Confira a seleção feita pela equipe do Tracklist

Por Allan César, Gabriel Haguiô e Soraia Joffely – Em 12 meses, fomos apresentados a centenas de novos álbuns, sejam de artistas já experientes na cena musical ou de nomes em ascensão. O importante é que qualidade não faltou. Gêneros como pop, reggaeton, forró, rap, jazz, mpb, entre outros estilos, fizeram de 2025 um ano memorável para a indústria fonográfica, que, mais uma vez, foi palco de grandes lançamentos.
Para entender como foi o ano no mundo da música, o Tracklist publica sua tradicional lista dos melhores álbuns de 2025, destacando e celebrando os principais discos do ano. Confira a lista dos melhores álbuns internacionais de 2025 abaixo!
Observação: A lista inclui trabalhos lançados entre os dias 1º de janeiro e 1º de dezembro de 2025. Os títulos foram escolhidos a partir da opinião dos redatores e da equipe do Tracklist, considerando também a opinião da crítica especializada.
Os 15 melhores álbuns internacionais de 2025
15º – “Virgin” – Lorde
Após uma era ensolarada, Lorde encarou internamente os estigmas e conflitos sobre gênero que atravessam a experiência humana e deu origem a “Virgin“, seu quarto álbum de estúdio, no qual a artista mergulha em reflexões profundas sobre identidade, corpo e amadurecimento. Essa nova fase da neozelandesa foi essencial para a criação de um disco no qual ela se sente confortável com seu corpo e consigo mesma. Com batidas eletrônicas e efeitos sintéticos, a produção do projeto se tornou um dos espaços mais seguros que a artista já ocupou.
Como resultado desse processo, o público passa a ouvir Lorde cantar sobre ser mulher, “exceto quando sou homem”. Em entrevista à Rolling Stone, a cantora afirmou transitar entre os dois gêneros: “Eu sou uma mulher, exceto nos dias em que sou um homem”. Para a artista, essa nova forma de pensar o gênero faz parte de uma jornada criativa, emocional e física mais ampla, iniciada após o lançamento de “Solar Power”.
14º – ”Don’t Tap The Glass” – Tyler, The Creator
Em 2025, o impulso artístico levou Tyler, The Creator para a pista de dança. Em “Don’t Tap The Glass”, lançado em julho, o rapper e produtor segue a contramão de seus últimos trabalhos. As batidas são mais altas que as rimas, a influência da disco music dos anos 80 é onipresente… Dançar é a única regra, e o disco assim figura entre os mais divertidos do ano.
“Don’t Tap The Glass” não só destaca (mais uma vez) o talento de Tyler em explorar novas direções, mas também o seu sucesso em reconectar o público com a música.
13º – “That’s Showbiz, Baby!” – JADE
Indo na contramão das convenções que costumam marcar grupos femininos tradicionais, JADE estreia em carreira solo com um álbum que se destaca pelo caráter pessoal, crítico e experimental. A britânica aposta no pop com batidas inovadoras, explorando diferentes cenários musicais dentro das faixas.
Temas como fama, vulnerabilidade, críticas à indústria fonográfica e ciclos emocionais são articulados de forma coesa, desde a escolha dos singles até as performances. O resultado é um projeto divertido e caótico, características que JADE já antecipava muito antes do fim das atividades do Little Mix.
12º – ”The Art Of Loving” – Olivia Dean
Com “The Art Of Loving“, seu segundo álbum de estúdio, Olivia Dean finalmente projeta seu nome e sua arte para o centro da música global. Inspirado no soul, no jazz e na bossa nova, o projeto da britânica dá um novo sentido à sua carreira, após o reconhecimento mundial com o single “Man I Need”, além de torná-la a primeira artista solo britânica a emplacar quatro singles simultâneos no Top 10 do Reino Unido desde Adele.
