#SoundTrack: Phantom of the Paradise e a sua representação da indústria da música

Nesse #SoundTrack, uma review de “Phantom of the Paradise”. Apesar de parecer ser um musical, ele entrega algo diferente.

Por em 13 de maio de 2021

Eu esperava uma coisa completamente diferente de quando comecei a assistir “Phantom of The Paradise“. Talvez algo mais musical, indo um pouco mais na direção de “The Rocky Horror Picture Show do que para um filme de terror trash com músicas.

Pra início de conversa, o filme é de 1974. Tem todo aquele estereótipo de personagens com roupas da época e cenários de programas de TV. A trama acompanha Winslow, um músico que é descoberto por uma espécie de chefão de uma gravadora, Swan, que oferece levar duas de suas músicas para analisar para talvez, em um futuro, fechar um contrato, já que Swan havia assistido uma de suas apresentações e gostado muito de sua música.

Leia também: #SoundTrack: “Boyhood” mostra sua temporalidade através da música

Ao invés de, de fato, analisar para contratar o artista, Swan acaba roubando as músicas para sua gravadora e apenas invisibilizando Winslow, o que faz desdobrar muita coisa da história. No meio tempo, aparece Phoenix, uma cantora em ascensão que Winslow (em minha cabeça) se apaixona, deixando ela ser a única pessoa a interpretar suas músicas, mesmo elas tendo sido roubadas.

Nesse meio tempo, Winslow é preso por tentar recuperar suas próprias músicas, foge e sofre um terrível acidente, que muda e molda todo o restante da história do filme. Se contar mais, dou spoilers, já que nada é muito minucioso no filme a ponto de se descrever pouco. O descrever pouco já é o próprio filme.

Retrato da indústria musical

Apesar de ter achado o filme sem graça e sem uma trilha sonora ou músicas próprias cativantes, há ainda assim algo interessante. Todo o processo de querer ser famoso e fazer de tudo para isso acontecer é muito bem personificado.

Sempre há alguém assinando um contrato gigante sem ler nada, apenas pensando nas vantagens e no seu bem. Alguém maior que a pessoa sempre passando a perna, lucrando e pegando as vantagens para si próprio. E, claro, a luta pelo reconhecimento, que nunca de fato chega.

Um cena que me chama a atenção é quando Winslow aparece assinando o que parece um contrato de escravidão com Swan, mesmo com as desconfianças de antes (afinal, ele havia roubado suas músicas e nunca o creditou), Winslow começa a escrever sem parar músicas para recuperar sua vida normal e tentam prendê-lo no estúdio para nunca mais sair. Alguma identificação com grandes agências do entretenimento que as vezes exploram artistas?

É como se fosse um retrato muito bem feito e atual da indústria musical num geral, mesmo o filme sendo de 1974. Aparentemente as coisas sempre foram meio assim e sem previsão para mudanças.

Se você gosta de filmes toscos, que entendem essa condição e são toscos, mas claro, tenham ali uma pitada de crítica e verdade, assista. Caso esteja atrás de trilha sonora bonitinha, não vai encontrar. Mas, se quiser testar, aqui está ela:


Deixe um comentário

Seja o primeiro a comentar!