30 de outubro de 2019 por Rodrigo Neves.

“Mulher, negra, gay, da periferia, num país extremamente racista e homofóbico”. As palavras de Paulo Gustavo não poderiam definir Ludmilla de um jeito melhor. O humorista, que apresentou o Prêmio Multishow na última terça-feira (29), se posicionou em defesa da cantora, no evento, após presenciar uma cena cada vez mais comum no cenário musical: Ludmilla, um dos principais nomes do evento, foi vaiada ao receber o prêmio de “Música Chiclete” por “Onda Diferente”.

Não é de hoje que a funkeira é atacada. Desde o início da carreira, Ludmilla enfrenta o preconceito – e justamente pela definição de Paulo Gustavo. Por ser uma mulher negra e representar o funk, um estilo musical periférico e marginalizado, Ludmila é frequentemente criticada. O relacionamento gay, assumido nos últimos meses, a deixou, também, na mira dos homofóbicos – isso sem falar da recente polêmica com Anitta no Rock in Rio. Uma possível briga pelo reconhecimento da composição de “Onda Diferente”, parceria delas com Snoop Dog e Papatinho, se tornou um dos assuntos mais comentados do mês, dividindo os fãs das cantoras.

É o efeito colateral da chamada “cultura do cancelamento”. O público para de acompanhar ou consumir conteúdos de famosos que não se posicionam ou se posicionam de maneira contrária a interesses das minorias, como a luta contra o preconceito, desigualdade e exclusão social. O problema é que – em muitos casos – além do boicote, ocorre uma espécie de “linchamento virtual”.

Vítima desse movimento, Ludmilla vem sofrendo uma série de boicotes. Dentre os motivos, por já ter fingido ser outra pessoa para não atender admiradores e por uma curtida em um post do presidente Jair Bolsonaro – que não se sabe se foi por acaso. Lembrando que a mesma nunca declarou apoio ao presidente ultraconservador e, na época das Eleições de 2019, se limitou a dizer que não revelaria o seu voto. Ela também nunca foi flagrada fazendo comentários ou cometendo atos preconceituosos.

O fato é que nenhum desses acontecimentos anulam o que Ludmilla construiu até aqui. Com o nome artístico de Mc Beyoncé até 2012, ela assinou contrato com uma das maiores gravadoras do Brasil, a Warner Music. Com apenas 2 álbuns de estúdio e 1 ao vivo, a cantora carioca acumula uma grande lista de hits e diversas parcerias. Recentemente, ela se apresentou no festival Rock in Rio. Também foi destaque no quadro Show dos Famosos, do Domingão do Faustão.

Tendo em vista tudo isso, Ludmilla de forma alguma mereceu o desrespeito de parte da plateia do Prêmio Multishow. Nem mesmo o possível desentendimento com outra cantora justifica tal atitude. Até porque a rivalidade ocorre mais pelos fãs radicais de ambas que potencializam o assunto do que pelo o que realmente aconteceu – além do que já foi pronunciado por elas. É possível e muito mais saudável ser fã de um artista sem ter que desmerecer outro. Ainda mais quando se trata de mulheres – que desde sempre sofrem com essa questão na indústria musical. Deixa só eu te avisar que estamos em 2019, ok coleguinha que gosta de alimentar essas tretas?

Como disse Paulo Gustavo, a trajetória da Ludmilla inspira milhões de pessoas. Mas se não te inspira, tudo bem. Você não precisa acompanhá-la. Você pode acompanhar outros artistas e votar neles em premiações. Mas neste ano Ludmilla é quem foi escolhida pela votação popular como “Cantora do Ano” . É o momento dela! E respeitar suas conquistas é o mínimo que qualquer pessoa pode fazer.

Ludmilla não merece vaias e sim muitos aplausos. Respeita c%r#lh0!

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