Por Allan César, Fernando Marques e Gabriel Haguiô - 2024 foi um ano de grandes...

Por Allan César, Fernando Marques e Gabriel Haguiô – 2024 foi um ano de grandes novidades para a música no Brasil e no mundo. Desde febres midiáticas, trabalhos experimentais e grandes sucessos, os últimos meses foram movimentados e repletos de ótimos lançamentos.
Como em todo final de ano, o Tracklist listou os melhores álbuns nacionais e internacionais de 2024, com o objetivo de relembrar e celebrar os principais discos do ano. Confira as listas abaixo!
Observação: A lista inclui trabalhos lançados entre os dias 1º de janeiro e 1º de dezembro de 2024. Os títulos foram escolhidos a partir da opinião dos redatores e da equipe do Tracklist, além de considerar a opinião da crítica especializada.
“Tyla+” é a edição deluxe do álbum de estreia da cantora sul-africana Tyla, lançado em outubro de 2024. Por mais que seja um relançamento, o material se destaca pela ampliação do repertório original e a versatilidade artística da cantora. Com grandes videoclipes, a era foi extremamente bem trabalhada, não só colocando a cantora em grandes festivais e premiações, mas também colocando novamente a música afro e a cultura negra no centro do debate. “Push 2 Start”, um dos singles do relançamento, caiu nas graças do público, sendo uma das faixas mais ouvidas no mundo atualmente dentro do Spotify.
“From Zero”, do Linkin Park, representa um renascimento corajoso para a banda, marcando seu retorno após a perda do vocalista Chester Bennington. Com a adição de Emily Armstrong nos vocais, o álbum mescla a energia crua característica do grupo com uma nova perspectiva, resultando em faixas que equilibram nostalgia e inovação. Canções como “The Emptiness Machine” e “Two Faced” demonstram a capacidade da banda de abordar temas profundos com intensidade emocional, enquanto exploram novas direções. A produção é robusta, mantendo a assinatura sonora do Linkin Park, mas incorporando elementos que revitalizaram seu som.
Se em inglês se diz que “third time’s the charm” (que pode ser traduzido como “a terceira vez dá sorte”), Clairo levou o ditado ao pé da letra em seu terceiro disco. Em “Charm”, a cantora transforma o seu pop melódico com paletas de folk, R&B e soul que redefiniram a sua sonoridade de diferentes modos.
Músicas como “Sexy To Someone” e “Add Up My Love” nos apresentam à sua versão mais divertida, enquanto “Juna” e “Echo”, entre muitos possíveis exemplos, impressionam pela riqueza das instrumentações. O meio-termo entre o descompromisso e a profundidade, que sempre foi marca registrada do trabalho da artista, encontrou a sua melhor forma em “Charm”, um trabalho aconchegante que reflete o melhor que Clairo tem a nos entregar: um dos melhores álbuns de 2024.
“Short n’ Sweet“, de Sabrina Carpenter, marca uma transição na carreira da artista, consolidando-a como uma força emergente no pop. O álbum explora temas de amor, crescimento pessoal e autodescoberta, apresentando uma maturidade notável se compararmos aos seus trabalhos antigos.
A produção incorpora elementos de pop tradicional com influências de R&B e música eletrônica, resultando em uma sonoridade atual, sem ser enjoativo ou datado. Canções como “Espresso” e “Lie To Girls” destacam a versatilidade vocal de Carpenter e sua habilidade de transmitir emoções complexas de maneira autêntica.
Lançado ainda em janeiro de 2024, “Orquídeas” é um daqueles projetos que te pegam facilmente. Ao longo de 14 faixas, Kali Uchis explora uma verdadeira fusão de gêneros, comprovando sua versatilidade artística e o quão boa ela pode ser quando o assunto é ousar. As parcerias com Peso Pluma, Rauw Alejandro e Karol G tornam o material ainda mais interessante, indo totalmente contra ao óbvio do que se espera de “artistas latinos”.
O sétimo álbum de estúdio de Ariana Grande, “Eternal Sunshine”, é o seu material mais introspectivo e, ao mesmo tempo, aberto, abordando criteriosamente seu divórcio com o corretor de imóveis Dalton Gomez. No álbum, é possível observar uma Ariana que explora ainda mais o seu lado compositora, expondo de forma vulnerável uma ferida na vida da artista e seu processo de reconstrução. As canções “Bye”, “True Story” e “Don’t Wanna Break Up Again” são os grandes pontos fortes do projeto.