Mais do que números expressivos, “The Art Of Loving” se destaca pela qualidade de sua construção sonora. Em parceria com Zach Nahome, responsável pela produção executiva, Dean dá forma a uma obra ancorada em referências clássicas e na estética retrô, sem abrir mão do apelo pop que sustenta sua recente ascensão e popularidade.
11º – “Essex Honey” – Blood Orange
Seis anos após o seu último lançamento, Blood Orange retornou aos holofotes em 2025 com seu aguardado novo disco. “Essex Honey” rememora a infância do cantor e produtor em Londres para versar sobre experiências bastante particulares. As músicas mesclam batidas eletrônicas, cordas e instrumentações orgânicas em uma atmosfera intimista, mas muito vivaz, que explora o lado mais sentimental da obra de Dev Hynes.
10º – “Tropicoqueta” – Karol G
“Tropicoqueta”, de Karol G, cativa logo de cara pela ousadia cultural ao transitar por diferentes gêneros. Do merengue ao funk brasileiro, a artista se aprofunda em temas como identidade latina e amor, com uma segurança que dá gosto de ver.
O grande destaque do disco, sem dúvidas, é a evolução artística da colombiana, que segue entregando trabalhos bem amarrados, sem abrir mão da potência popular que a consagrou.
9º – “Getting Killed” – Geese
O Geese esteve entre as grandes sensações do ano com um disco poderoso, sensível e ousado. Em “Getting Killed”, o terceiro projeto do quarteto nova-iorquino, Cameron Winter e companhia vão além do convencional para seguirem ampliando seu repertório.
Enquanto o vocalista chama a atenção por sua voz arrojada e marcante em versos confessionais, o restante da banda mistura influências de diferentes décadas do rock para criar um som extremamente atual e acolhedor, ao mesmo tempo que caótico. “Getting Killed” está entre os trabalhos mais criativos de 2025, e destaca o potencial de um grupo em plena e constante ascensão.
8º – “Fancy That” – PinkPantheress
Queridinha dos apps de vídeos curtos, PinkPantheress conquistou ainda mais fãs com a mixtape “Fancy That”. Mais madura, a artista se aprofunda em temas até então pouco explorados em sua discografia, como relacionamentos, sem perder a estética que a consolidou na indústria.
Ao longo de todo o projeto, a britânica brinca de forma sofisticada com samples e gêneros que transitam do drum & bass ao electropop, do pop ao UK garage, sem nunca soar cafona. A personalidade do disco, assim como sua força, se mantém coesa ao longo de curtos 20 minutos.
7º – ”Eusexua” – FKA twigs
Constantemente elogiada pela crítica, FKA twigs mais uma vez consolidou seu nome nas listas de melhores discos do ano com “Eusexua”. A fusão de gêneros como techno, soul, rave e R&B não soa caótica – pelo contrário, constrói uma verdadeira experiência sensorial para quem mergulha no álbum.
Outro grande destaque está na forma como twigs continua expondo seus sentimentos de maneira visceral, agora envolvida por uma nova camada de liberdade, sem esconder suas inseguranças.
6º – “Ego Death At A Bachelorette Party” – Hayley Williams
Produzido sem pretensão de charts, lançado fora das plataformas de streaming e disponibilizado exclusivamente no site da própria artista, o álbum atravessa as fronteiras do mercado e alcança um clímax artístico. Bem-recebido pelo público, “Ego Death At A Bachelorette Party”, de Hayley Williams, se apresenta como um manifesto sobre seus últimos anos de vida e o amor vivido em sua forma mais pura e intensa. Em seu terceiro álbum solo, a líder do Paramore aprofunda sua trajetória de luto pessoal e profissional, tendo os sons do pop experimental como pano de fundo.
Para entender melhor este projeto, é essencial acompanhar com atenção as letras de cada canção. Não apenas por sua entrega sincera, densa e transparente com os fãs, mas pelas composições da artista que carregam as histórias dos monstros que ela precisou enfrentar. O disco é conduzido pela melancolia e guiado por um pop-rock retrô e um indie pop que percorrem por 1 hora e 6 minutos de duração.
