Alguns meses atrás, Lana Del Rey anunciou que lançaria Honeymoon, um novo disco de inéditas...

Alguns meses atrás, Lana Del Rey anunciou que lançaria Honeymoon, um novo disco de inéditas apenas um ano após o lançamento de Ultraviolence, Lana disse que seu novo lançamento viria com uma pegada muito parecida a do seu primeiro disco Born To Die (2012). Mas não, não foi parecido, foi melhor.
Iniciando com “Honeymoon”, Lana já deixa uma mensagem bem clara: Estamos tratando aqui, de uma obra menos apelativa e mais contemplativa. Nada de harmonias baseadas em regras fechadas que enaltecem unicamente as mensagens que a cantora quer passar. Trata-se do primeiro disco que Lana del Rey consegue se expressar totalmente como artista, mostrando todas suas características de compositora que me fez quebrar um preconceito muito grande com relação à disparidade entre a imagem de pessoa moldada por um marketing e a imagem que seus discos passavam sobre ela.
Logo em seguida, temos “Music To Watch Boys To”. E se algum diretor de cinema contemporâneo resolvesse fazer um filme do James Bond totalmente original, poderia usar as músicas desse disco como trilha sonora sem problemas. Isso fica claro aqui, assim como em todo o disco, a estética aqui é contemplativa e nos leva diretamente a um mundo bem peculiar que nos remete ao cinema dos anos 20 e 30.
Já na terceira faixa do disco, temos “Terrence Loves You”, a produção é bem menos expositiva e crua, levando em conta a produção do seu disco anterior, que foi basicamente refeita por Dan Auerbach, vocalista e guitarrista da banda The Black Keys e The Barnburners. Podemos ver nesta faixa que todos os instrumentos funcionam como engrenagens de um relógio, ou seja, colaboram para sustentar a harmonia da música (a sequência melódica formada pelos acordes da canção). O saxofone nunca faz um solo propriamente dito, as cordas (os violinos, os violoncelos e o contra-baixo) só denotam a gravidade e acompanham a voz, o resultado é visceral.
Na quarta faixa, “God Knows I Tried” deixa explícita a facilidade de Lana com mudanças bruscas entre graves e agudos, o que faz dela uma Mezzo-Soprano um tanto peculiar, digamos assim. Imagine uma cena de um filme do James Bond em um restaurante, onde Lana estivesse no fundo fazendo uma versão desta música. Cada vez mais eu penso no disco como uma trilha sonora do agente 007, é incrível.
Depois de muito drama, uma pegada muito jazzista e temas um tanto amenos, vemos todo aquele drama clássico dar lugar a um pop mais lisérgico na quinta faixa do disco “High By The Beach”, a produção aqui não deixou a estética do álbum de lado, então a música não parece estar desconectada do resto, o que é bom e segue sendo feito nas duas músicas seguintes, “Freak” e “Art Deco”. Ambas fazem parte de uma pausa premeditada no drama das quatro primeiras faixas, voltando aos poucos, passando por uma vibe mais surreal, com alguns sintetizadores bem leves e sem grandes desenvolvimentos no decorrer das músicas.
Passando por um interlúdio exatamente na metade do álbum, onde Lana encontra uma forma de citar o poeta T.S. Eliot com “Burnt Norton”, Lana del Rey mostra toda a sua capacidade vocal de uma forma não apelativa, muito menos expositiva. As músicas continuam com um clima quase igual as primeiras músicas do disco, porém com temas mais familiares. Deixando claro em “Salvatore”, a visceralidade com que Lana trata seus temas e a forma como a produção do disco usa isso para criar climas enigmáticos e sustentação nos tons graves.
Fortes melodias, padrões estéticos e questões dramáticas fazem de “The Blackest Days” e “24”, músicas que não se destacam e também não podem ser consideradas faixas-padrão, parece que algo aqui tem um enorme potencial, mas a produção escolheu deixar tudo sob o mesmo nível de desenvolvimento, o que faz jus à proposta estética do disco. A atitude dos produtores de não escolherem desenvolver certos pontos aqui é digna de respeito. Ainda vemos os mesmo tons e a reprodução característica em “Swan Song”.
