30 de junho de 2020 por Giovana Bonfim Escudine.

Texto por: Giovana Bonfim e Lucas Ribeiro

“Women in Music PT III” foi possivelmente o álbum que eu mais estava ansiosa para escutar em 2020. Eu sou totalmente apaixonada por “Days Are Gone”, o primeiro álbum das HAIM lançado em 2013, até hoje. O segundo, “Something To Tell You” eu já odiei por ser muito dentro da caixinha e só fingi que nunca existiu. Mas os refrescos chegaram: o “WIMPIII”, apesar de não ser nada que eu esperava, era algo que eu precisava e não sabia. Se tornou o meu favorito de uma das minhas bandas favoritas.

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Com 16 músicas (amém) e quase 1 hora de duração, o álbum é bem completo tanto nas letras quanto melodicamente. Ele não é nada homogêneo, apesar de algumas semelhanças (alô “Summer Girl” e “Los Angeles” – que só ficam parecidas quando comparadas no fundo musical), juntando R&B, rock, jazz e um quê de country. Bastante marcado pela bateria, guitarra, baixo, e, às vezes o saxofone.

Produções e interpretações

Chega lembrar algumas coisas do Fleetwood Mac e Joni Mitchell. A produção fica por conta de Rostam (produtor também de músicas de Clairo e do Vampire Weekend, além de ser parte dele), Ariel Rechtshaid (produtor também de músicas de Adele, Madonna, entre outros) e a própria Danielle. Mais uma vez Danielle faz tudo!

O seu nome meio que já é explicado em uma das faixas, a “Man From The Magazine”. A faixa fala sobre duas situações machistas que sentiram na pele: a primeira, quando Este foi perguntada por um jornalista se fazia a mesmas caras quando tocava quando estava na cama. Já a outra, quando Danielle foi comprar uma guitarra e o vendedor lhe deu uma guitarra para iniciantes. Mulheres são sexualizadas e diminuídas incansavelmente, ainda mais nesse meio. E o refrão é exato: não é sobre “é o que é”, mas “era o que era”. Deixar o machismo para trás.

Honestamente, não sabia o que pensar sobre o que seria o álbum nos primeiros singles lançados. Acho que lá pelo clipe de “The Steps” eu conclui que provavelmente ia ter um caos nele. E, sim, tem caos. Diferente dos outros álbuns, todas as musicas tem muita pessoalidade. Não é como se fizessem mais uma música geralzona que falasse sobre alguma coisa que aconteceu. Elas de fato relatam o que aconteceu com elas, algo meio de escrita à la Bob Dylan.

Quando isso não acontece nas músicas, toda a história por trás da música é contada em legendas do Instagram, como aconteceram com os singles, ou foram contadas em entrevista à Apple Music. Histórias contadas através das músicas vão desde o namorado de Danielle ser diagnosticado com câncer e sua depressão até um bootycall com algum contatinho de Alana. E as melodias sempre acompanham a música.

Opiniões sobre algumas faixas

I’ve Been Down

Giovana: A minha favorita. Foi uma das últimas músicas a serem finalizadas, e, por isso, ainda pega o feeling de estar em quarentena. Gastar o tempo no Tiktok, não ter foco em nada, e, ficar mal sobre tudo que tá acontecendo. No refrão, o vocal grita que está para baixo e em “down” o volume da voz vai diminuindo. Acho isso sensacional. Alguns vocais, a maior parte dele com coisas mais positivas, de que se precisa melhorar, são cantados meio abafados, o que dá uma sensação de estar ecoando aquilo apenas no pensamento. Enquanto o restante da música fosse realmente um grito de socorro. Ela é bastante marcada pela bateria.

All That Ever Mattered

Giovana: É uma das mais diferentonas do WIMPIII, mas que de forma alguma decepciona. Sua produção tem um quê de pop dos anos 90, e, é considerada pelas próprias HAIM a música mais experimental de todo o álbum.

Up From A Dream

Lucas: Querer ficar preso em um sonho para não enfrentar a realidade… mais real impossível, né? Nessa faixa, o refrão contagiante que remete o repertório antigo do conjunto, consegue se renovar na produção, ao utilizar guitarras mais pesadas, com uma linha de baixo tímida, mas eficiente, que remete aquele rock californiano dos anos 2000. Da quase para sentir o vento e o sol da praia no rosto! É interessante notar os pequenos detalhes na produção que tentam sair do comum, com algumas pequenas distorções vocais no início da música.

3am

Lucas: Automaticamente desde a primeira batida já se tornou minha favorita do álbum e a mais sexy do disco. O tom de voz de Danielle com toda essa produção de r&b casou muito bem, o que particularmente gostaria de futuramente ver mais no repertório das meninas. A progressão de guitarra e sintetizadores – que remete “Redbone”, do Childish Gambino – com a linha de bateria e a suave voz de Danielle, conseguem criar uma ambiente relaxante e sexy. Afinal, a composição é simples e direta: um bootycall no meio da madrugada e o ciclo vicioso e prazeroso de estar com essa pessoa.

Summer Girl

Lucas: Sendo uma direta homenagem a “Walk on the Wild Side” do Lou Reed, Summer Girl foi a primeira faixa lançada o álbum – há quase um ano – e que fecha muito bem o ciclo narrativo. A música é uma homenagem ao parceiro de Danielle, que estava passando por um tratamento de câncer, e ela compôs como forma de tentar ser a luz e leveza que ele precisava nesse momento tão sombrio de sua vida. Com uma produção simples e eficiente, a linha de baixo junto à bateria e saxofone, conseguem exatamente criar um ambiente positivo e ensolarado.

Conclusão

Lucas: Se em seu antigo repertório as irmãs HAIM contavam suas histórias, por meio de narrativas sobre relacionamentos e desencontros amorosos, esses tópicos voltam a aparecer em “Women In Music Part. III”, mas com outra profundidade que a banda ainda não tinha experimentado em sua discografia até agora. Nesse novo projeto, a saúde mental se torna o ponto de partida e respinga durante as 16 faixas do álbum, construindo um disco com muita emoção e espontaneidade.

Giovana: Se pudesse resumir esse álbum em duas palavras, seriam “caos” e “pessoalidade”. E, bom, isso torna tudo um pouco mais interessante. Nesse caso, tornou MUITO mais. Um álbum completo.

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