10 de julho de 2020 por Giovana Bonfim Escudine.

Na última sexta-feira, 3, a banda Lolawolf lançou o mais recente álbum, “Tenderness”. O lançamento anterior à ele foi o single “Baby I’m Dying”, em 2017;

“Tenderness” possui 7 faixas que são diferente de tudo já feito antes pelo grupo, mas, que não fica de forma alguma pra trás na questão de qualidade sonora e de significados. E, para os que não o conhecem, fica uma breve sinopse: Lolawolf é formado por ninguém menos que Zoe Kravitz nos vocais e Jimmy Giannopoulos na produção, tendo um álbum lançado em 2014 e um feat com Miley Cyrus na carreira.  

No dia do lançamento, o Tracklist conversou com Jimmy, que contou sobre a criação do álbum, uma possível futura turnê e muito mais. Não deixe de ler essa incrível entrevista!

Objetivo do álbum

Perguntei a Jimmy o que ele tentava alcançar num geral com o “Tenderness”, e ele me confirmou mais detalhadamente o que tinha percebido: a sonoridade diferente. Enquanto os outros trabalhos do Lolawolf são carregados melodicamente, com muitos sintetizadores, esse já é mais leve. 

Meu foco principal nesse álbum foi a parte de produção, eu queria que ele fosse minimalista e claro. O mais minimalista e claro que pudesse ser. Musicalmente, na parte das letras e em tudo,” diz ele também falando que foi difícil, acabaram saindo mais de 100 músicas para o álbum (que obviamente não entraram pro tracklist).  

Se você escutar a versão original dessas músicas, elas soavam muito diferente. Mas tive esse foco de tirar muita coisa. Tudo que você escuta no ‘Tenderness’ deveria estar ali. Tudo está à vista, nada escondido. Cada coisa tem uma razão de estar ali”.

Novos clipes?

O Lolawolf tem uma outra pegada também muito marcante: os seus clipes, que são esteticamente muito bonitos. Um deles possui até mesmo Travis Scott. Será que teremos clipes dessa era?

Tem alguns que ainda estou editando, filmando, se tudo se alinhar, podemos lançar tudo isso. Muito conteúdo… tem o vídeo que filmamos para uma das faixas do álbum que espero que seja lançado, mas não sei,” respondeu. O último clipe lançado foi para “Teardrop”, colaboração com Miley Cyrus, música lançada em 2016. Seu lançamento tardio se deve provavelmente à várias burocracias do mundo da música, uma de suas grandes reclamações. E com razão.

Eu tenho mil horas de filmagens. Mas nada disso sai porque sempre tem uma razão pra algo não ser lançado. Se dependesse de mim, eu lançaria tudo – lançaria 50 músicas do Lolawolf hoje. Não só do Lolawolf, tudo em que eu já coloquei meu coração. Se pudesse, lançaria todas as filmagens que tenho. Mas eu sinto que se fizesse isso, a indústria da música é muito escorregadia, acho que eu seria processado”.

Razão da longa espera para o álbum

Você pode se perguntar o por quê do extenso espaço de tempo entre um trabalho e outro. Mas a resposta de Jimmy é simples: ele estava dirigindo nada mais que um filme como forma de fugir de sua zona de conforto, a música, com que trabalha há mais de 25 anos. “Como um produtor de música, eu normalmente estou produzindo a todo momento. Sempre dou um jeitinho de ter um tempo para produzir. E quando comecei esse filme eu pensei, ‘ah, eu posso fazer os dois’, mas então eu me dei conta que você não consegue fazer os dois”. Já pelo lado de Zoe, ele diz não saber dizer exatamente, mas dá seu chute que todos nós também diríamos: ela é uma atriz famosíssima no atual momento.

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O filme que acabou de ser filmado e dirigido por Giannopoulos é chamado “The Birthday Cake”, e conta com um elenco pesado. Penn Badgley – com quem também tem outra banda, a MOTHXR – , Ashley Benson, Luiz Guzman, Val Kimmer e mais.

Colaborações

No meio das mais de 100 músicas produzidas para o álbum, Kid Cudi era o colaborador de uma delas. Mas, infelizmente, não entrou para a edição final. Esperamos um side b.

