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Review: BTS reflete sobre o passado, presente e futuro da carreira em “Proof”

Entre faixas inéditas, compilação de antigos lançamentos, demos e outras gravações, o grupo sul-coreano documenta toda a sua história até aqui

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Foto: Divulgação

No dia 13 de junho, o septeto sul-coreano BTS completa 9 anos de carreira. Para comemorar e refletir sobre a trajetória trilhada até aqui, o grupo lançou, nesta sexta-feira (10), o álbum “Proof”.

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Categorizado como um álbum antológico, o trabalho é uma verdadeira viagem pelas diversas eras que compõem a discografia da banda. Dividido em 3 CDs, o disco traz faixas inéditas, compilação dos maiores sucessos, side tracks escolhidas a dedo pelos membros, demos e outras gravações.

De maneira simultânea ao lançamento do álbum, o BTS lançou o primeiro single do projeto, “Yet To Come”, que acompanha um videoclipe. O trabalho audiovisual apresenta uma atmosfera nostálgica e diversas referências a outros clipes.

Somando isso ao clima da faixa lenta, de hip-hop alternativo, cria-se uma síntese do que é o “Proof”: uma excursão ao passado vista pela janela do presente. Paralelamente, o disco é a promessa de um futuro animador.

Isso acontece pois, apesar do clima de nostalgia e retrospecção, o grupo não deixa de apontar para o que está à frente. “Sim, o passado foi, honestamente, o melhor / Mas o meu melhor é o que vem a seguir”, cantam.

CD 1: O momento mais bonito da vida

A primeira parte do “Proof” é iniciada por “Born Singer” – uma reinterpretação da faixa “Born Sinner”, lançada originalmente por J. Cole, em 2013. Antes liberada como um cover independente, a versão do septeto finalmente ganhou espaço em um trabalho oficial.

A música é um relato sincero e carregado de emoção dos membros, que na época passavam pela transição entre trainees de uma pequena empresa de K-pop para artistas estreantes. Seguindo uma ordem cronológica, o álbum reapresenta as canções “No More Dream”, “N.O” e “Boy In Luv”, singles dos primeiros EPs do grupo.

A primeira parte do disco é fechada por “Danger”, que pertence ao primeiro álbum de estúdio do BTS, “Dark & Wild”. Até aqui, a sonoridade é composta principalmente por elementos de hip-hop e uma atmosfera de determinação visceral. No entanto, há uma mudança brusca a partir de “I Need U”, single que abre a era “The Most Beautiful Moment In Life”.

Nessa e nas faixas subsequentes (“RUN”; “Burning Up (FIRE)”; “Blood, Sweat and Tears” e “Spring Day”), vemos o grupo experimentando elementos mais pop e gêneros como house music, EDM, pop rock e mais.

Esse amadurecimento colide com o crescente sucesso da banda no mercado ocidental, em um patamar que ainda não havia sido alcançado por nenhum artista de seu país de origem. Entre 2017 e 2020, o BTS desenvolveu os projetos “Love Yourself” e “Map Of The Soul” – representados no mais recente trabalho com as músicas: “DNA”; “FAKE LOVE”; “IDOL“; “Boy With Luv (feat. Halsey)” e “ON”.

A esse ponto, o nome BTS já era conhecido em um nível global. No entanto, uma nova fase mostrou que não havia limites para o sucesso do grupo. Com os projetos “BE” —que aparece no novo álbum com “Dynamite” e “Life Goes On” — e “Butter”, os artistas furaram de vez a bolha e se tornaram, definitivamente, um dos maiores nomes da música na atualidade.

E é assim, recapitulando toda a jornada até aqui, que os sul-coreanos encerram o primeiro disco de “Proof”. Depois de passear pelas outras 17 faixas, o carro-chefe “Yet To Come” carrega um simbolismo ainda maior, encaixando-se perfeitamente no contexto do CD.

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Fotos: Divulgação

CD 2: A união de identidades dos integrantes

A segunda parte é uma combinação de faixas-solo e units selecionadas pelos membros. Em vídeos publicados nas redes sociais, intitulados Proof Of Inspiration, os sete explicaram suas relações com as músicas escolhidas.