“Only God Was Above Us” é uma verdadeira celebração da energia e história de Nova Iorque. Combinando rock alternativo, música clássica e influências globais, o Vampire Weekend cria um som que pode ser comparado aos momentos de ouro de sua carreira. A produção é meticulosa, com camadas sonoras que revelam novos detalhes a cada audição, tornando o álbum uma experiência rica. O disco merece seu lugar entre os melhores do ano por mostrar a capacidade da banda de se reinventar e criar algo tão vibrante e impetuoso.
2024 não poderia ter sido melhor para Kendrick Lamar. Entre a troca de disses que protagonizou com Drake, o lançamento de sucessos como “Not Like Us” e “Like That” e a consagração com o cobiçado show no intervalo do próximo Super Bowl, o artista comandou a discussão no hip-hop ao longo de todo o ano. Todos esses caminhos resultaram em “GNX”, uma obra que nos apresenta à versão mais confiante e imponente de K. Dot, mas também se aprofunda no existencialismo de sua carreira. Kendrick substitui a autocrítica pela autoafirmação em um disco que, pela primeira vez em anos, não tem a intenção de abraçar o peso do mundo ou de seu passado, mas sim celebrar que o moldou como artista e pessoa na costa oeste dos Estados Unidos.
“Chromakopia“, de Tyler, The Creator, representa um marco significativo na carreira do artista, evidenciando sua contínua evolução e capacidade de se reinventar. O álbum mergulha em temas introspectivos, abordando desde crises existenciais até reflexões sobre a fama e a identidade pessoal. A produção é rica e diversificada, incorporando influências que vão do hip-hop clássico a elementos mais experimentais, resultando em momentos impactantes durante o trabalho – elementos que o incorporam à lista de melhores álbuns de 2024. Faixas como “Like Him” e “Hey Jane” destacam a profundidade emocional e a habilidade lírica de Tyler, enquanto outras como “Sticky” e “I Killed You” adicionam camadas adicionais de complexidade ao projeto.
Desde que surgiu na cena alternativa, o Magdalena Bay surpreende ao público pela autenticidade que conseguiu encontrar para criar experiências imersivas através da música. Em “Imaginal Disk”, o duo formado por Matt Lewin e Mica Tenenbaum se escora na ficção científica para divagar sobre o que significa ser humano, uma questão que abre diferentes margens e discussões ao longo do disco. A sonoridade acompanha o clima extraterrestre, com uso e abuso de sintetizadores que conduzem a audição, como nas progressivas “Killing Time” e “Cry For Me” e no sucesso “Image”. “Imaginal Disk” é uma jornada experimental que parte do terreno até o surreal, rompendo com as fronteiras do pop convencional e expandindo os horizontes para a dupla.
Uma das habilidades que transformaram o Fontaines D.C. em uma revelação do rock moderno é a destreza que a banda encontra para se reinventar, e “Romance” é um reflexo de seus melhores talentos. O disco eleva o grupo a um novo patamar, desde faixas explosivas como “Starbuster” e “Here’s The Thing” até canções mais melódicas como “Bug” e “Favourite”. O álbum compreende as principais influências do pós-punk para dar vida a composições sobre experiências igualmente contemporâneas, em um trabalho arrebatador que não só comprova a evolução artística do quinteto, mas também encontra o seu auge até aqui.
Em “Hit Me Hard And Soft”, Billie Eilish mostra sua evolução artística com um som único e cativante. Ela combina elementos de seus trabalhos anteriores com novas ideias, criando músicas que falam sobre fama, autoconfiança e vulnerabilidade. A produção, feita com seu irmão Finneas, traz arranjos surpreendentes e mudanças de ritmo que mantêm a atenção do ouvinte, principalmente ao serem usadas com o apoio dos sintetizadores.
Canções como “The Greatest” destacam sua habilidade de conectar emoções profundas com melodias marcantes. Além disso, o disco conta com “Birds Of A Feather”, um dos grandes hits do ano que reafirma o talento de Billie como uma das artistas mais criativas e consistentes da música atual.
