6 de abril de 2019 por Redação Tracklist.

O primeiro dia de Lollapalooza 2019 no Brasil não poderia ter sido mais intenso. Mesmo em uma sexta-feira, as apresentações do dia 05 de abril conquistaram o público. E não faltaram momentos marcantes: mosh pits, fãs ensandecidos, protestos políticos e até instrumentos quebrados!

Acompanhe a cobertura do Tracklist e veja tudo o que rolou no DIA 1 do Lolla Brasil!

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LOLLAPALOOZA 2019 – DIA 1

PALCO BUDWEISER

ARCTIC MONKEYS

Foto: Diego Baravelli/G1

Os primeiros acordes de “Do I Wanna Know?”, entoada a plenos pulmões pelo público no Palco Budweiser, já indicavam o clima que se reverberaria pelo Autódromo de Interlagos na noite desta sexta-feira (5).

Cinco anos após sua última visita, o Arctic Monkeys retornou à capital paulista como a grande atração do primeiro dia de Lollapalooza — e fez jus a tal posto, diante de uma das audiências mais apaixonadas do festival.

O show, que teve início justamente com o principal sucesso da banda, não deu trégua alguma aos fãs durante os primeiros minutos de Alex Turner e companhia no palco. “Brianstorm” e “Snap Out Of It” levantaram o público e produziram coros enormes, que continuariam ao longo de toda a setlist. Como na clássica “I Bet You Look Good On The Dancefloor” e na emotiva e explosiva “505”. Aliás, “505” marcou um dos momentos mais especiais da noite.

Recebido entre opiniões mistas, o último disco lançado pelo grupo, “Tranquility Base Hotel & Casino”, intercalou bem alguns dos intervalos da apresentação.

“One Point Perspective” e “The Ultracheese”, por exemplo, serviram para acalmar os ânimos da plateia, enquanto “Four Out Of Five” deu o merecido fim à primeira parte do concerto, e “Star Treatment” o devido início ao seu bis.

Todas as faixas foram performadas de forma excelente pelo quarteto, que esbanjou a versatilidade musical que tem marcado os últimos anos de sua carreira.

“Arabella” e “R U Mine?” encerraram o show intensamente, acompanhadas aos berros pelos fãs e evidenciando todos os artifícios que os britânicos dispuseram para dar fim ao primeiro terço de Lollapalooza: performances vibrantes, cantos inspirados e a imersiva atmosfera que compõem um dos grandes espetáculos da música alternativa.

FOALS

Foto: Diego Baravelli/G1

Apesar de não ter tido público tão cheio quanto Troye Sivan – que tocou no mesmo horário e estava bem mais lotado –, Foals conseguiu entregar um show incrível e carregado de musicalidade forte. Muita guitarra e, principalmente, uma bateria marcando muito as músicas.

Já havia assistido anteriormente a um show deles, no Coachella de 2016 e, em comparação, o do Lollapalooza São Paulo foi muito mais carregado nos instrumentos. Talvez tenha sido pelas músicas do novo álbum serem realmente mais fortes e com energia mais pesada.

A banda iniciou o show com Mountain at My Gates, ainda do não mais recente álbum, mas do “What Went Down”. Uma coisa curiosa foi que o grupo não deixou as músicas com mais hype para o final. Em vez disso, eles tocaram a própria Mountain at My Gates, My Number, What Went Down e On The Luna em ordem aleatória pelo show – o que, pessoalmente, acho muito mais dinâmico.

Mesmo com o público não tão entusiasmado (o que é de se esperar de um show ainda no começo da tarde do primeiro dia de Lollapalooza), a banda parecia animada e feliz de estar ali.

Yanni Philippakis, vocalista e guitarrista, demonstrava seus vocais despreocupados e exagerados (mas, de forma alguma, ruins). Ele até desceu para perto do público pelo menos duas vezes enquanto se apresentava.

O Foals fechou o concerto com “Two Steps, Twice”, do primeiro álbum de carreira, o Antidote. Esse final não foi tão cativante quanto o restante do show — que foi bem mais animado.

Porém, quem escolheu Foals, apesar de ter perdido o também maravilhoso Troye Sivan, assistiu a um show espetacular! Sem pirotecnias e lindas imagens de fundo de palco, mas singular, de forma bastante especial.

PALCO ONIX

SAM SMITH

Foto: Camila Cara/MRossi/Divulgação

Por duas noites seguidas, Sam Smith transformou o palco ônix em sua igreja lotada de devotos.