Dessa mistura, nasce um CD que abarca todos os gostos: estão presentes a enérgica “Intro: Persona” e a clássica “BTS Cypher PT. 3: KILLER”, interpretada pelos rappers RM, SUGA E J-Hope. Do outro lado, estão canções mais lentas, como “Singularity” e “00:00 (Zero O’ Clock)”, apresentada pelos vocalistas Jin, Jimin, V e Jungkook.

Portanto, não há novidades aqui, exceto “Run BTS” – que é certamente a música mais marcante entre as inéditas. É essencialmente uma faixa de hip-hop, e entrega uma batida frenética e clima descontraído.

Nesse sentido, “Run BTS” pode ser comparada a outros títulos do catálogo inicial do BTS, que exibiam o caráter jovial e livre dos sete integrantes, como “Attack On Bangtan”; “So 4 More” e “Boyz with Fun”. Certamente agradará os fãs veteranos, mas também aqueles que não estão habituados a essa faceta dos artistas.

Foto: Divulgação

CD 3: Para a juventude

O terceiro e último CD de “Proof” é composto por demos, gravações oficiais de músicas já conhecidas pelo público e três faixas inéditas. Apesar de ser uma parte formada principalmente por “rascunhos” de lançamentos oficiais, alguns títulos fazem o play valer a pena.

“Spring Day” é um exemplo: a demo conduzida por V traz vocais suaves e emotivos. A versão de “DNA” apresentada por J-Hope é outro ponto forte. O membro que normalmente atua como rapper mostra, aqui, seu agradável timbre de canto.

Dentre as demos a coroa fica com a versão alternativa de “Epiphany”, solo de Jin. O cantor traz uma melodia tão bonita quanto a da versão oficial; embalada por uma interpretação que alterna entre high notes, falsetes e notas suaves.

O CD inclui, também, uma gravação de “Tony Montana”, interpretada por SUGA (sob o pseudônimo Agust D) e Jimin, que troca os costumeiros vocais afáveis por versos de rap. Há, ainda, uma versão “a cappella” do solo “Still With You”, de Jungkook. A falta da batida de jazz e efeitos presentes na faixa original podem causar um estranhamento inicial, mas isso logo passa – apenas a voz calorosa do cantor é mais do que o suficiente.

Por fim, a terceira parte do álbum traz as inéditas “Quotation Mark”, “Young Love” e “For Youth”, que abrangem uma sonoridade R&B. A primeira apresenta J-Hope, RM e Jungkook em uma batida pop remetente ao início dos anos 2000; enquanto a segunda traz RM e Jungkook em uma batida mais tranquila e romântica.

“For Youth” é a conclusão geral. A canção é dedicada ao fandom do grupo, o ARMY, e cimenta as memórias da juventude dos sete integrantes do BTS. “Estarei com você pelo resto da minha vida”, prometem os artistas ao final.

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Fotos: Divulgação

Conclusão

“Proof” é um álbum longo, mas que documenta perfeitamente a trajetória de um dos maiores nomes da geração atual. É um convite do septeto para todos aqueles que desejam embarcar em uma jornada de autoconhecimento com eles.

Mas há um ponto negativo: o terceiro CD está limitado às versões físicas do álbum. A decisão de limitar o alcance das demos é compreensível, já que se tratam de faixas não-finalizadas. Portanto, não seria necessariamente um problema – isso é, se as músicas “Quotation Mark” e “Young Love” também não tivessem sofrido o mesmo fim.

“For Youth”, no entanto, está disponível para stream nas principais plataformas digitais. Desse modo, é lamentoso o fato de que duas músicas sólidas e encantadoras não estão acessíveis de forma mais fácil para o grande público.

Mas, atravessando esse fator desfavorável, “Proof” cumpre com louvor o seu papel: sumarizar a discografia e mensagens da banda desde 2013, enquanto aponta para uma nova fase. Os últimos nove anos podem ter sido bons para o BTS; porém, de acordo com o próprio grupo, o novo capítulo será ainda melhor.

Nota: 9/10

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