas e as antigas com os fãs, não tem sentimento melhor.

Tracklist: E passar pelo Brasil, né? O show do Lollapalooza foi incrível. Quais são suas memórias favoritas no Brasil?

Olly: Há tantas memórias boas no Brasil, eu me lembro muito das comidas, das frutas, tudo era tão gostoso, inclusive o pão de queijo, eu amei pão de queijo. Não poderia deixar de falar da multidão de pessoas que estavam lá, talvez tenha sido o mais alto e insano público que presenciei na vida. Queria ter outras memórias aí, o Brasil é um bom lugar para visitar, é grande, não vejo a hora de voltar, espero passar mais tempo da próxima vez.

Tracklist: E sobre música? Você costuma ouvir artistas brasileiros? Sei que você conhece a Pabllo…

Olly: Sim! Eu conheço ela, a amo. Bom, sobre artistas brasileiros acho melhor você me recomendar… Quem eu deveria ouvir?

Tracklist: Bom, temos Anitta, Iza, Gloria Groove…

Olly: Eu conheço Anitta!

Pabllo Vittar & Olly Alexander em Los Angeles / Foto: Reprodução

Tracklist: Ela é bem conhecida. Olly, saindo dos artistas brasileiros, o que você tem mais escutado ultimamente?

Olly: Hum… Posso pegar meu celular e te mostrar agora. Tenho escutado muito “Have Mercy” da Chloe Bailey, Griff, Whitney Houston, Brandy, voltei a ouvir muito o “Full Moon” da Brandy, que álbum maravilhoso! Deixa eu pegar algo mais recente aqui, você conhece Amaarae? Sad Girlz Luv Money?

Tracklist: Sim! Eu escutei essa manhã. Adoro o remix com a Kali Uchis!

Olly: Essa música traz uma vibe boa, né?

Tracklist: 100%. Olly, mudando um pouco de assunto, não tem como não falarmos da sua relevância para comunidade LGBTQIA+, eu como membro me sinto muito honrado de ter você como representante. Recentemente, graças à “It’s A Sin”, o número de testes de HIV no Reino Unido aumentaram durante a HIV Testing Week e a série conseguiu quebrar vários estigmas relacionados ao HIV. Você, enquanto artista, sempre propõe e discute pautas da comunidade, mas infelizmente nem todos os artistas da bolha costumam fazer o mesmo. Como você se sente em relação a isso?

Olly: Sabe, para ser honesto, eu me sinto muito honrado por estar nessa posição que estou pois recebo muito suporte das pessoas. Ser o Olly Alexander, ser gay, falar sobre saúde mental, identidade, faço tudo isso porque quero fazer a diferença. Precisamos falar sobre essas questões, botar elas em pauta, impactar pessoas, pois quando você fala sobre como você se sente, sobre anseios, você não está sozinho, existem várias pessoas queers em diferentes posições ao redor mundo que podem estar em situações complicadas como você. Se você possui uma plataforma grande de alcance, por que não usá-la para falar sobre isso? Sobre nossas vivências e experiências… Se eu posso ajudar, eu vou ajudar, sempre. Se você é artista, tem plataforma, você precisa falar. Felizmente tenho visto muitos artistas por aí usando sua voz em prol de pautas importantes e isso me deixa feliz.

Elenco da série “Its A Sin”, na qual Olly Alexander vive o personagem “Ritchie Tozer” / Foto: Divulgação

Tracklist: Obrigado por isso, Olly. De coração. Bom, chegamos em 2022 (com muito esforço mas chegamos), quais são suas expectativas para esse ano? Quais são os planos do Years & Years?

Olly: Queria muito prever o futuro mas infelizmente na situação que estamos quem vai saber o que vai acontecer nesse mundo louco? Eu não me assustaria se os alienígenas chegassem aqui e criassem um novo mundo para eles (risos). Mas vamos ver né, espero poder sair, cantar o “Night Call” por aí.

Tracklist: Para finalizarmos, qual é o seu top 3 do “Night Call”?

Olly: Essa pergunta é tão difícil, todas as canções são meus amores, amo todas mas vou com “Crave”, “Make It Out Alive” e “20 Minutes” ou “Consequences”, eu não consigo escolher.

Tracklist: Amei as escolhas! Olly, é isso. Obrigado pelo o seu tempo, pela sua gentileza. Vida longa ao Years & Years e ao Night Call! Espero te ver no Brasil em breve. Pode mandar uma mensagem para seus fãs brasileiros?

Olly: Claro! Minha mensagem é “oi, te amo” e não vejo a hora de voltar. Amo muitos vocês, mantenham-se seguros.

O disco Night Call já está disponível em todas as plataformas de streaming.

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