O que tinha acontecido no palco Ônix na quinta (04/04), em uma “partie” do Lolla, já havia entrado para a história. Público apaixonado, sinergia com o artista: a combinação perfeita.

Mas, por que não entrar para a história duas vezes? Foi por isso que Sam praticamente “repetiu” o show do dia anterior, com a mesma entrega e fãs enlouquecidos.

No Lolla, foram claros os momentos em que o público silenciava apenas para apreciar o poderio vocal de Sam Smith. Em outros, todos cantavam gritando a plenos pulmões.

Cantando seus maiores sucessos, incluindo as parcerias com Disclosure e Calvin Harris, Sam demonstrou uma simpatia sem igual, muito carisma e uma voz de estremecer o ambiente.

THE 1975

Foto: Isabella Zeminian

Em sua segunda passagem pelo Brasil, os britânicos do The 1975 em nada decepcionaram o enorme público que os aguardavam pelas inclinações do Palco Onix ao fim da tarde. O show de luzes e performances dançantes aqueceram fãs entusiastas e ouvintes curiosos, e originaram alguns dos coros mais entoados ao longo do dia, comprovando sua imensa popularidade no País.

Introduzidos ao som de seu usual interlúdio, a banda deu início aos trabalhos com os potentes refrões de “Give Yourself A Try”, single extraído de seu aclamado último disco, A Brief Inquiry Into Online Relationships. Outras faixas do álbum, como “Sincerity Is Scary” e “It’s Not Living (If It’s Not With You)”, sucederam a apresentação e foram acompanhadas apoteoticamente pela audiência, controlada pelo vocalista Matty Healy desde os primeiros momentos.

Entre os grandes hits do quarteto, “Robbers” e “Somebody Else” sensibilizaram a atmosfera do público, que logo se recompôs aos riffs vibrantes de “Chocolate” e “The Sound”, duas das músicas mais agitadas e dançantes.

“Sex” encerrou o eufórico repertório, entre os cantos e gritos de espectadores que saíram renovados pelo clima descompromissadamente alegre que apenas o The 1975 proporciona. “Rock n’ roll is dead, God bless The 1975”.

PORTUGAL. THE MAN

Foto: Isabella Zeminian

“Nós não herdamos a terra de nossos antecessores, nós a pegamos emprestada de nossas crianças”.

Expondo frases interativas e de impacto nos telões, e trazendo representantes de diferentes tribos indígenas ao palco, o Portugal. The Man prontamente mostrou a que veio para o Lollapalooza.

Foto: Isabella Zeminian

Um forte e necessário discurso em prol da demarcação de territórios (acompanhado por protestos contra o presidente Jair Bolsonaro) deu início à descontraída apresentação da banda, que rapidamente conquistou a afeição do público e sua energia. com um curto cover de “Another Brick In The Wall”, clássico do Pink Floyd, e uma veemente “Purple Red Yellow And Blue”.

Aos poucos, novos e velhos fãs se aglomeraram sob o forte sol que pairava pelo Palco Onix, para assistir às instrumentalizações psicodélicas do grupo. Portugal é uma das mais recentes sensações do rock alternativo, e visita o Brasil pela segunda vez, com o repertório renovado pelo lançamento de “Woodstock”, de 2017.

O disco impulsionou a banda do Alasca rumo ao cenário mainstream, e algumas de suas faixas renderam momentos memoráveis durante o show — vide os singles “Live In The Moment” e “Feel It Still”. “Feel It Still”, aliás, é um sucesso global, que encerrou os trabalhos entre danças e cantos do público.

Restou ainda espaço para as obras mais antigas dos americanos, agradando a vanguarda de fãs que tanto ansiavam pela apresentação ao longo dos últimos cinco anos. A espera não apenas valeu a pena, mas também trouxe à tona uma das mais gratas surpresas do dia, e um inspirado show, cuja atmosfera tomou os espectadores presentes do início ao fim.

PALCO ADIDAS

ST. VINCENT

Foto: Iwi Onodera/UOL

Mesmo sozinha no palco, a cantora americana Annie Clark – mais conhecida como St. Vincent – se apresentou com muita beleza e maestria nesta primeira noite do Lollapalooza Brasil 2019, no palco Adidas. A artista já havia se apresentado no dia anterior em sua Lolla Party, no Cine Joia, e também no Lollapalooza de 2015.