Terminando o disco, temos um cover de Nina Simone. “Don´t let me be Misunderstood”, canção de 1964 que vem sendo revigorada através dos tempos com The Animals e Santa Esmeralda na versão de Lana, nada muda com relação ao que já estava sendo feito nas outras faixas do disco, porém com um tom mais aveludado na voz da cantora, a música encerra o que pode ter sido o melhor álbum lançado pela cantora até agora.
Existem pelo menos duas formas de avaliar o desenvolvimento deste álbum, como disco único sem levar em consideração os outros três discos de estúdio: “Lana Del Ray”, “Born To Die” e “Ultraviolence”. Ou como uma obra resultante do trabalho de anos após o lançamento dos 3 álbuns de estúdio que o precederam.
Como disco único, o resultado é incrível, funciona muito bem com sua proposta mais jazzista e com tons de pop dramático. Tecnicamente o disco é quase perfeito, a mixagem é bastante leve, dando sentido a forma como foi concebido, funciona bem esteticamente do início ao fim. O disco não se perde em nenhum momento, o que nos dá a entender que foi pensado de uma forma e reproduzido da mesma. Só tive um pequeno problema com um aspecto técnico da produção, a masterização (O nível de volume das músicas durante toda a reprodução do disco) ficou um pouco a desejar, parece que o volume das músicas oscila entre uma música e outra após a quinta faixa “High By The Beach”, nada muito grave, mas causa um pequeno desconforto.
Como uma consequência de amadurecimento após 3 álbuns, o álbum também funciona perfeitamente. Dá pra sentir o desprendimento da alma artística de Lana, do marketing e dos “pacotes” de imagem que eram vendidos e apresentados ao público durante os dois primeiros lançamentos. Parece que finalmente Lana pôde usar 100% de sua criatividade e todo o seu caráter, e vendo Honeymoon como o resultado desse amadurecimento, a impressão que fica é a de que Lana del Rey esteve em constante evolução desde o lançamento de seu primeiro trabalho “Lana Del Ray”. Fazendo de Honeymoon seu melhor álbum de estúdio e seu petardo musical a entrar no hall dos discos mais verdadeiros e bem produzidos dos últimos anos.







Alisson de Castro
Só uma correção, gente: Born to Die é de 2012, não de 2013.
Tiago Ya'akov
Bem, na minha opinião as músicas mais fortes do álbum são High By the Beatch, The Blackest Day, Religion, Freak, Art Deco e Music to Watch Boys To.
Lucas Aguiar
Preguiça de gente que conta o album "Lana Del Rey – A.K.A. Lizzy Grant" como parte da discografia da Lana. Muita preguiça de gente que compara um album onde não teve envestimento suficiente para produção, e que nem existe em formato fisico com os albuns atuais dela.
Discografia oficial da Lana é a seguinte:
Born To Die (2012)
Paradise EP (2012)
Ultraviolence (2014)
Honeymoon (2015)
Leonardo Colato
Finalmente alguém que me compreende haha!
Leonardo Colato
Não entendi o porquê de The Blackest Day não se destacar. Pra mim ela é a melhor do álbum…
Lucas Aguiar
Leonardo Colato Sim, acho um absurdo eles compararem os albuns atuais dela com "A.K.A. Lizzy Grant" A propria Lana nem lembra desse album, em entrevista ela disse que Honeymoon iria ser mais parecido com "os dois primeiro album" "Born To Die e Paradise". Como ela mesma disse!
Lucas Aguiar
Sem falar, em entrevista disse que Honeymoon iria ser mais parecido com "os dois primeiro album" e se referiu ainda mencionado o "Born To Die e o Paradise".
Tiago Martins
Ultraviolence >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> Honeymoon
triste por ela nao ter aproveitado mais o ultraviolence
Brunno Rodrigues
O problema desse disco (Honeymoon) foi a ausência de Dan Auerbach! Ele fez do Ultraviolence algo muito fenomenal. Esses produtores do Honeymoon não me surpreenderam muito. Parece que falta algo nesse disco, algum toque mais psicodelico, arranjos mais elaborados. Brooklyn Baby, Florida Kilos, Cruel World, Fucked My Way Up To the Top, Shades of Cool… enfim, são faixas que não são encontradas em um disco qualquer por aí. O Ultraviolence colocou Lana Del Rey em um nível que esse Honeymoon chega a ser uma negação do trabalho anterior.