5º – “Mayhem” – Lady Gaga
Depois de um período focada na atuação, Lady Gaga volta ao pop com o grandioso “Mayhem”. O projeto marca um retorno, ainda que sutil, às raízes dark pop da artista, evocando uma atmosfera provocadora e dramática que remete às primeiras eras da Mother Monster.
O apelo teatral e a consistência de Mayhem ganham ainda mais força em faixas como “Abracadabra” e “Vanish Into You”, que, sem dúvidas, ficaram gravadas na memória de quem viveu o espetáculo Gagacabana.
4° – “Baby” – Dijon
“Baby” não só marcou um ponto de virada para a carreira de Dijon, mas também está entre as obras mais influentes da música em 2025. O cantor estadunidense já era reverenciado como um dos nomes mais inventivos do R&B contemporâneo, mas o trabalho amplia seu repertório e se arrisca em experimentações e ritmos muito únicos.
O disco é seu primeiro lançamento em quatro anos e sucede uma sequência de colaborações com nomes como Justin Bieber e Bon Iver, com quem produziu outros dos projetos mais interessantes musicalmente do ano. Para além de seu talento como produtor, porém, Dijon também assina algumas das melhores composições da carreira em “Baby”, assumindo um tom confessional encantador. O álbum destaca a sintonia de Dijon com o que há de mais moderno na música e, especialmente, no R&B em 2025.
3° – “LUX” – Rosalía
Aos 45 minutos do segundo tempo de 2025, fomos apresentados a um dos melhores álbuns do ano e, de longe, o mais ousado sonoricamente da carreira de Rosalía até aqui. “LUX”, inspirado em santas da igreja, na cena erudita e bebendo do berço do catolicismo, é um divisor de águas para a indústria, que vem sendo inundada por sons padronizados e nada inovadores. Para potencializar essa força, a espanhola convidou um elemento clássico da música para comandar a sonoridade do disco: uma sinfonia orquestral. A quase ópera da europeia se encontra com o flamenco, o eletrônico, o pop e o fado de Carmino, criando uma ponte entre tradição e modernidade.
No single “Berghain”, no qual divide vocais com Björk e Yves Tumor, a cantora impressiona com condução lírica e um alemão afiado, que demorou exato um ano para aprender, assim como os outros doze idiomas presentes no disco. Para inserir novas línguas, além das já cantadas por ela como o inglês, espanhol e o catalão, foi necessário dedicação. Por meio do Google Tradutor, Rosalía aperfeiçoou pronúncias e revisitou vocais e composições diversas vezes ao longo do processo.
Por isso, “LUX” se firma como uma verdadeira aula de música, sem rótulos, caricaturas ou moldes a seguir. É um mar aberto, no qual Rosalía mergulha de cabeça, amparada por sua bagagem musical, acadêmica e criativa. Nesse território de liberdade, tudo é permitido desde que seja bem executado, e é exatamente isso que ela entrega.
2° – “Black Star” – Amaarae
Enquanto ainda estava em turnê com “Fountain Baby” (2023), Amaarae já dava pistas sobre seus próximos passos. Em entrevista ao Tracklist após sua apresentação em São Paulo no Afropunk Experience 2024, a cantora declarou que estava experimentando novas influências para seus futuros projetos – inclusive o funk. “Estou trabalhando em novas músicas enquanto estou aqui (…) Estou experimentando com funk nas minhas músicas e pensei que seria melhor visitar o país que eu amo, conhecer as pessoas [que produzem funk] e fazer parte dessa experiência”, declarou na ocasião.
Logo nos primeiros segundos de seu novo trabalho, “Black Star”, uma batida potente de funk invade o som e dá o tom do álbum em “Stuck Up”. A produção da faixa é assinada por ninguém mais, ninguém menos que os DJs brasileiros Mu540 e Maffalda, que também colabora em “Girlie-Pop!” com a dupla Deekapz. A influência brasileira, porém, é somente uma ponta de um contexto muito maior e mais abrangente.
