Entrevista: ‘Maníaco’, diz Dan Reynolds, do Imagine Dragons, sobre novo álbum

Em entrevista exclusiva para o Tracklist, o vocalista do Imagine Dragons, Dan Reynolds, fala sobre o novo trabalho do grupo e como a pandemia afetou a sua temática

Por em 17 de março de 2021

Eles estão de volta! A banda Imagine Dragons lançou, na última sexta-feira (12), dois singles do novo álbum que ainda não possui uma data de lançamento: “Follow You” e “Cutthroat“, marcando a volta do grupo depois de 2 anos sem novos trabalhos. Após tanto tempo sem novas músicas, as redes sociais pararam para os novos lançamentos do grupo, que já são conhecidos por diversos hits ao longo dos quatro álbuns já lançados – arriscamos dizer que eles são os queridinhos do Brasil. E não poderia faltar uma entrevista com o Imagine Dragons, certo?

Para presentear os fãs, o Tracklist entrou em contato com o vocalista Dan Reynolds e conseguiu uma entrevista exclusiva com o vocalista do Imagine Dragons. Neste papo, conversamos sobre o novo álbum da banda, como a pandemia afetou a sua temática e diversos outros pontos que começam a nos dar uma visão melhor do que está por vir no quinto álbum de estúdio do grupo.

Por Thiago Cyrino

Foto; Divulgação

Entrevista com Dan Reynolds, do Imagine Dragons

Tracklist: Olá, Dan!
Dan Reynolds: Olá, Thiago!

Primeiramente, obrigado! Quando eu mandei a mensagem eu não achei que uma entrevista com o Imagine Dragons aconteceria tão rápido. Então quero te agradecer muito por ser tão legal e por ter aceitado fazer essa entrevista. Imagino quantas coisas você deve estar fazendo agora.
É o mínimo que eu poderia fazer por alguém que segue a banda há tantos anos. Você tem nos apoiado incrivelmente, não precisei nem pensar. É bom te ver. Você está ótimo! Adorei seu cabelo.

Obrigado! No ano novo, eu estava de quarentena há um ano. Eu disse: “vou mudar”. Então eu fiz isso (risos). Antes de vir pra cá, eu pensei em colocar no Twitter para as pessoas perguntarem algumas coisas. É legal ter algumas perguntas de fãs. As pessoas estão muito curiosas com essa questão. Na produção do álbum, vocês fizeram separadamente, nas suas próprias casas e depois juntaram tudo ou vocês fizeram juntos e fazendo encontros às vezes? Como foi o processo de realização desse álbum?
Então, normalmente… Foi bem similar ao que sempre fizemos. Normalmente, eu começo a música aqui na minha casa. Literalmente, bem aqui. Uma guitarra, piano, instrumentos de percussão e daí eu pude, do jeito que já mostrei no passado, eu fiz várias demos sozinho. Ou Wayne [Sermon, guitarrista], ao mesmo tempo, sempre está trabalhando em algo na casa dele. Então ele me manda faixas instrumentais. Sem vocais, mas ele me manda uma guitarra, ou algo inteiro construído que ele juntou. O [Daniel] Platzman [baterista], através dos últimos álbuns, começou a se envolver bastante com produção também. Ele se envolveu bastante nisso e me enviou bastante coisa. Mais nesse álbum do que já tinha feito [nos outros]. Ben [McKee, baixista] é um cara que coloca a mão na massa. Eu envio todas essas ideias e todos conversam sobre quais são suas preferidas e quais são os temas que vão para o álbum. Quando estamos juntos, é aí que Ben entra e nós destrinchamos as músicas e as reconstruímos. É como os outros [álbuns].

É legal, especialmente nessa época. Sinto que funciona melhor do que se encontrar o tempo todo. Há tantas coisas acontecendo.
A única vez que fizemos uma quarentena [juntos] foi quando fomos pro estúdio com Rick [Rubin, produtor], no estúdio do Rick. Então nos testamos juntos, moramos juntos durante aquele mês. Só… é. Regras bem restritas. Só trabalhamos no álbum durante aquele mês. Foi um processo de três anos, mas um mês no estúdio, no final, com Rick.

Ah, isso é muito legal. Essa pergunta meio que vem com a outra. Eu queria saber o quanto a pandemia afetou o tema do novo álbum. Vocês começaram o álbum antes e daí tudo mudou. Então, o que seria o álbum depois da pandemia? Ela afetou a temática do álbum ou não? Como foi?
Eu acho que é muito diferente. É, eu acho que é muito diferente. Minha vida mudou muito nos últimos anos. Não apenas a Covid-19, mas também coisas pessoais na minha vida, que eu estava passando. Muita coisa aconteceu. Esse álbum… e muito crescimento. Muitas coisas positivas e maravilhosas aconteceram também. Eu acho que esse álbum é muito dinâmico. “Cutthroat” e “Follow You” são músicas muito diferentes entre si e há muitas coisas acontecendo no álbum. Sabe, temos sorte de ter uma fã base que nos permite explorar. Vocês sempre nos permitiram explorar. Nesse álbum, nós realmente vamos a lugares que nunca fomos.

