18 de janeiro de 2020 por Lucas Ribeiro.

Na última sexta-feira (17), a cantora norte-americana Halsey lançou o seu tão aguardado terceiro álbum de estúdio, Manic. Após três anos desde o seu último disco, o novo projeto segue uma direção distinta em relação aos seus antecessores. Durante as 16 faixas, a cantora navega e experimenta vários gêneros musicais, demonstrando a sua versatilidade. Vem com a gente conferir o que achamos do álbum!

MANIC

As narrativas ricas em detalhes e ambientações bem construídas, que formam facilmente uma visão cinematográfica nas suas músicas, são características marcantes do excelente trabalho da cantora em suas composições. Nos trabalhos anteriores, Badlands (2015) e Holpeless Fountaim Kingdom (2017), esses recursos narrativos são muito presentes. Em cada um desses discos, somos imersos em histórias dentro de uma mitologia ao redor dos conceitos dos álbuns. Os personagens, metáforas e fantasias, nos ajudavam a entender melhor esse mundo criado pela a artista, e no final das contas, os seus sentimentos.

No entanto, em Manic, Halsey optou por deixar essas mitologias de lado e ir direto ao ponto. Por isso, no novo disco encontramos letras mais diretas, algumas ainda com poesias, mas que falam mais sobre ela, sem ficar por trás de alguns artifícios narrativos.

“De pé agora, no espelho que eu mesmo construí/ E não me lembro por que a decisão não foi minha/ Mas parece que apenas estou me apegando a uma ideia agora / Levei meu coração e vendi para uma visão que eu mesmo escrevi”, trecho de “Ashley”, primeira faixa do disco, comprovando exatamente que o que vamos ouvir é sobre Ashley, seu nome verdadeiro, deixando para trás os personagens de seus antigos trabalhos.

INTERLUDES

As interludes do álbum têm um papel essencial, tanto em termos de estrutura como no sentindo da construção narrativa e todo o propósito do projeto. Falando da forma estrutural, as interludes servem estrategicamente para demarcar os momentos do álbum em que a produção das músicas vão mudar e a nova direção que o disco vai seguir.

Falando já da questão narrativa, as interludes servem pra mostrar um pouco mais da personalidade da cantora. Em cada uma delas, Halsey presta uma espécie de homenagem, e apresenta artistas que a influenciaram ou atualmente são uma inspiração.

Outros momentos que nos aproximam e fazem nos conectar mais com sua personalidade, são as referências cinematográficas do disco. A cantora já se declarou como grande fã do filme “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças”. Por isso, no final da primeira música do disco, a faixa termina com o popular diálogo de Clementine, personagem interpretada por Kate Winslet. Logo em seguida, começa a segunda faixa do álbum “Clementine”, que também é outra clara homenagem ao filme.

DESTAQUES

Entre as 16 faixas do disco, é essencial ouvir todas em ordem, devido a consistência narrativa e sonora que o disco foi arquitetado. No entanto, separamos os grandes destaques do álbum. Confira:

3am

Nessa faixa, as melodias e sonoridades remetem a um som pop-rock anos 2000, bem ao estilo Avril Lavigne, e que facilmente poderia ser o tema de abertura da série The OC. A narrativa é sobre o momento de solidão e como acaba trazendo todas as suas inseguranças e frustrações à tona. Com a presença energética da guitarra e bateria, junto as melodias rápidas e um refrão radiofônico, Halsey consegue tratar toda essa situação de forma divertida e leve. Uma curiosidade é que nessa música Chad Smith, membro do Red Hot Chille Papers, toca bateria nela. Será que agora o pop rock volta?

Forever…(is a long time)

Essa é uma faixa que mesmo curta traz uma carga emocional grande. Ela reflete a variação de sua personalidade e os seus momentos de auto-sabotagens. O grande destaque é a produção, a mais experimental do disco, e que basicamente tem dois momentos distintos. O primeiro é mais alegre e minimalista, e ao decorrer da faixa vai desacelerando, deixando a presença do piano em evidência. A segunda parte é tomada por sons experimentais, com sintetizadores, tornando-se mais intensa e sombria.

You should be sad

Inspirada no country, aqui notamos mais uma vez a versatilidade dentro do disco, com uma letra totalmente honesta. Direto ao ponto, a composição é sobre um antigo relacionamento e de como ela agora enxerga todos os lados negativos daquela pessoa. Halsey reflete sua angústia e fala sobre ter tentando a todo custo ajudar aquela pessoa, mas simplesmente não deu certo, e agora se sente livre de tudo isso. A entrega vocal nessa música é um grande destaque e é possível sentir toda a raiva e a beleza da voz da cantora. Tudo isso é acompanhado de pesados acordes de guitarra elétrica, que dão um toque especial a música.

Finally // beautiful stranger

Navegando em uma sonoridade voltada pro alternativo e um rock old school, essa é uma faixa que facilmente entraria no primeiro álbum de estúdio de Harry Styles. Em uma das composições mais bonitas do disco, Halsey descreve muito bem o sentimento de estar gostando de alguém após um término. Onde ela ainda se sente insegura e com medo de se entregar a alguém novo, mas que ao mesmo tempo não resiste ao sentimento. É uma balada sensível, que com o clima acústico e os vocais limpos, deixa toda a atmosfera romântica, se destacando como um grande ponto alto do projeto.

More

Com um instrumental simples e minimalista, a artista entrega letras poderosas, e fala sobre a vontade de um dia ter um filho. A música foi escrita após ela descobrir que mesmo com os problemas de endometriose, que causava infertilidade, ela poderia ter a chance de futuramente ter um filho. É essencialmente sobre amar algo que ainda nem existe, sendo um dos registros mais íntimos de sua carreira.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como dito anteriormente, esse é o álbum mais versátil que a cantora já fez. Ela  navega principalmente pelo pop, trap, rock e country.  Se em seus trabalhos anteriores nós explorávamos a fundo um universo inteiro, em Manic, temos a sensação de visitar vários universos ao mesmo tempo, e ainda com extrema coerência. É como se Halsey nos apresentasse tudo aquilo que a influencia, e faz da artista e pessoa que ela é hoje. Esse é um grande momento de sua carreira, mostrando uma nova e empolgante direção que a artista começou a trilhar.

NOTA: 9/10

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