O novo disco de Amaarae tem uma proposta clara: celebrar os ritmos que compõem a dance music preta, uma diáspora que chegou a diferentes regiões pelo mundo. “Black Star” explora cada um desses cantos: “Starkilla” e “Fineshyt” homenageiam as pistas de dança com sua sonoridade cativante; já “100DRUM” e “Free The Youth” usam de afrobeats para darem vida a melodias pulsantes e modernas.
“Black Star” nos apresenta à uma artista em seu auge criativo. Com um dos projetos mais autênticos e vibrantes de 2025, Amaarae finca seus pés entre os principais nomes da atual música pop, trazendo um frescor artístico que carrega significado, história e representatividade em suas batidas.
1° – “DéBI TiRAR MáS FOToS” – Bad Bunny
É quase um consenso global que “Debí Tirar Más Fotos” é o álbum do ano. Esse reconhecimento não se apoia apenas nos números estratosféricos alcançados ou nos recordes quebrados pelo maior artista latino da atualidade, mas também na dimensão artística envolvida na produção do projeto e no resultado final apresentado. De Porto Rico, o disco se veste das cores e sensações mais identificáveis para os que moram na América Latina. Claro, ele não é um álbum feito só para os latino-americanos, porém, esse povo em específico é quem mais se sente acolhido ao escutá-lo.
Logo de cara, a capa chama atenção. Um visual que lembra os quintais brasileiros, colombianos, cubanos e de outros hermanos. Uma bananeira e duas cadeiras de plástico: como não se sentir em casa? A arte de Bad Bunny vai além dos gêneros porto-riquenhos como salsa, bolero e reggaeton. O objetivo do projeto é criar uma tribo única, unida pela independência, cultura e pelo respeito às próprias tradições. Apesar de pensarmos no país natal do cantor, Porto Rico, território dos Estados Unidos, engana-se quem acha que é apenas sobre eles. É sobre todos nós.
Em “LO QUE LE PASÓ A HAWAii”, Benito grita para o mundo que permanecerá firme, lutando ao lado de sua comunidade para preservar os rituais da ilha antes que se percam para o turismo excessivo. É um cenário semelhante ao do Brasil e de outros países latinos, onde a população segue valorizando o local, sem permitir que a americanização ou a influência europeia tomem conta. Já em “BAILE INoLVIDABLE”, o artista celebra o amor enquanto ainda há tempo de viver, porque, como ele mesmo diz: “A vida é uma festa que um dia termina”.
Com participações de artistas porto-riquenhos, como RaiNao em “PERFuMITO NUEVO”, Los Pleneros de la Cresta em “CAFé CON RON”, entre outros, o coelhão abre caminhos para que muitas estrelas que nascem e ascendem na ilha possam finalmente ser reconhecidas Porto Rico afora. A iniciativa também é um tapa na cara da indústria musical, que acredita ser necessário recorrer a colaborações “históricas” entre artistas para criar hits. Bad Bunny provou o contrário, pois, para ele, valorizar os talentos do próprio país é suficiente para gerar sucessos.
Por fim, “DéBI TiRAR MáS FOToS” é um abraço em meio a tempos difíceis para os imigrantes em todo o mundo. Além da qualidade musical, que é a essência do disco ao nos fazer dançar, cantar e chorar, o sexto álbum do porto-riquenho representa luta e uma bandeira de resistência para os boricuas (termo para se referir aos porto-riquenhos), que há décadas lutam por autonomia e seguem enfrentando os imperialistas ianques para preservar seu território. Para quem não é conterrâneo de Benito, este álbum também é para você, que continua acreditando em um país livre de qualquer ameaça.
O que achou da lista? Concorda com a seleção dos melhores álbuns internacionais de 2025? Veja o nosso especial de fim de ano completo:
Os 15 melhores álbuns internacionais de 2025
Os 15 melhores álbuns nacionais de 2025
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