14 de junho de 2020 por Giovana Bonfim Escudine.

Num estilo meio “Fleabag“, “High Fidelity” vai se construindo lentamente sob uma lógica parecida, mas, ao mesmo tempo, diferente. É uma história sobre se conhecer melhor em meio ao caos de desastres amorosos, tudo isso, com a relação com a música e suas várias referências.

Rob, personagem principal vivida por Zoe Kravitz, já começa no primeiro episódio falando sobre seus 5 principais desastres amorosos. Com cara de tristeza. Mas uma coisa já começamos daí a perceber: talvez ela narre sua história. E sim, ela narra.

Mas, para por aí a semelhança com Fleabag, de “Fleabag”. Ao contrário dela, Rob se mostra mais introvertida, mais pensativa e menos sarcástica ao longo da série. É algo mais focado em seus sentimentos e sua relação com a música.

Rob, além de uma pessoa muito sentimental, é também uma apaixonada pela quarta arte. Tem sua própria coleção de vinil, uma trilha sonora adequadíssima para todos os momentos de sua vida, e, de quebra, uma loja de vinil com seus dois melhores amigos. Em Nova York. Nada mais que um sonho.

Já que estamos no Tracklist, vamos focar um pouco mais no quanto a música está presente.

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Referências musicais

Em uma cena específica enquanto tenta se recuperar de um término, Rob sai para um date e o cara a pergunta sobre o que acha de gostar de música x de artista y. Não vou dar spoiler por que na minha opinião, é uma das cenas mais lindas de se ver na história. Rob responde que não, e, logo em seguida começa a falar tudo o que acha sobre aquele álbum e banda. É DE FAZER ABRIR UM SORRISO. Nada como alguém falando de coisas que ama, ainda mais quando essa coisa é música, né?

Um dos momentos mais descontraídos e que nos faz refletir um pouco, é quando aparece um cliente na loja e pede um álbum de Michael Jackson. Há um descontentamento entre Rob, Cherise e Simon, tentando fazer com que ele não leve, devido à todas as acusações controversas contra o cantor. Por fim, é levantada a questão: quem iríamos escutar se fossemos cancelar todo mundo que fizesse alguma coisa errada? Talvez só sobrariam Phil Collins e Bono, do U2. Cancelar ou não cancelar? Eis a questão.

Participações especiais e mais

Outra coisa muito legal são as participações especiais e informações sobre música. Se você gosta de música, mas não sabe tanto a fundo, provavelmente vai acabar aprendendo algo. Um dos dates de Rob é músico, e, em algum episódio, vai gravar em um estúdio em Nova York.

Em seu caminho para encontrá-lo, Rob vai falando sobre o estúdio, grandes músicos que já passaram por lá e etc. Inclusive, de quebra, quando chega ao estúdio, o engenheiro de som/produtor é ninguém menos que Jack Antonoff. E seu papel é mesmo de Jack Antonoff.

E Jack não é de longe a melhor participação especial da série. Em outro episódio, quando Rob tenta conversar consigo mesma (escutando “Heart of Glass”, do Blondie), Debbie Harry aparece magicamente para lhe dar opiniões sobre seus pensamentos. Perfeita?

Visões e gostos diferentes

A série vai muito mais além dos sentimentos e gostos musicais de Rob, podendo também ver em vários outros episódios o ponto de vista de seus amigos: Cherise e Simon. Em alguns, é possível reviver dias já vistos antes na série, mas pelo olhar e trilha sonora de gosto de cada um. Acho isso muito legal.

Conclusão

A loja de discos é um ótimo pretexto para incluir a todo momento música na série, e isso é incrível. Ela agrega para mais dos gostos pessoais de Rob, levando músicas de várias nacionalidades (incluindo o Brasil!) e gêneros. Vai do hip hop, passa pelo jazz e R&B e agrega todo tipo de música que você possa imaginar.

São apenas 10 episódios de uma temporada, infelizmente, sem ainda confirmação de uma segunda. Torcemos demais para que role! Ela está disponível no serviço de streaming Hulu.

Fique com um gostinho de “High Fidelity” escutando a playlist da trilha sonora da série:

Nota: 10/10. 

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