Após 3 anos do seu último álbum lançado, How Big, How Blue, How Beautiful, Florence And The Machine está de volta com seu mais novo projeto High As Hope, lançado nessa última sexta feira, dia 29 de junho.

Florence é conhecida por ter uma voz única e grandiosa, e sempre em suas músicas ela aborda estéticas, simbolismos e metáforas religiosas. Uma coisa que sempre me chamou atenção em suas músicas, e um dos motivos de me tornar fã, são como as letras são muito bem escritas, descritivas e poéticas. Por isso, ela consegue descrever situações e sentimentos de forma bem pura e poética, fazendo uma conexão instantânea com seus ouvintes.

Assim, suas músicas sempre têm muita energia e é contagiante, em especial por ter uma produção sempre muito bem feita junto à voz incomparável de Florence Welch. Em High As Hope, toda essa sua essência não se perde, tornando-se na verdade ainda mais forte.

O álbum como todo transparece como o mais pessoal da carreira. Não que em seus outros trabalhos a cantora não tivesse mostrado esse lado, mas nessas músicas soa como algo ainda mais vulnerável, e pela forma que ela descreve certas situações, com referências bem específicas, traz a sensação de estar escutando seu diário. Principalmente, por em diversas músicas Florence citar sua família, descrever lugares específicos de sua adolescência, deixando tudo ainda mais pessoal e visual do que antes. É claro, que ela faz tudo isso, mas com situações que todos nós ainda possamos nos identificar.

Destaques do álbum

– “Hunger”: Esse é o atual single do projeto, uma ótima escolha por ter um refrão mais comercial do disco. Segundo ela, essa música iniciou-se de uma poesia e aqui ela fala sobre todos terem uma ”fome” para ser suprida por outras pessoas através do amor, que acaba vindo de um lugar vazio e que consequentemente acaba não dando certo. Tem uma batida bem forte, o que torna uma música bem energética, e que da aquela vontade de sair cantando e pulando pela casa. Por tanto é uma música bem viciante e que facilmente se grava o refrão!

– “Big God”: Aqui chegamos à música mais mística do álbum, e junto ao piano forte e ao crescimento gradativo do instrumental, cria-se todo um ar sombrio e misterioso, bem do estilo Florence que gostamos. Logo que ouvi a música, me transmitiu uma vibe similar ao seu segundo álbum Cerimonials, devido ao clima mais sombrio e com vocais muito fortes. Para mim é o grande destaque do álbum, porque mesmo lembrando seus trabalhos antigos ela consegue reinventar a música, não parecendo mais do mesmo.

Tem uma letra que aborda algo muito atual, que é sobre alguém não responder suas mensagens, tornando-se um fantasma na vida dela. Inclusive um detalhe na música, é que ao fundo você pode ouvir a cantora fazendo barulhos com a boca como se tivesse sendo sugada e possuída, o que pode simbolizar um exorcismo desses “fantasmas” em sua vida. Certamente entra para a lista das músicas mais marcantes da carreira!

– “100 Years”: Nessa faixa, Florence utiliza diversas metáforas que simbolizam o empoderamento para se sentir livre e de também amar sem sufocar ninguém. Com o passar da música, Florence nos entrega um vocal cada vez mais forte, o que pode simbolizar a urgência e a esperança de conquistar essa liberdade e o amor. Aqui ela fala também sobre a necessidade de viver o momento e as pessoas, porque mesmo que o coração dela já tenha se quebrado diversas vezes, ela tem a coragem de começar tudo de novo e aproveita o momento.

No meio da música, só com o instrumental, as batidas fortes de tambores em um ritmo energético, deixa ainda mais clara a mensagem da faixa de sentir esperança e vontade de viver tudo, junto aos gritos de Florence, como se tivesse a caminho de uma luta.

– “The End of Love”: Finalmente a primeira balada com piano. Se em todas as músicas já é evidente a beleza da voz de Florence, devido esse instrumental, deixa tudo ainda melhor e de arrepiar ao ouvir os alcances vocais da cantora. O modo que ela escreveu essa música é como se estivéssemos conversando com ela e ouvindo uma história. Basicamente fala sobre o fim de um amor, que segundo Florence, não é no sentindo romântico mas sim sobre situações que aconteceram com sua família. Ao chegar perto do fim da música, ela vai se tornando grandiosa, com a adição gradativa de violinos e palmas de mãos, nos fazendo se sentir em uma missa!

Assim, nesse projeto encontramos letras inspiradas e uma produção bem feita, que inclusive Florence pela primeira vez ajudou nesse aspecto. A banda tem retorno extremamente satisfatório, e com músicas mais pessoais do que nunca. A sonoridade das músicas de Florence, tem um Pop influenciado pelo Soul, mas que nesse álbum especifico, tem a presença maior do Rock.

O único ponto negativo do álbum é o fato de ter apenas 10 faixas, que mesmo sendo um projeto coeso e excelente, acredito que depois de tanta espera deixou uma vontade maior para ouvir músicas inéditas. Sendo assim, High As Hope é um projeto marcante e mais pessoal já lançado, e que com certeza tem faixas memoráveis para a carreira da banda. Como o de costume, Florence and The Machine nunca nos decepciona!

Nota: 9,5/10

Ouça o álbum completo no Spotify:

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