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Review: Aurora apresenta um novo lado de sua música em “The Gods We Can Touch”

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Ao longo dos últimos anos, Aurora encantou ao mundo com sua música e, rapidamente, tornou-se uma das grandes revelações da indústria. Dona de uma voz doce e um talento único, a cantora criou um universo próprio por meio de sua arte, fazendo dela um espaço livre para retratar seus sentimentos e suas confissões pessoais.

Com cada vez mais ouvidos atentos à sua música, a artista nunca esteve com números tão expressivos como em 2022. “Runaway”, faixa de seu trabalho de estreia, voltou a repercutir depois de crescer no TikTok, o que fortaleceu o nome da cantora e as expectativas para os seus próximos passos nos últimos meses.

Em seu terceiro álbum de estúdio, “The Gods We Can Touch”, a norueguesa apresenta ao público um novo lado de sua sonoridade e também de si mesma. Com um estilo eletrônico e contagiante, o disco carrega uma atmosfera muito mais grandiosa em suas composições, apegando-se a diferentes conceitos para retratar as imperfeições da cantora e de nós mesmos.

A obra consagra o auge criativo de Aurora Aksnes até aqui, com seu trabalho mais inspirado e confiante. “The Gods We Can Touch” não apenas nos faz dançar em alguns momentos e refletir em vários outros, mas também nos apresenta ao seu lado mais artístico de forma inédita, tanto para os fãs mais antigos, quanto para os mais novos.

As histórias por trás de “The Gods We Can Touch”

Para compor as músicas de “The Gods We Can Touch”, Aurora idealizou um mundo à parte em que pudesse escrever sobre as experiências humanas de uma forma especial. Em grande parte das faixas, a cantora narra suas histórias em meio a diferentes deuses da mitologia grega, a fim de destacar as vulnerabilidades que existem mesmo entre eles —  o que explica o título do álbum e também a temática por trás das letras.

As canções atravessam vários universos imaginários ao longo do disco, mas sem jamais abandonarem nossa realidade ou perderem o tato artístico de Aurora. Apesar de muitas faixas soarem como suas vivências pessoais, em muitos casos a cantora busca reproduzir os sofrimentos que existem em outras realidades, especialmente as de seus fãs.

Leia também: Aurora: o que esperar do novo álbum “The Gods We Can Touch”?

Em entrevista a Gay Times no ano passado, Aurora afirmou que a luta da comunidade LGBTQIA+ foi uma das grandes influências para o álbum, o que fica claro a cada vez que a norueguesa canta sobre o amor. Na maioria das vezes, as música não falam somente sobre os seus amores pessoais, mas dizem respeito principalmente sobre os tantos outros ao seu redor.

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Foto: Divulgação

“Eu fui inspirada pelas comunidades gay, trans e drag. Não importa o quanto o mundo esteja contra eles, ainda assim eles conseguem pôr tanta alegria, cor e luz para fora”, declarou a cantora. “Você vê isso acontecer de novo e de novo com tantas pessoas que escolhem o amor ao invés do ódio, mesmo que o mundo esteja constantemente lutando contra eles”.

“Cure For Me”, o primeiro single lançado do disco, é um claro exemplo da temática que o trabalho carrega consigo. A música foi inspirada pelos países que têm legalizado as terapias de conversão para pessoas LGBTQIA+, incluindo a própria Noruega, e se tornou um hino do amor próprio, o que motivou Aurora a se aprofundar no tema em outras canções.

De acordo com Aurora, esta é a primeira vez que ela escreveu com tamanha honestidade em sua carreira sobre o amor, seja com otimismo ou com pessimismo. Em “Exist For Love”, gravada ainda em 2020, a artista versa sobre viver em razão do amor ao mesmo tempo que reflete sobre as pessoas que são julgadas por quem elas amam. Já em outros momentos, como em “A Dangerous Thing”, a cantora se mostra sem esperanças, dizendo que “não há amor no final”.

O disco mais contagiante de Aurora

Uma das principais novidades de “The Gods We Can Touch” está em sua sonoridade. Ao contrário do drama melódico de seus antecessores, o disco é repleto de músicas contagiantes e, por vezes, até mesmo dançantes — um lado musical de Aurora que ainda não conhecíamos, mas em que a cantora soa extremamente confortável.

O álbum tem início com uma trinca de faixas mais alegres: “Everything Matters” introduz o universo da obra, abrindo o caminho para outras canções que seguem a mesma linha, como “Giving In To The Love” e “Cure For Me”. A cantora trata de temas mais pessoais em um compasso leve, sem abrir mão da felicidade que a acompanha ao longo do trabalho.

Em momentos mais reflexivos, o disco assume uma sonoridade mais densa e instrumental. “Exist For Love” e “Heathens” freiam o ritmo acelerado das demais faixas com melodias mais expressivas e sensíveis, dando um novo clima para o álbum nas canções seguintes, mas com o mesmo senso de novidade. Músicas como “Artemis”, por exemplo, também mostram elementos inéditos no som da norueguesa, enriquecendo ainda mais a experiência.

“The Gods We Can Touch” tem um estilo muito distante daquele que Aurora se tornou conhecida no início de sua trajetória, com “All My Demons Greeting Me As A Friend” em 2016. Hoje, a cantora soa muito mais segura de si e de sua própria música, abrindo-se para novas sonoridades com o toque autêntico que a tornou conhecida ao redor do mundo.

Para dar início à sua nova fase, Aurora nos entrega o melhor e mais completo álbum de estúdio de sua carreira: uma experiência que atravessa diferentes ritmos, influências e tons e serve ao público um lado inédito de sua arte, permitindo-nos conhecer melhor o seu universo de forma única.

8 / 10

Em seu terceiro álbum de estúdio, Aurora experimenta novos estilos e nos entrega o melhor e mais completo trabalho de sua carreira

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