Pra hoje,  vou admitir tinha outro tema em mente. Mas, decidi mudar. O motivo: eu vi uma publicação no Facebook que me redirecionou. E a publicação é essa:

É claro que depois disso fiquei curiosa em saber o que será lançado na segunda-feira, e claro, voltei às audições do álbum de debute do The Kooks, lançado em 2006 (mesmo ano em que o Arctic Monkeys lançou o primeiro disco, “Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not” e  que o Strokes divulgou  seu terceiro,”First Impressions of Earth” ). E é claro: as influências estão todas ali, mesmo porque são bandas que tocaram o mesmo gênero musical: o indie rock.

“Inside In/Inside Out” é o meu álbum preferido do Kooks: o sotaque inglês de Luke Pritchard é bem evidente em todo o material (sendo o vocal absolutamente marcante – e algumas músicas soam como se você estivesse escutando-o em algum show, como “Seaside” – uma linda música que remete a amores de verão). Na sequência, podemos ouvir “See The World”, que parece uma continuação – que também traz uma nostalgia de uma época vivida e a distância do eu lírico de sua amada.

Passeamos por “Sofa Song” ( uma faixa com guitarras enérgicas, que soa bem aos ouvidos), “Eddie Gun” ( outra canção marcante acusticamente) e vamos para “Ooh la” – uma de minhas preferidas: aqui podemos perceber ainda mais o sotaque de Pritchard e sentir saudades ( “pretty pretty pettycoat “); que se encaixa perfeitamente com o tema do material.

Em seguida temos “You Don’t Love Me”: uma canção que lembra o estilo dos Arctic Monkeys (porém não tão elaborada liricamente) e um tanto quanto contraditória fora de lugar perdida no álbum – se a gente levar em conta o que o vocalista canta em “Seaside” ( But I find it hard to love you girl when you’re far away / Mas, eu acho difícil te amar, garota. Quando você está longe). “She Moves In Her Own Way” – outra canção que virou single e ganhou clipe e trata do amor do eu lírico por uma mulher independente, a qual ele não quer distante.

“Matchbox” sucede a faixa trazendo novamente o ar contraditório: Don’t come too close/ You don’t wanna see my ghost (Não chegue muito perto/ você não quer ver meu fantasma). Depois, vamos para “Naive” – a mais celebrada de longe e regravada por outros artistas como, Lily Allen – e trata da traição da pessoa amada. “I Want You Back”  é uma faixa mais lenta e a letra traz um apelo um desespero:  o eu lírico quer a amada de volta, mas ao mesmo tempo, não pode se deixar levar por esse sentimento, que pode ser visto como possessão (I want your love/But I can’t let myself love you). 

Chegamos em “If Only”, que trata do incômodo com a solidão; “Jackie Big Tits” me causa incômodo: apesar de ser uma canção harmoniosa e até com certo charme, está claro que a jovem é apenas vista como um objeto e que ele não a conhece de verdade, ainda considerando que é lembrada pelos atributos físicos; “Time Awaits” não é muito marcante: tem um começo apenas no violão e depois podemos ouvir as guitarras com uma letra um tanto preguiçosa; “Got No Love” é uma canção sobre um dia difícil; é bonita e busca dar apoio pra quem precisa: “Hold on, don’t let them bring you down/ Aguente firme, não deixe eles te deixarem triste”. 

Bem diferente do som produzido hoje pela banda (mais pop, com influência do funk dos anos 80), Inside In /Inside Out é um disco nostálgico, uma lembrança de um som do passado que, provavelmente, não tem volta. Artistas sempre precisam se reinventar para continuarem interessantes, e isso o The Kooks mostrou que sabe fazer! Lógico que quando revisitamos letras antigas podemos nos deparar com algumas que não nos agradam hoje – porque o olhar mudou. Mas, tudo faz parte do processo de desconstrução, ou melhor, compreensão daquilo que antes passou batido. Não se pode negar, no entanto, que Inside In/Inside Out foi importante para consagrar a banda: foi o começo de tudo, antes do grupo conseguir consolidar uma identidade própria e se destacar em meio às outras referências do indie rock que emergiram quase ao mesmo tempo.

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