Resenha: Harry Styles faz do palco a melhor versão de “Kiss All The Time. Disco, Occasionally.”

Cantor se apresenta no Brasil em quatro datas no Morumbis, em São Paulo

Mariana AlvesNotíciasColunasShows20 de julho de 2026

Foto: Reprodução/ Instagram @harrystyles

Harry Styles está de volta ao Brasil após quatro anos, para um rodada de quatro shows no país. Após retornar em março com o álbum “Kiss All The Time. Disco, Occasionally.”, o artista não demorou a anunciar as datas da “Together, Together Tour”, incluindo os dias 17, 18, 21 e 24 no Morumbis, em São Paulo. 

Em uma turnê de residências levada a apenas sete cidades no mundo, o britânico não deixou o Brasil de fora da rota. Como de costume, ele segue vindo ao país em um intervalo de quatro em quatro anos, nos visitando sempre em ano de Copa do Mundo. 

Esse padrão já rendeu até mesmo superstições engraçadas entre os fãs sobre a ligação de Harry Styles com a falta do hexacampeonato para o Brasil. Brincadeiras a parte, uma coisa ele nunca deixou de entregar aos fãs em todas essas vindas: um verdadeiro espetáculo em cima do palco. 

É evidente quando um artista realmente gosta de estar no palco e o faz inteiramente por entrega verdadeira. Desde os primórdios no One Direction, Harry se destacava pelo carisma e a presença de palco naturais a ele – características que continuam se destacando ainda hoje, 15 anos depois, mas com mais maturidade e segurança do espaço que ocupa e onde quer chegar.

Harry Styles: a sua melhor versão é sempre no palco

Nova era, novo espetáculo

É fato que “Kiss All The Time. Disco, Occasionally.” dividiu opiniões desde o momento do lançamento do carro-chefe “Aperture”. Esse é um disco que distancia o artista da sonoridade dos trabalhos anteriores e o insere um cenário pop dance influenciado por elementos techno e disco, como o próprio nome sugere. Essa mudança inevitavelmente se reflete em algumas das escolhas para essa turnê – entre elas, a banda de abertura.

Fcukers, duo nova-iorquino formado por Shanny Wise e Jackson Walker Lewis, ficou na responsabilidade de esquentar o público até a chegada do dono da festa. É nítido que a dupla de música eletrônica se conecta com as referências que Styles trouxe para o disco mais recente e, assim como ele, a escolha da banda também dividiu opiniões. As batidas de house music e visuais psicodélicos no telão causaram certa estranheza entre o público pop, entretanto, cumpriram com a coerência do espetáculo que seguiria. 

Experiência pensada nos detalhes

O cuidado de Harry Styles com os fãs brasileiros se fez notável antes mesmo dele subir ao palco. A playlist pré-show foi atualizada para uma coletânea de clássicos brasileiros, como “Aquele Abraço”, de Gilberto Gil, “Não Quero Dinheiro”, de Tim Maia e “Baile de Favela”, do Mc João e DJ R7. Foi ao final de “Bridge Over Troubled Water”, na voz de Elvis Presley, no entanto, que as luzes se apagaram no Morumbis, às 21h03 no último sábado, dia 18. 

Os gigantes telões logo se acenderam com os visuais coloridos da turnê e Harry Styles se juntou à banda no palco ao som de “Are You Listening Yet?”. A plateia em polvorosa não necessariamente cantou palavra por palavra, mas não deixou de pular e dançar! 

O show traz um repertório variado que intercala faixas do último disco e sucessos de trabalhos anteriores, como “Sign of the Times”, do debut, “Watermelon Sugar”, do “Fine Line” e “As It Was”, do “Harry’s House”, entre muitas outras. À medida que passam os anos, é cada vez mais desafiador montar uma setlist que agrade a todos, mas certas faixas fazem falta no repertório definido pelo cantor. Entre elas “Lights Up” e “Satellite”, que aparece de relance em um mashup com “Carla’s Song”

A escolha de trazer a faixa “Fine Line”, no entanto, é um abraço no fã que precisa ouvir do seu ídolo que tudo ficará bem. O público se sente igualmente abraçado com os instrumentais de “Night Changes” e “History” logo antes da faixa surpresa que, na noite em questão, foi “The Waiting Game”, do álbum Kissco.

O ao vivo continua sendo seu maior trunfo

Entre as canções eletrizantes como “Ready, Steady, Go!” e a calmaria de “Coming Up Roses”, um elemento se destaca em todos os momentos: os músicos. A banda e a orquestra elevam a entrega sonora do espetáculo com arranjos que dão nova roupagens às músicas e tornam a experiência ao vivo uma viagem do início ao fim. Parte desse roteiro também é do trabalho excepcional de iluminação, com um palco colossal repleto de leds, passarelas e pontes. 

Aqui, Harry também dispara no queridômetro. É preciso reconhecer um artista que não mede esforços para trazer toneladas de estrutura para o nosso país. Poderia ser o mínimo, mas é de se admirar em um momento em que muitos artistas sequer consideram o Brasil em suas rotas. 

Esse é um artista que ama interagir com os fãs e sempre separa um momento do show para isso. No Brasil não seria diferente. Ao se deparar com a placa de uma fã que dizia “Estou grávida. Primeiro show do bebê.”, Harry não poupou felicitações. Ele ainda emprestou o leque de uma fã, se arriscou a bater o acessório e se divertiu enquanto o fazia. “Posso ficar com ele? Bom, eu estou trabalhando agora, então não vou conseguir usá-lo como você”, brincou com a dona do leque.

Cada vez mais Harry Styles

É curioso que uma turnê construída em torno do disco mais divisivo de Harry Styles acabe reforçando justamente aquilo que sempre o diferenciou. A “Together, Together Tour” abraça a nova identidade sonora do artista e a transforma em um espetáculo pensado nos mínimos detalhes, onde música, luzes, direção artística e músicos trabalham em perfeita sintonia.

No fim das contas, é difícil sair do Morumbis sem a sensação de que Harry continua exatamente onde sempre esteve: fazendo as coisas do próprio jeito. Enquanto boa parte do pop parece cada vez mais preocupada em acompanhar tendências, ele segue interessado em construir uma identidade artística coerente, mesmo quando isso significa dividir opiniões e, ao vivo, fica ainda mais evidente que essa seja possivelmente a sua maior qualidade.


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