Entrevista: Rocío Igarzabal fala de carreira solo e referências brasileiras

Por: Gustavo Ferreira No mercado do entretenimento latino-americano, é muito comum a existência de novelas com […]

Por em 9 de dezembro de 2020

Por: Gustavo Ferreira

No mercado do entretenimento latino-americano, é muito comum a existência de novelas com temática infanto-juvenil. Muitas dessas produções envolvem músicas originais e bandas no enredo e, com isso, acabam revelando vários talentos pro mundo da música. Como exemplos podemos citar os membros do RBD, originados da novela Rebelde, Lali, de Quase Anjos, Peche, de Isa TKM,  e muitos outros.
Quem também teve o comecinho de sua carreira impulsionado por uma novela, foi a argentina Rocío Igarzabal. Rocio fez parte, por três anos, da novela Quase Anjos. Depois que a novela terminou, entrou na banda originada da trama, TeenAngels, onde permaneceu mais dois anos e dividia os palcos com Lali. Porém, diferente de sua ex-colega de trabalho que aposta no pop/reggaetón, Rocío tem um som bastante latino e com influências de ritmos populares na Argentina, como tango, bolero e salsa. Depois de lançar seu mais novo single, Temor, Igarzabal conversou com o Tracklist numa entrevista exclusiva. Leia na íntegra:

Track: Temor é a sua mais nova música de trabalho. O que nos conta sobre essa faixa?

Temor é, primeiramente, uma prévia do que vem no meu segundo disco. A música tem uma sonoridade de bolero e fala do medo, que as vezes surge na gente, e de como podemos transformá-lo em uma força para sair das situações que nos amedrontam. Temos que ouvir nosso próprio coração, saber do nosso propósito e pensar no porquê fazemos as coisas que fazemos. Essa música também tem várias influências de mulheres fortes, cantoras e compositoras, de toda a américa latina. A Maria Gadu é uma delas, por exemplo.

Track: “Temor” soa um pouco diferente das músicas de Entre Los Arboles, seu primeiro disco. O novo álbum será mais parecido com suas faixas mais recentes?

Sim! Estamos indo por esse caminho. Entre Los Arboles foi o primeiro disco e acredito que no primeiro disco a gente vai aprendendo a dar os primeiros passos… Você vai aprendendo a reconhecer o que você não quer ou o que não vibra tanto com você, de forma genuína, e, comigo, aconteceu um pouco disso. Embora meu primeiro CD traga muito do que eu sentia e do que eu queria passar, hoje eu sinto que estou mais nesse lugar da cumbia, do bolero, do samba e das baladas. Acredito que são estilos que eu gosto muito mais de cantar e interpretar.

Track: O videoclipe de “Temor” está muito bonito e nele dá pra ver um pouco do seu lado atriz. Você pretende se expor mais como atriz nos seus próximos vídeos?

Sim! Eu acredito que isso marca o meu projeto musical, e vai me moldando como artista… Ver outras mulheres fortes, especialmente de décadas passadas que lutaram tanto, me inspira muito para criar personagens e incorporá-las nos meus vídeos. Ainda quero fazer um clipe bem mais triste e profundo (risos)

Track: Além da sua carreira musical, você já estrelou diversas novelas e filmes. Você pensa em voltar a atuar, em breve? Já tem algum projeto?

Dia 18 de dezembro vai estrear um filme chamado “Encontrados”, no qual sou uma das protagonistas! O filme é bem intenso… eu diria que é “um filme para adultos” (risos). A minha personagem foi um grande desafio para mim. Ela é uma mulher muito livre, em todos os sentidos… interpretá-la foi todo um mundo novo, meu lado “atriz” foi muito desafiado nesse projeto. Eu gostei muito. Também existem alguns projetos para o ano que vem, mas eu pretendo estar mais focada na música. Tenho muita vontade de viajar com a minha música pelo mundo.

Track: Bom… sabemos que você ama viajar e que uma das suas maiores viagens foi para o México. Você acredita que essa vivência, no México, te transformou e foi importante para construir a artista que você é hoje?

Sim! Com certeza, te diria que construiu de 80% a 100% da artista que sou hoje. Foram muitas experiências novas, toda uma mudança de estilo de vida, em um lugar onde não existia isso de tantas redes sociais, nem exposição à mídia. Foi essencial para a questão de poder seguir um caminho mais genuíno da música, sem interpretar um personagem, sem precisar, inclusive, interpretar o projeto de outra pessoa… porque os projetos dos quais eu fiz parte, durante minha carreira, eram sempre produzidos e dirigidos por outras pessoas, e, agora, tenho a liberdade de fazer o que eu quiser e ir pelos caminhos que prefiro. Essa viagem foi fundamental para isso.

Track: Quais são as suas maiores inspirações musicais?

Rochi: Maria Gadu foi uma das minhas primeiras inspirações! Eu estava morando no Brasil, na época, conseguia entender o português e comecei a me conectar com suas músicas e letras, que me fascinaram. Caetano Veloso, Natiruts… eu estou citando muitos artistas brasileiros porque, de fato, foram muito importantes e influenciaram minha música e meu estilo! Fui até ver o show de Natiruts em Buenos Aires, foi muito bonito! Também tenho inspirações femininas, como a Mon Laferte, Natalia Lafourcade, Carla Morrisson, Julieta Venegas…

Track: Quase Anjos foi um dos seus primeiros trabalhos. Você acredita que esse início, com Cris Morena, também te ajudou a ser a artista que você é hoje?

Com certeza! Eu acredito que devemos ser gratos por tudo o que a gente viveu, no passado. As coisas que eu vivi com Quase Anjos, toda essa escola, as turnês, os shows, a novela em si, os ensaios, sessões em estúdio para gravar discos, o contato com o público, as entrevistas, tudo isso foi um aprendizado enorme para mim.

Track: Após o término de Quase Anjos, você fez parte dos Teen Angels e, inclusive, ainda hoje, canta algumas músicas dos Teens em seus shows. Você tem alguma música favorita?

Sim! Gostei muito de poder voltar a cantar “Mirame, Mirate”, que, inclusive, é uma canção da Natalia Lafourcade. Eu só descobri isso depois (risos), foi uma surpresa muito bonita para mim. Outra música, é a do episódio que o personagem do Gastón Dalmau (Rama) ficou cego… não sei se você se lembra… “que mis ojos…” (cantou). Essa música me partia o coração. Talvez nem seja uma das mais conhecidas, mas lembro da primeira vez que escutei e que sempre que eu começava a cantar, chorava. Era muito emocionante.

Track: Rochi, antes de terminar, preciso perguntar sobre o Brasil. Você já veio aqui várias vezes. Pensa em voltar, ou, até, cantar algo em português?

Já fui muito ao Brasil. Já fui, sozinha, ao Rio de Janeiro, morei dois meses em Itacaré, já fui à Bahia, Florianópolis, vários lugares… parte do meu coração está ai!  E sobre cantar, sim, já pensei muito. Eu gosto muito do português, é uma língua muito bonita, sobretudo musicalmente. Então, sim, muito provavelmente, em algum momento, cantarei alguma canção em português. Eu adoraria! E, voltar ao Brasil, com certeza! É uma ideia, sem dúvidas. Quero ir com minha música!

Rocío fará um show virtual nesta quinta feira, 10/12.


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