#SoundTrack: “Dazed and Confused” traz a nostalgia antes mesmo dela ser moda

“Dazed and Confused” traz a nostalgia antes mesmo dela ser moda

Por em 12 de março de 2021

O conquistar pela nostalgia (às vezes de coisas que nem vivemos) está longe de ser uma coisa muito recente. Em “Dazed and Confused”, fica bastante claro esse apelo, seja ele pela trilha sonora ou até mesmo pelos figurinos.

Apesar do filme ter sido lançado em 1993, a história se passa em 1976. Retrata um pouco das coisas nas escolas americanas: é o último dia de aula e os veteranos aplicam trote nos calouros que irão entrar pro ensino médio. Meio que o que rola aqui, só que na faculdade – e hoje em dia de forma bem mais leve. Talvez essa parte – e algumas outras durante o filme – envelheceram meio mal. Mas nada que não dê pra relevar.

Primeiros olhares

As primeiras impressões que tive é que, por ser um filme que mostra essa coisa de adolescente e retratar o jovem rebelde de forma geral dos anos 70/80, a trilha sonora acompanha bastante isso.

As pessoas não fazem muito sentido se olhando no contexto de agora: a galera faz umas coisas só por fazer, criança que parece ter 12 anos de idade dirigindo (ao mesmo tempo que com medo de veteranos) e que parecem estar chapados a todo momento. Talvez uma interpretação exagerada, ou talvez as coisas realmente fossem assim.

Se o pop ou o indie acompanharia um filme sobre adolescente hoje em dia, é o rock que tava em alta naqueles anos que acompanha todo o “Dazed and Confused”.

Influência do rock nos anos 70 e 80

Os anos 70 quase 80 foram bastante acompanhados por bandas como Led Zeppelin, Aerosmith, Black Sabbath e Kiss. No mainstream. Logo, é fácil entender porque tais canções acompanham a história. O consumo do jovem, assim como sua estética, estava muito atrelado a esse consumo do rock, além das atitudes sem causa, um estereótipo que andava lado a lado.

Isso é bastante retratado. Junto dos figurinos que até hoje ainda seriam objetos de desejo, é de se entender a importância do audiovisual ao criar tendências na época. Quantas pessoas o filme não deve ter influenciado com sua trilha? Ainda mais levando em conta o desejo de se parecer com personagens do filme, já que nos 90 as coisas já estavam um pouco mais calmas.

O foco aqui é falar um pouco mais sobre a trilha. Então vamos lá.

Relação da trilha com a história

Diferente de Maria Antonietta, é uma trilha que te prende do início ao fim, você gostando de rock ou não. Aliás, ela se difere da trilha da minha primeira análise dessa coluna em alguns pontos.

Enquanto em Maria Antonieta a trilha é bastante heterogênea, passando por vários estilos musicais, “Dazed and Confused” possui uma lista de músicas muito homogênea, falando de estilos. Acho que é algo que o filme também pede: você meio que acaba prevendo o que vai acontecer na próxima cena conforme ele vai desenrolando e não tem muitas reviravoltas. Sem muita necessidade de mudança de mood, sabe? 

Leia também: #SoundTrack: Maria Antonieta e a versatilidade de sua trilha sonora

Apesar delas acompanharem a personalidade dos personagens e do que tá acontecendo nas cenas em que uma música é pedida, você meio que já sabe onde a música vai entrar. É como se onde faltasse um diálogo, ou tivesse um respiro, a música entrasse.

Poucas cenas me chamam atenção do diálogo entre a trilha e a música, mesmo apesar de gostar dela (demais) num geral. Até talvez mais que em Maria Antonieta.

Principais cenas

A primeira, é com “Sweet Emotion”, do Aerosmith logo no início do filme. De cara, ela já te dá a introdução e abre o jogo sobre o que mais ou menos o filme vai se tratar. Você sente que é sobre adolescentes e todo aquele contexto escola/ensino médio.

Depois, quando os alunos são de fato liberados da sala de aula para as férias. Senti ali uma coisa meio High School Musical, papel sendo jogado pra cima, felicidade, histeria. Só que ao invés de ter uma coreografia pensada, música feita pelos próprios atores e essa coisa mais soft, tem “School’s Out”, do Alice Cooper. Algo que combina pra época retratada e todo seu estereótipo. Tira tudo e deixa apenas o rock !

Não sei se eu acabei saturando conforme o filme foi passando ou se realmente essas são realmente as cenas que mais me pegam, já que a próxima cena que vou falar é literalmente sequência das outras duas.

O próximo momento é quando há uma perseguição de carro dos veteranos aos calouros. Uma coisa legal, porque parece que que os calouros tem 12 anos mas tão ali dirigindo normalmente em alta velocidade e nada acontece com eles. Enquanto isso, toca “Jim Dandy”, do Black Oak Arkansas. Combina bastante.

Vale a pena?

É mais um filme de representação de adolescência, com apelo pra nostalgia e com boa trilha sonora, apesar de homogênea. Vale a pena assistir? Pelos figurinos e pela combinação da trilha, diria que sim. A trilha tem esse diálogo espetacular como acontece em Maria Antonieta? Certamente não. Mas, te pega mesmo se você não gostar de rock pelas ligações que faz com determinadas cenas. Não é nada demais, mas é legal.

Se quiser conferir apenas a trilha, sem assistir ao filme, está aqui:

(Mas ela fica 100% melhor se junta do filme)

6.5/10


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