O que os porto-riquenhos estão achando da residência de Bad Bunny?

O astro do reggaeton colocou sua terra natal no mapa

Ludmilla CorreiaNotíciasEspecial29 de agosto de 2025

Foto: Eric Rojas/Divulgação

Por Ludmilla Correia, em San Juan, Porto Rico – Depois de conquistar o mundo, ele quer que as pessoas conheçam suas origens. No auge de sua popularidade, Bad Bunny traz os holofotes para a sua terra natal, Porto Rico. Seu último disco, “Debí Tirar Más Fotos”, foi uma carta de amor à ilha, mas também uma forma de protesto político. Como se não bastasse, o astro estabeleceu uma residência histórica de 30 shows que vem movimentando o local em diferentes esferas.

Com início em 11 de julho, apenas para moradores de Porto Rico, a “No Me Quiero Ir de Aquí”, série de shows de Bad Bunny, vem acontecendo religiosamente todas as sextas, sábados e domingos no Coliseu José Miguel Agrelot, na capital, San Juan. De acordo com a equipe do cantor, aproximadamente 15 mil pessoas compõem a plateia em cada data.

Segundo dados obtidos pela Bloomberg, a residência deve atrair cerca de 600 mil visitantes e movimentar aproximadamente US$ 181 milhões na economia local. Outro ponto importante é o aumento do turismo em Porto Rico: as projeções apontam que esse fluxo resultará em um crescimento temporário de 3% nos empregos do setor.

Durante a 15ª data da residência, o Tracklist conversou com alguns boricuas (gíria local para os nativos de Porto Rico) para saber o que eles estão achando desse movimento que vem mexendo nas estruturas da ilha.

Leia também: Bad Bunny: com residência em Porto Rico, o que esperar dos shows no Brasil?

Porto Rico para além do mapa

Natural de Vega Baja, cidade de Porto Rico, o garçom Sebastian Arroyo, de 26 anos, que atualmente mora nos Estados Unidos, veio visitar a família e falou sobre o valor do feito do “coelhão” para seu povo.

“Isso é muito importante para mim e para a minha cultura. Eu sou de Vega Baja, a mesma cidade do Bad Bunny. É um orgulho estar aqui, viajar de Orlando para voltar para a minha casa e poder curtir muito com meus amigos. Eu já tinha vindo duas semanas atrás com meu primo. Este é o meu segundo show, foi uma bênção para mim”, disse ele.

Sebastian com chapéu pava, acessório típico, e a bandeira de Porto Rico. Foto: Ludmilla Correia

A “No Me Quiero Ir de Aquí” abriu para não moradores da ilha apenas no dia 1º de agosto. No entanto, ainda é muito forte a presença de porto-riquenhos nos shows. Quem também marcou presença foi a costureira Diana Segarra, de 27 anos, que foi acompanhada da estudante Greliz Costa, de 23. Ambas ficaram impressionadas com a quantidade de turistas em Porto Rico.

“Estar aqui e ver a quantidade de gente que veio de diferentes países me faz sentir muito orgulhosa, porque ele é daqui e tem a capacidade de mover tantas pessoas”, ressaltou Diana.

Com tantos visitantes, os boricuas viram uma oportunidade de mostrar seu orgulho e apresentar sua cultura aos demais. Diana e Greliz usavam branco e vermelho, cores da bandeira de Porto Rico, e também exibiam a flor málaga, espécie nativa da ilha.

Diana Serrada e Greliz Costa antes do show de Bad Bunny em Porto Rico. Foto: Ludmilla Correia

Bad Bunny e o reggaeton em Porto Rico

Antes de ser conhecido na música latina, Benito Antonio Martínez Ocasio trabalhava como empacotador em um supermercado. Começou a divulgar suas primeiras canções pelo SoundCloud e ganhou notoriedade em 2016 com as músicas “Diles” e “Soy Peor”. Porém, foi com os álbuns “YHLQMDLG” (2020) e “Un Verano Sin Ti” (2022) que Bad Bunny alcançou o estrelato internacional.