Gostaria de trabalhar como o Kid Cudi de novo, achei ele uma das pessoas mais talentosas que já trabalhei até então. Achei trabalhar com a Miley Cyrus incrível, tem algumas pessoas locais de Nova York que gostaria de trabalhar. Gosto de trabalhar com gente que tem coisas à dizer, que tem experiência de vida.“.

Metas na carreira

Quando digo “muito mais” nos assuntos da entrevista, digo verdadeiramente. O que era pra ter durado por volta dos 15 minutos marcados de entrevista, viraram quase 30 minutos. Mas Jimmy é uma daquelas pessoas apaixonadas por música que você poderia escutar falar por horas. Segundo ele, um de seus maiores desejos é poder compartilhar tudo que sabe sobre música com as pessoas.

Muita gente vê todo esse conteúdo e acha que é tudo feito e produzido pelas melhores pessoas, mas na real não. Você tem que passar por todos os níveis. E acho que compartilhar esse processo criativo seria uma coisa muito interessante. Eu amaria fazer isso com um dos meus projetos em algum ponto”.

Para um super produtor de Nova York, pode parecer tudo muito confortável às vezes – e ele reconhece o privilégio -, mas, nem sempre foi assim. 

Meus pais eram trabalhadores de indústria enquanto eu crescia, então não tínhamos muito dinheiro. (…) Parece que para alguém como eu, minha vida inteira, se eu quisesse lançar música, eu teria que desistir de algo”.

“Se tiver alguém que tem 3 seguidores nas redes sociais, ou nem tem redes sociais, faz um álbum e coloca no Spotify… se essa pessoa quiser competir, quiser fazer parte do entretenimento e não tiver uma voz que alcança longe, não tiver o dinheiro… sabe, porque se você tem dinheiro você pode pagar pelo melhor assessor, você pode pagar até mesmo para escutas”.

“Se pudesse ajudar as pessoas e ensinar as pessoas a criarem, pessoas que não tem os meios ou eram como eu quando estavam crescendo. Era impossível, eu escutava ‘você não vai conseguir’. Sabe, você escuta isso a sua vida inteira. Se eu pudesse compartilhar tudo que aprendi e como fazer com as pessoas, de alguma forma, isso me faria a pessoa mais feliz. Se pudesse fazer isso através da música, seria ótimo.

Parte favorita de fazer parte do Lolawolf

Perguntei a Jimmy qual foi seu momento favorito enquanto esteve no Lolawolf até agora. Você poderia imaginar uma resposta grandiosa, como tocar para milhares de pessoas ou coisa do tipo; no entanto, é algo bastante simples. “Criar música, e isso ter vir de um lugar verdadeiro. Nada bate esse sentimento. Nada. Nem mesmo estando no palco junto da Miley Cyrus na frente de 30 mil pessoas,” diz ele. 

Sabe, esse sentimento de estar lá e todo mundo compartilhando e sentindo. De repente você muda algumas coisas, você toca uma nota diferente e  então todo mundo fica animado! Esse é o melhor sentimento do mundo. Criar sem distrações e com amor. E captar isso. E então escutar isso de novo. Escutar os detalhes, os… sabe, as vezes você está gravando e Zoe diz algo ou eu, e então você escuta e parece profundo. Você escuta e pensa, “uau, é muito especial como chegamos ali”. 

Jimmy diz não saber descrever o sentimento com palavras exatas, mas tenta explicar: “É meio que como se você estivesse no meio de uma quadra de basquete e você jogasse a bola de uma distancia bem grande. E aí ela entrasse na cesta. E então as pessoas estão comemorando, as pessoas que estão junto de você, seus amigos. Sabe, você tentou mas não estava esperando que aquilo você de fato acontecer. Mas então acontece e esse sentimento é tão incrível… é tipo quando você está gravando, você não está tentando fazer algo específico, só estou tentando me expressar. Só estou fazendo tentativas. E você nunca espera criar e dar uma “bola dentro”.

Por fim, ele finaliza nossa entrevista: “Eu acho que a música é maior do que eu. Eu não consigo controlar, sabe. É maior do que eu, eu só participo.

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