O Muse fechou a última noite de Rock in Rio 2019 com um show arrebatador. Pela segunda vez no festival no Brasil – a primeira foi em 2013 -, Matthew Bellamy, Christopher Wolstenholme e Dominic Howard entregaram uma apresentação tecnológica e futurista.

Foto: Helena Yoshioka/I Hate Flash

Porém, a megaprodução não conversou com parte dos fãs do Imagine Dragons, que tocou no Palco Mundo horas antes. Após o show da penúltima banda da noite, notou-se mais espaços vazios do que antes.

De qualquer forma, o Muse entregou, literalmente, um espetáculo. Hoje (9), o trio fará um show solo no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, com abertura da banda Kaiser Chiefs. Sabemos que a estrutura de festival e de show solo são diferentes, mas o que esperar da apresentação paulistana? Para isso, relembre os principais momentos da última apresentação do Rock in Rio 2019 e nossos palpites para o show de mais tarde:

Setlist do show do Muse

Os músicos vieram com a turnê do álbum “Simulation Theory”, de 2018, e focaram parte de seu setlist nas músicas do novo disco. O grande público, embora parecesse animado com o som – a exemplo da performance de “Paranoid” -, entoou mesmo foram os hits mais antigos. “Supermassive Black Hole”, “Hysteria” e “Madness”, por exemplo, levantaram a Cidade do Rock, que entrou em sincronia com os britânicos.

Não devemos esperar um setlist diferente no Ginásio do Ibirapuera. O que talvez possa acontecer é da banda atender ao apelo de sua fã base, que tem insistido para Matthew e companhia tocarem “Showbiz”, faixa de seu primeiro álbum homônimo de 1999. Além, claro, de incluir uma música ou outra mais “underground”, o que nem sempre é possível em um festival.

Megaprodução

Como de praxe, o Muse entrega uma produção de primeiríssima qualidade em seus shows. Na turnê de “Simulation Theory”, toda futurista, destacaram-se a presença de robôs, trompetistas repletos de LED pelo corpo, uma máquina de arcade e figurinos tecnológicos, que incluem a jaqueta e os óculos de Matthew Bellamy.

Foto: Wesley Allen/I Hate Flash

Quanto ao show em São Paulo, foi discutido se rolaria uma produção bem ao estilo Muse, com a presença obrigatória de uma longa passarela. A apresentação, que estava marcada para o Allianz Parque, mudou para o Ginásio do Ibirapuera, de capacidade menor – e deixou os fãs apreensivos. Porém, no grupo dedicado à banda no Facebook, na manhã de hoje, foi publicada uma foto – retirada dos stories do Instagram de uma pessoa da produção do evento – que revela a inserção da passarela da turnê. Pode apostar que os britânicos vão apresentar surpresas nesta noite!

Foto: Reprodução/Instagram

Contato com o público e potência sonora

No Rock in Rio, Matthew Bellamy se mostrou um verdadeiro showman. O vocalista soube usar seu carisma para alavancar o resultado final da noite, estando à frente do público e demonstrando carisma e felicidade. Porém, falou pouco com os presentes. “Rio, nós te amamos” foi uma das poucas frases entoadas, acompanhado de um “olê, olê, olê, Muse” por parte do público, para homenagear a banda – que rolou por mais uma ou duas vezes, em momentos diferentes do show. No fim da apresentação, o baterista Dominic Howard pegou o microfone, esbaforido, para agradecer à presença.

Foto: Wesley Allen/I Hate Flash

Hoje, pode ser que o trio converse mais com a plateia. Em um show solo, a tendência é que a banda se entregue mais aos presentes, já que é uma certeza de que todos ali acompanham sua trajetória.

Mas uma coisa é certa: no festival, toda a banda deu o máximo de si, como normalmente acontece nas turnês do Muse. Não economizaram nos poderosos riffs de guitarra e nas explosões sonoras que alinham a bateria e o baixo. O resultado foi um som extremamente potente, que deixou embasbacado quem assistiu o show da banda pela primeira vez. No Rock in Rio, talvez fosse similar a proporção de admiradores e de curiosos, mas uma coisa é certa: quem assistiu ao show, não ficou parado.

Logicamente, hoje também assistiremos a um show totalmente enérgico. O Muse não economiza no ótimo resultado que entrega.

Comparação com o Rock in Rio 2013

Saindo do espectro do show de São Paulo, é difícil não traçar comparações com a apresentação da banda no Rock in Rio 2013 com a do Rock in Rio 2019. Na época, o Muse trazia a turnê do álbum “The 2nd Law”, que popularizou canções como “Supremacy” e “Madness”. Embora tenha sido um show excelente e extremamente cativante – se cabe uma opinião aqui, foi o melhor show que já fui na minha vida -, o show do Rock in Rio 2019, com a turnê de “Simulation Theory”, trouxe uma produção mais caprichada.

Porém, a apresentação de 2013, headliner no segundo dia de evento, foi no mesmo dia das bandas 30 Seconds To Mars e Florence + The Machine. Os fãs dos britânicos eram maioria no recinto – o que levou uma energia vigorosa e de perfeita sintonia para o show da época. Desta vez, o Muse dividiu as atenções com o Imagine Dragons, cuja fã base tem crescido exponencialmente – e era a maioria da noite. Portanto, no quesito “público”, a apresentação do Rock in Rio 2013 está à frente da de agora.

Entende-se que, em um domingo à noite, é complicado permanecer no Rock in Rio até altas horas. Especialmente porque o Muse começou seu show um pouco mais tarde do que o habitual – às 0h40. Também é compreensível o fato de que a fã base do Imagine Dragons é exageradamente dedicada, A maioria da dispersão ocorreu na frente do palco, e é subentendido que boa parte daquele público estava concentrado ali desde tarde para garantir um bom lugar. O cansaço, obviamente, era nítido. Porém, a premissa de um festival é conhecer bandas novas. Quem não deu chance de curtir o show do Muse, mesmo que de longe, só porque não era o show de seu grupo favorito, perdeu uma produção robusta e merecedora de atenção.

Por fim…

Embora um pouco mais vazio que a apresentação do seu antecessor, o show do Muse no Rock in Rio 2019 foi tão animado quanto. A banda não deixou ninguém ficar parado com seu som poderoso, ainda mais ao vivo, e arrancou elogios de quem o assistiu, tanto pela qualidade das músicas, quanto pela estrutura completa da turnê. Inclusive, é um dos candidatos ao posto de melhor show – no sentido literal da palavra, mega produzido – desta edição do festival, competindo com Iron Maiden, no dia 4, e P!nk, no dia 5.

Foto: Wesley Allen/I Hate Flash

Portanto, para quem vai no show solo de São Paulo hoje, não espere menos do que foi visto no Rock in Rio 2019. Para quem é fã, possivelmente rolem algumas surpresas não vistas no festival, de cunho mais intimista, o que torna a experiência ainda melhor.

A turnê de “Simulation Theory” trouxe, ao Brasil, um Muse totalmente alinhado à ciência e à tecnologia. Se o Muse é “do futuro”, pode apostar que é neste futuro que a gente quer viver.

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