Apesar do show ser mais simples e menos agitado dos que já haviam aparecido no palco Adidas antes dela – Troye Sivan e The Fever 333 –, isso não foi desculpa para uma apresentação ruim. Pelo contrário. A cantora não precisava de mais nada, além do seu microfone, suas inúmeras guitarras, e um talento de dar inveja a qualquer guitarrista.

Sem contar seu figurino bastante chamativo e provocativo: botas altíssimas e maiô cintilantes complementavam a sua aparição que, juntamente com seus solos de guitarra e músicas com batidas eletrônicas, formaram um show que realmente valia a pena ser admirado.

St. Vincent abriu sua setlist com a música “Sugarboy”, do seu último álbum, “MASSEDUCTION” (2017). A cada riff de guitarra solado por ela, o público respondia com gritos e mais pulos, como de fato deveria ser.

Além disso, a cantora fez todos dançarem com seu famoso single “Fast Slow Disco”. Por fim, o show foi finalizado com “New York”, marcando muito bem sua presença como uma das únicas artistas femininas escaladas na line up do festival deste ano.

A cantora de 36 anos é compositora e multi-instrumentista. Ela começou sua carreira na música como parte da banda The Polyphonic Spree. Também fez parte da banda do cantor Sufjan Stevens, antes de formar sua própria banda em 2006.

TROYE SIVAN

Foto: Isabella Zeminian

Mesmo com calor e o sol do início da tarde, o público presente no palco Adidas não se deixou intimidar pelo clima e impressionou o cantor sul-africano, Troye Sivan.

O show foi pontual e Troye dominou o palco se mostrando mais confiante do que nunca. O cantor sensualizou, interagiu com o público e dançou muito.

Dava para sentir a felicidade e carisma do artista, que não parava de sorrir por um minuto. Foi um show muito dançante e o público, sempre muito interativo, cantava todas as músicas.

Além disso, tiveram também momentos mais calmos e emocionantes, como em “Heaven”, quando o cantor discursou, com a bandeira LGBT ao fundo: “Ter saído do armário me fez poder ver públicos como vocês, todos esses rostos e eu não mudaria por nada. Amaria se vocês cantassem [HEAVEN] comigo!” .

O show encerrou com o hit “My My My!”, que fez o público sair do chão, principalmente com a chuva de confetes e a versão remix da música. Com certeza, foi um dos melhores e mais energéticos shows do primeiro dia do Lollapalooza.

THE FEVER 333

Foto: Mila Maluhy/Lollapalooza/Divulgação

A banda The Fever 333 se apresentou no primeiro dia da edição do Lollapalooza Brasil 2019, em uma apresentação marcada por inúmeras loucuras. O trio californiano já havia tocado na Lolla Party da última quarta-feira (3), na Audio, junto com o Bring Me The Horizon, e desta vez certamente chamou a atenção de muito mais brasileiros.

A energia do vocalista Jason Aalon Butler já é conhecida lá fora, e ele não mediu esforços de repetir grandes feitos no festival paulistano. No palco Adidas, às 14h da tarde, os mosh pits já se iniciaram logo na primeira música, “Burn It”, com fãs e amadores alucinados abrindo um enorme círculo no meio da plateia.

Na sequência, Butler não se segurou: foi direto para o público, misturando-se em meio à loucura que se formava naquele momento, enquanto tocavam “We’re Coming In”.

Também não faltaram discursos políticos no show dos caras. Antes de tocarem a canção “Made In America”, o vocalista criticou o governo americano e seu conservadorismo, o que incentivou os brasileiros a gritarem de volta um coro de protesto ao atual presidente do Brasil – mesmo com Butler não entendendo nada disso. Porém, ele gostou.

Fora isso, também teve um discurso a favor das mulheres, para se sentirem acolhidas e “seguras” no ambiente rock ‘n’ roll.

Não apenas o frontman pulava pelo palco, mas também o guitarrista e o baterista. Com mortais, pulos e muita agitação, os três integrantes não paravam quietos um minuto sequer. O auge do show foi quando Jason subiu as estruturas do palco, chegando a ficar em cima do telão, jogando sua guitarra de lá mesmo. Como se não fosse o bastante, após acabar com seu macacão todo rasgado, o vocalista preferiu terminar o show apenas de cueca.

O auge do show foi quando Jason subiu as estruturas do palco, chegando a ficar em cima do telão, jogando sua guitarra de lá mesmo. Como se não fosse o bastante, após acabar com seu macacão todo rasgado, o vocalista preferiu terminar o show apenas de cueca.


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