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Review: “times”, de SG Lewis

Há alguns bons anos que a música eletrônica não é tão bem representada como SG Lewis o vem fazendo. Suas influências oitentistas e a capacidade de mesclar elementos com maestria o tornaram um dos grandes produtores da atualidade.

Por em 19 de fevereiro de 2021

Há alguns bons anos que a música eletrônica não é tão bem representada como SG Lewis o vem fazendo. Suas influências oitentistas e a capacidade de mesclar elementos com maestria o tornaram um dos grandes produtores da atualidade. Porém, a história muda na hora de produzir para si mesmo, e não para outros artistas, e isso também foi feito com uma qualidade excepcional em seu disco de estreia ‘times’, lançado nesta sexta-feira (19), o qual você confere agora o review. 

Samuel George Lewis é um cantor, produtor e compositor inglês de 26 anos que já trabalhou com nomes como Khalid, Dua Lipa, Victoria Monet, Clairo e muitos outros. Sua principal influência sonora está na house music oitentista, desde a identidade visual até os elementos sonoros presentes em suas produções. Samuel, que já veio ao Brasil, demonstra completo controle sobre tudo o que compõe suas obras.

Como SG Lewis conquistou seu espaço no mercado

Seu primeiro single ‘Warm’ foi lançado em 2015. No ano anterior, SG assinou contrato com a Universal Music após remixar para Jessie Ware, que também faz parte da gravadora. Desde então, Lewis coleciona parcerias de peso e alguns EPs lançados ao longo dos anos. Tudo isso culminou no lançamento de seu primeiro disco de estúdio, ‘times’.

Durante todo o processo de criação do disco, Samuel passou muito tempo produzindo para outros artistas – ele está presente em ‘Hallucinate’ da Dua Lipa e em “Experience” da Victoria Monet em parceria com Khalid. Todo esse trabalho criou uma linha de conexões que possibilitou que SG trouxesse para seu disco artistas como Nile Rodgers e Channel Tres. 

Não precisa ir muito longe para identificar de onde você já escutou a sonoridade presente em ‘times’. Para ser mais específico, se você gosta do ‘Future Nostalgia’, são enormes as chances de você gostar do disco do SG Lewis. 

Distribuição | Universal Music

‘times’ é sua declaração de amor à pista de dança

Com uma pegada completamente oitentista de vanguarda, Lewis celebra a pista de dança, os sintetizadores e a house music de uma forma pouco vista por artistas que estão no espectro do mainstream. 

O disco inicia com ‘Time’, parceria com Rhye, que já abre os trabalhos informando que ‘há harmonia na música, há harmonia no comportamento das pessoas, e por isso tivemos um ótimo momento’. A linha de baixo parece ter sido retirada dos melhores momentos do Daft Punk, enquanto a harmonia poderia facilmente ser trilha sonora de um filme conceitual que se passasse nos anos 80. 

A capacidade de incorporação dos detalhes sonoros é o que deixa o disco tão rico e com vida. ‘times’ não foi feito apenas como uma homenagem para a música, e sim como um belo agradecimento e retribuição por todos os momentos. 

‘Feed The Fire’ com Lucky Davies, ‘Back To Earth’ e ‘One More’ com Nile Rodgers só confirmam o que foi falado anteriormente: a capacidade de produção e de detalhes incorporados no disco o transforma em uma pista de dança pronta para ser explorada em todos os seus ambientes.

‘One More’ é um dos grandes destaques do disco, provavelmente a música que SG Lewis mais se arrisca e investe em elementos mais atuais para compor e ambientar a canção. A classe de Nile Rodgers é facilmente identificável com uma guitarra indistinguível que se mistura com as batidas cativantes e a linha de baixo surpreendente. 

Most of the disco music at that time had harmony. And the… and the harmony, I found it to be essential in dancing. If the music lacks harmony, it doesn’t move me at all. And I don’t feel like getting up out of my chair to dance.

-Rosnie’s Interlude

O grande momento do disco é a declaração de amor em sua forma mais clara e dividida em duas partes. Em ‘Rosnie’s Interlude’, que precede a incrível ‘Chemicals’, SG utiliza das declarações do guru da música eletrônica Alex Rosner. No texto, Alex cita a harmonia como a alma da música, é o elemento essencial que te faz querer dançar, bater o pé, sentir a música como um todo. O ápice está no final, em que a Interlude termina e com uma transição impecável inicia ‘Chemicals’.

‘Chemicals’ foi lançada em 2020 e recebeu a aclamação da crítica e do público por sua produção impecável e sua letra declarando todo o amor que fora apenas revelado após o uso de ‘chemicals’. 

‘Se você ficar, podemos sempre culpar as químicas… eu posso até estar vendo tudo dobrado, mas eu preciso de você em dobro… posso até estar vendo em dobro mas você é a única.’ 

Com certeza o destaque do disco fica por conta de ‘Chemicals’, que complementa a essência de ‘times’ de uma forma que um disco não fazia com uma música já lançada há um bom tempo. O disco de SG Lewis atinge seu ápice e inicia o fechamento dessa jornada cheia de dança, paixão e reverência. 

O fechamento emotivo de ‘times’ – disco de estreia de SG Lewis

‘Impact’ com Robyn e Channel Tres, ‘All We Have’ com Lastlings e ‘Fall’ completam a jornada introspectiva pelo respeito e reverência que Lewis perpetua pela música dance oitentista. 

A ideia de que um disco é sempre uma obra completa, com começo, meio e fim, e conta uma história única, é algo que sempre gera grande interesse. E em ‘times’ não é diferente –  SG Lewis conta diversas história de sua maneira grandiosa e extremamente rica e atenta aos detalhes. Seja em um sintetizador ou na linha de baixo, Lewis sempre é capaz de mostrar um detalhe que pode mudar toda uma música.

A expectativa fica para o que ele é capaz de fazer em um segundo disco, sem a necessidade de se reafirmar na indústria após um trabalho tão coeso e bem produzido. 

‘times’ – SG Lewis

Nota: 9/10


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