Eu estou muito animado, posso te falar. Muito animado. Ouvi as duas músicas e gostei de verdade na primeira vez. E especialmente “Cutthroat”, eu ouvi e estava tipo: “Ok, é meio ‘Friction’, com ‘I’m So Sorry’ e eu estou aqui pra isso. De verdade”.
Eu não fazia ideia, sabe? Estou com essa [música] há três anos. Não fazia ideia do que ninguém iria achar.

Foto: Divulgação

Isso é incrível, de verdade. O que você diria ser a maior lição que você aprendeu ano passado?
Acho que eu finalmente… Levei 33 anos para me aceitar de verdade. Só ter confiança plena e amor-próprio, o bastante para… Eu não sei. Para não questionar. Não que eu não me questione e sempre procuro crescer e aprender, mas eu me amo o bastante para não ser afetado pelas coisas que costumavam me afetar. Coisas que teriam me incomodado através dos anos, ou me machucado. Quando você realmente encontra esse senso de identidade é como… você nunca precisa pedir desculpas. Por nada. A única vez que eu me sentiria mal na vida é se eu fizesse algo de forma inautêntica, certo? Você faz algo de forma inautêntica e alguém diz ou chama sua atenção, ou faz o que quer que façam, daí machuca. Mas se for você de verdade, e você tem tanto amor-próprio e confiança, é meio que… não importa.

Eu também acho que ser aberto a mudar de opinião, ser aberto a ouvir as pessoas e aprender. Eu sinto que é o mais importante. Acho que isso muda muito a pessoa.
Acho que até nossa fã base, eu sinto que crescemos muito juntos. Olhando pra trás… É louco quantos anos já se passaram. E a quantidade de discursos e passos positivos que tomamos juntos. Enquanto o mundo muda, você aprende coisas novas, vê as coisas de um jeito diferente. Eu tenho muito orgulho de ser parte dessa comunidade e o que ela representa.

É tão incrível.
E é algo que só nossos fãs sabem. Só as pessoas que estiveram aqui todos esses anos…

Pra ser sincero, tenho muitos amigos fãs de Imagine Dragons. Sigo vocês desde 2012, antes do primeiro álbum. Eu vi pessoas crescendo comigo. Por exemplo, essa camiseta. Ela representa muito pra mim e pra muitas pessoas. Eu sinto que nós fomos pro ensino médio, nos formamos, fomos pra faculdade, nos formamos e agora estamos trabalhando, estando juntos. E ver vocês fazendo o mesmo, significa muito.
Eu também. Eu também. É bem incrível.

Eu decidi escolher essa pergunta porque muitas pessoas estavam meio confusas sobre aquilo que você disse numa entrevista anterior que o álbum teria dois lados. Eu queria saber se é como se fosse um LP tem dois lados, como por exemplo cinco músicas e cinco músicas ou se é um álbum e as músicas tem dois temas opostos e estão todas juntas?
É um álbum. Não é um álbum duplo. E é dividido em dois lados, que contam duas histórias diferentes e no final eles se juntam. Eu não quero falar muito, mas a ideia é que metade a gente olha para o mundo, e a outra eu olho para dentro, para as coisas na minha vida, para mim, para aceitar certas coisas e reconhecer partes minhas que eu ainda não tinha reconhecido.

Então, todas as músicas foram escritas ou sobre o lado de fora, ou sobre o lado de dentro. Não foi de propósito, depois dos três anos, eu notei que as músicas são ou sobre eu olhando pra dentro e falando sobre o que eu vejo e se gosto, se eu odeio ou se machuca ou qualquer coisa que seja; Ou olhando pra fora. Então é dividido nesses dois lados. Todo mundo vai reconhecer e saber, “essa música vai pra esse lado…”, ou “Eu gosto desse lado, e do outro”, ou “Eu estou no humor pra esse lado, sabe?” Mas, no final das contas, se junta num modo…

Eles se conectam!
Com certeza. Muito conectado!

Isso é muito emocionante. Vocês se inspiraram em álbuns anteriores? Vocês começaram mais indie, e daí foi mais pop, pop rock, um pouco de pop. O que podemos esperar desse [álbum]?
Definitivamente… Eu não consigo falar na questão de gênero, o que esse álbum é ou aonde ele vai. Ele vai para lugares que nunca fomos.

