O Grammy 2018 gerou polêmica ao premiar apenas duas mulheres – Rihanna e Alessia Cara – e ao deixar Jay Z sem nenhum prêmio, mesmo ele concorrendo a 8 categorias. Lorde deixou de se apresentar pois não foi autorizada a performar  sozinha, diferente do que fizeram vários homens na noite. A atração ainda não quis transmitir nada sobre o rock n’roll, o que levou bandas como o Avenged Sevenfold a boicotarem a cerimônia. Perdeu brilho também quando o produtor Neil Portnow, da Recording Academy, responsável pelo Grammy Awards, disse que as mulheres não eram premiadas por demérito delas próprias. Mas de qualquer modo, é preciso falar das performances da noite, que aí sim fizeram a atração valer a pena aos fãs descontentes com os outros tópicos.

Os destaques foram as performances ativistas. Kesha, junto a um grupo poderoso de mulheres, cantou “Praying”, falando em apoio àquelas que sofrem ou já sofreram abusos físicos ou psicológicos. U2 e Kendrick Lamar, por sua vez, subiram ao palco em nome dos refugiados.

Se apresentaram também artistas como Lady Gaga e Sam Smith. Assista aos shows:

#GrammySoMale

Após o resultado do Grammy no domingo (28/01), uma hashtag tomou conta da internet: #GrammySoMale, que em português significa “Grammy tão masculino”. O protesto na internet ocorreu devido ao ínfimo número de premiadas femininas este ano: a única a ganhar sozinha foi Alessia Cara, como artista revelação. Já Rihanna foi premiada com Kendrick Lamar, como Melhor Performance de Rap com “LOYALTY.”.

Em resposta ao descontamento do público, o produtor Neil Portnow, da Recording Academy, responsável pelo Grammy Awards, deu uma entrevista à revista Variety e disse que a falta de prêmios às mulheres era culpa delas próprias. Isso porque, segundo ele, elas não vinham “dando o passo seguinte”, se inserindo no comando da música.

A declaração foi a seguinte:

“Isso tem que começar com… mulheres que tenham a criatividade em seus corações e em suas almas, que queiram ser musicistas, que queiram ser engenheiras, produtoras, e queiram fazer parte da indústria em um nível executivo. Elas precisam dar um passo à frente porque acho que seriam bem-vindas. Eu não tenho experiência pessoal com essas paredes que vocês enfrentam, mas acho que nos cabe, a nós como indústria, tornar a recepção bem óbvia, criando oportunidades para todas as pessoas que queiram ser criativas, passar para frente e criar a nova geração de artistas”.

As respostas

Logo, público e algumas cantoras repudiaram a opinião. P!nk foi a primeira a se manifestar, e disse em seu Instagram: “As mulheres na música não precisam ‘dar o passo’ – elas estão fazendo isso desde sempre. Seguindo em frente e também sabendo que as mulheres arrasaram na música este ano. Elas têm sido sensacionais! E a cada ano antes deste. Quando nós celebramos e honramos o talento e as conquistas da mulher, e como as mulheres avançam a cada ano, mesmo com todos os obstáculos, nós mostramos a próxima geração de mulheres, garotas, garotos e homens o que significa ser igual, e como é ser justo”.

Depois, foi a vez de Katy Perry. “TODAS nós temos responsabilidade em apontar a absurda falta de igualidade em qualquer canto que a gente veja. Estou orgulhosa de TODAS as mulheres que estão fazendo uma incrível arte em face à resistência contínua”, disse a cantora, via Twitter.

Iggy Azalea comentou: “Ao invés de serem graciosas ou de usarem rosas brancas no tapete (trazendo telespectadores para sua transmissão de TV em vestidos de grife), as mulheres deveriam considerar se nós PRECISAMOS tomar uma ação mais firme e ficarmos em casa de pijamas no ano que vem… Vejamos como isso funcionará para Neil”.

Charli XCX foi pouco mais “agressiva”. “Avançar bem na tua cara… mulheres estão fazendo ótima música atualmente. Que diabos esse cara está falando?”.

“Tréplica” de Neil Portnow

Nessa terça-feira, Neil Portnow divulgou uma nota, se retratando do comentário.

“Fui perguntado sobre a falta de representação feminina em certas categorias do Grammy Awards. Lamentavelmente, usei as palavras ‘dar um passo’ que, tiradas de contexto, não refletem minhas crenças e o ponto que eu tentei tratar.
Nossa indústria deve reconhecer que as mulheres que sonham com carreiras musicais enfrentam barreiras que os homens nunca enfrentaram. Temos que trabalhar ativamente para eliminar essas barreiras e encorajar as mulheres a viverem seus sonhos, expressarem sua paixão e criatividade através da música. Devemos recepcioná-las, mentorá-las e empoderá-las. Nossa comunidade será mais rica assim. Eu lamento não ter sido tão articulado quanto deveria ao transmitir esse pensamento. Reitero meu compromisso em fazer tudo que puder para tornar nossa comunidade da música melhor, mais segura e mais representativa para todo mundo”.

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