Nem sempre Bad Bunny e os ritmos cantados por ele, reggaeton e trap em espanhol, foram bem aceitos pelos locais – especialmente o reggaeton, considerado o “irmão perdido” do funk, que chegou a ser censurado e proibido pelas autoridades. Criado nas comunidades, o ritmo hispânico era considerado vulgar por muitos, pois seus versos relatavam a realidade porto-riquenha, abordando festas, sexo, drogas e a violência policial.

“Eu já gostava da música que ele fazia para a rua. Agora está mais comercial, mas, na verdade, gosto muito mais agora, porque ele está mais patriótico do que antes. E, embora muita gente diga que ele é vulgar, para mim é como se ele contasse a nossa história. É assim que somos; não é que sejamos ruins, é que a cultura nos formou assim”, disse a oficial de polícia Omaris Velázquez, de 28 anos, que acompanha o cantor desde quando ele era mais dedicado ao trap.

Omaris ficou impressionada ao encontrar pessoas de diferentes nacionalidades para os shows. “Olha, estou bem surpresa, porque encontrei gente de todo lugar: mexicanos, colombianos, norte-americanos… de tudo! Fiquei impressionada, é realmente um orgulho ver tudo isso”, complementou.

Omaris Velázquez usava uma camiseta dedicada à ilha e um cinto de dominós, jogo que faz parte da narrativa do último disco de Bad Bunny. Foto: Ludmilla Correia

Repercussão da residência

As vendas para os shows de Bad Bunny em Porto Rico começaram no mês de janeiro. O sucesso foi tão grande que a Ticketera, empresa responsável pela comercialização dos ingressos, entrou para o livro dos recordes.

A companhia bateu o recorde após distribuir a maior quantidade de códigos promocionais de uso único para venda presencial de ingressos em apenas oito horas. Foram vendidas mais de 80 mil entradas, com uma média de quatro por compra, e uma arrecadação estimada em mais de 11 milhões de dólares — o equivalente a mais de R$ 62 milhões.

Bunny fará 30 shows em Porto Rico com a sua residência. Foto: Eric Rojas/Divulgação

“É a primeira vez que fazem uma residência dessa magnitude no nosso país. A economia cresceu muito graças a ele, graças a esse show espetacular que ele fez em Porto Rico. Além do lado cultural, trouxe pessoas para conhecerem nossa bandeira, nosso país, o que somos como porto-riquenhos”, pontuou o trabalhador do setor aéreo Leslie Dávila Guadalupe, de 60 anos.

Talvez muitos pensem que o público dos shows de Benito seja majoritariamente jovem, mas há pessoas de todas as idades. Leslie estava acompanhado de sua filha, que estava comemorando 35 anos, mora em São Francisco, nos Estados Unidos, e ainda trouxe 14 pessoas para ver o astro ao vivo.

“Nem todo mundo gosta da música dele, mas, nesse último trabalho, ele conseguiu mostrar aos jovens que não conheciam o que somos: nossa pava, nossa roupa, a música jíbara, mas com um toque personalizado daquilo que somos como porto-riquenhos.”

“Para mim, foi um grande orgulho. O mais importante é que venha gente de fora e conheça quem somos”, completou.

Leslie Dávila Guadalupe em Coliseu de Porto Rico, ao lado da homenagem músico Tito Puente. Foto: Ludmilla Correia

A “No Me Quiero Ir de Aquí”, residência de Bad Bunny, deve finalizar no dia 14 de setembro. Logo após, o cantor vai cair na estrada com a “Debí Tirar Más Fotos World Tour”. Com a turnê, o artista se apresentará no Brasil pela primeira vez nos dias 20 e 21 de fevereiro. Ainda há ingressos disponíveis no site da Ticketmaster.

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