É Imagine Dragons, como você diria.
Sim. Assim. Mas também é um novo território pra gente. Minha esperança sempre é, assim como estávamos falando antes, é que todos nós crescemos juntos. Todos crescemos, o mundo tem sido louco, muitos de nós vivemos coisas que mudam a vida desde que a banda começou. Eu só não quero fazer as mesmas coisas que fiz no começo porque não seria autêntico pra mim. Não é quem eu sou. Todos nós crescemos. Minha esperança é que esse álbum seja como um ponto na vida em que notamos: ‘Uau, crescemos muito juntos’ e olhar para trás. Espero que capture isso de um jeito bonito e a minha ideia é que a gente saia para tocar isso ao redor do mundo e que todo tenhamos essas celebrações de vida, e olharmos para trás para tudo que fizemos e pensar: ‘Aqui é onde estamos e um brinde ao futuro.’

Acho que depois da pandemia, os shows já eram tão bons, todos os shows do Imagine Dragons eram perfeitos. Eu só imagino como vai ser depois de tudo que aconteceu. Eu preciso disso.
Meu Deus. Eu mal posso esperar. No fim do “Evolve”, especialmente com a separação e tudo que eu estava passando a nível pessoal, eu estava realmente esgotado, não é a palavra certa. Eu estava anestesiado. Eu nem sabia quem eu era. Eu subia no palco e enlouquecia algumas noites. Era muito emocionante. Eu me sentia muito mal por todos ao meu redor, todo dia eu estava numa montanha russa de emoções. Eu só precisava voltar para casa e me reencontrar.

Eu sinto que depois de “Smoke + Mirrors” e “Evolve” tudo se juntou. Acho que vocês fizeram dois anos de turnê sem parar. Todos pensávamos: ‘Imagine trabalhar tanto’. Especialmente com crianças, você quer estar com seus filhos. Você quer vê-los crescer. É tão difícil, sabe? Mesmo que estar no palco seja tão bom.
É como equilibrar famílias. Eu sinto que tenho minha família, sabe? Sou um pai, sou Dan, que está ali para meus filhos, os levando pra escola, levando o cachorro pra caminhar. Fazendo coisas de pai. Mas também sinto uma conexão de família genuína com nossos fãs ao redor do mundo. É algo que não consigo expressar, porque soa banal, mas é real pra mim. Todos nós temos uma conexão profunda com essas músicas, através dessa década que criamos juntos, cantamos juntos, e sentimos coisas a nível mundial juntos que apenas a gente entende, como uma fã base. Para mim, é sobre encontrar o equilíbrio certo onde posso fazer ambos e agora finalmente sinto, depois de tirar uma folga, que estou pronto para sair por aí.

Posso te garantir que os sentimentos são mútuos. De nós para você e para o resto da banda, para quem trabalha com vocês também. Sua equipe é ótima. Eles são muito eficientes, eu os enviei um e-mail e eles responderam super rápido. Eu realmente sou grato a todos da sua equipe.
Nós nos sentimos os mais sortudos. Nós levamos tudo o que criamos juntos muito a sério. Sabemos que não estaríamos aqui sem vocês. E não é só isso. Nós também realmente nos importamos. Nos importamos sobre o que acontece na vida de vocês, nos importamos com a saúde de todos. É impossível fazer uma entrevista como cada fã, eu adoraria poder sentar e poder conversar com todos, mas isso seria muita coisa.

Se você pudesse usar uma palavra pra descrever o álbum, qual seria?
Maníaco.

Maníaco. Ok, legal. Uma cor que representa o álbum?
Eu vejo [o álbum] como um roxo profundo. Um roxo profundo, meio avermelhado. Não como púrpura, mas como um roxo avermelhado. Magenta!

Um sentimento? Do álbum?
Infinito. Eu sei que essa palavra não é um sentimento, mas é pra mim. É a única palavra que consigo pensar quando tento expressar o sentimento [do álbum].

Acho que essa entrevista me deixou ainda mais animado. Quero te agradecer muito por fazer isso. São 10 minutos, mas significa muito.
Claro. Faremos de novo!

Ok, Dan. Muito obrigado. Da próxima vez que vier pro Brasil, eu estarei lá, provavelmente. Ou até em outros lugares.
Temos que fazer isso de novo!

Da próxima vez que vier pro Rio, acho que você não foi ao Cristo [Redentor], mas você deveria ir e eu deveria ser o guia turístico da banda.
Eu amo tanto o Brasil. Eu mal posso esperar para voltar pro mundo, mas há alguns lugares que eu estou super ansioso para ir, e o Brasil é um deles. Estou muito animado pra voltar. É tão fantástico toda vez que vamos aí.

Eu posso dizer o mesmo, de verdade. Obrigado, Dan.
Dê meu amor para todos os fãs. Diga que eu os amo, e que mal posso esperar para vê-los ao redor do mundo.

Obrigado! Fique seguro, as coisas não estão bem aqui e aí também.
Você também, Thi! A gente se vê!


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