O oitavo disco de estúdio de Beyoncé é de longe um dos materiais mais ousados, inovadores e coesos da discografia da artista. Indo na contramão do que fez sucesso este ano, “Cowboy Carter” explora gêneros como country, soul e rock, além de trazer inúmeros questionamentos sobre as raízes texanas da artista.
Outro tema presente em boa parte do material é a força feminina, principalmente em adversidades e ambientes tradicionalmente masculinos; letras como as de “Texas Hold ‘Em” e “16 Carriages” destacam essa narrativa. Com indicações ao Grammy, o material novamente comprova que não importa o que a artista decida fazer ou falar, a qualidade e a dedicação em criar algo grande estará lá.
Após anos batalhando na cena, este ano a rapper americana Doechii conseguiu efetivamente prender a atenção do público. Sua mixtape “Alligator Bites Never Heal“, lançada em de agosto, foi sem dúvidas um dos grandes projetos do ano. Com 19 faixas, o material destaca a versatilidade artística da americana, mesclando hip hop alternativo, com R&B e trap, além de letras ousadas e divertidas que não víamos há um tempo no rap feminino.
Com os dois pés na porta, é importante destacar que o single “Nissan Altima” foi indicado ao Grammy por “Melhor Performance de Rap”, enquanto o projeto completo recebeu uma indicação para Melhor Álbum de Rap. Doechii também foi indicada na categoria “Artista Revelação”, provando que veio para ficar.
Ao longo de sua carreira, Charli XCX aprendeu como causar barulho entre o seu público. Antes mesmo de “Brat” ser lançado e se tornar o fenômeno cultural que marcou 2024, a cor verde de sua capa já tomava as redes sociais, e a curiosidade tomava a atenção de fãs e usuários mais distantes da artista. O que transformou o disco na maior febre do ano, porém, não foi o seu marketing, a sua estética e tantos outros elementos que marcaram os últimos meses, mas sim a sua música.
A cantora transporta o ouvinte para uma balada qualquer, um ambiente no qual tem feito o seu nome como produtora nos anos recentes. Sob seu autotune característico, Charli canta sobre flertes, drogas, mensagens de texto, romances e tantos outros temas que pautam os seus discos, seja na euforia de “Club Classics” e “Von Dutch” ou no pop chiclete de “360”, “Talk Talk” e “Apple”. Em “Brat”, no entanto, a artista faz das pistas um espaço para se abrir em relação às próprias inseguranças – um dos pontos que o consagra como o vencedor da lista de melhores álbuns internacionais de 2024.
Como se estivesse conversando com alguém que acabou de conhecer em uma dessas festas, Charli começa a desabafar sobre a sua vida, a sua carreira e as suas relações. Em “Girl, So Confusing”, a artista escreve indiretamente sobre Lorde, detalhando as interações que marcaram seus desencontros – um desentendimento que deu origem à uma nova versão da faixa com a própria cantora em uma das melhores parcerias do ano. Já em “I Think About It All The Time”, Charli canta sobre a ansiedade em se tornar mãe no futuro, depois de se encontrar com um casal de amigos e seu filho.
Em uma indústria tomada por caricaturas e personagens, “Brat” estabelece um espaço singular para Charli. Como compositora, a britânica não teme em expor seus vícios, obsessões e medos mais complexos de maneira espontânea. Já como produtora, o disco é um marco definitivo para a sua carreira, apostando em batidas eletrônicas minimalistas, mas agitadas que experimentam novas direções e formatos para o pop atual.
A princípio, não se previa que a febre de “Brat” fosse durar mais que um verão no hemisfério norte; os meses se passaram, contudo, e o sucesso continuou e continua aumentando. Em um profundo respiro de liberdade criativa, Charli deu vida a um dos maiores fenômenos da música pop nos últimos anos somente sendo transparente quanto à própria arte e à si mesma, em uma experiência tão fácil de se divertir, quanto de se identificar.
O que achou da lista? Concorda com a seleção das melhores músicas nacionais e internacionais de 2024? Acompanhe o Tracklist no X/Twitter, Instagram e TikTok e veja o nosso especial de fim de ano completo:
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