Os 15 melhores álbuns nacionais de 2025

Lista reúne trabalhos lançados entre 1º de janeiro e 1º de dezembro de 2025

Redação TracklistMúsicaNotícias22 de dezembro de 2025

Foto: Divulgação

Por Allan César, Gabriel Haguiô e Soraia Joffely – 2025 foi um ano grandioso para a música nacional. Do pop, passando pelo forró até chegar na MPB, fomos impactados por lançamentos de diversos gêneros que imprimiram, acima de tudo, qualidade para o universo da música.

Pensando nisso, listamos os discos brasileiros que se sobressaíram este ano. nos mais variados quesitos. Confira os melhores álbuns nacionais de 2025 logo abaixo!

Observação: A lista inclui trabalhos lançados entre os dias 1º de janeiro e 1º de dezembro de 2025. Os títulos foram escolhidos a partir da opinião dos redatores e da equipe do Tracklist, considerando também a opinião da crítica especializada.


Os 15 melhores álbuns nacionais de 2025


15º“Divina Casca” – Rachel Reis

Com elegância e o tropical como pano de fundo, “Divina Casca“, segundo álbum da baiana Rachel Reis, é um refresco sonoro para quem gosta da brasilidade frequentemente encontrada nas obras de Jorge Ben, uma referência notável do disco de Reis. A guitarra elétrica, as percussões e a voz sedutora da artista eleva a experiência e nos transmite a calmaria, enquanto a cantora narra as nuances do amor, tema central do álbum.


14° – “No Escuro, Quem É Você?” – Carol Biazin

Depois de se arriscar em composições e colaborações com outros artistas, Carol Biazin mergulhou em uma jornada de autoconhecimento e vulnerabilidade com “No Escuro, Quem É Você?“. O projeto se divide em duas fases, sendo a primeira marcada por uma atmosfera introspectiva, e a segunda mais expansiva e dançante.

Ao longo do disco, a artista explora questões geracionais ligadas ao amor, aos desejos e às frustrações, sempre conduzidas por vocais potentes, marca registrada que a levou a construir a base de fãs que possui hoje. Toda essa entrega resultou em uma a indicação ao Grammy Latino, após anos de estrada.


13º – Assaltos e Batidas” – FBC

De FBC, jamais se espera o convencional. “Assaltos e Batidas”, último trabalho do rapper mineiro, segue essa lógica: no disco, o artista constrói uma narrativa sobre revolta popular ao som de batidas de boom bap, vindas diretamente do hip-hop dos anos 90.

Depois de dois projetos bastante melódicos, homenageando o funk em “Baile” (2021) e a disco music em “O Amor, o Perdão e a Tecnologia Irão Nos Levar Para Outro Planeta” (2023), desta vez a atenção se voltam novamente aos versos: FBC dá voz a alguns dos temas mais importantes da atualidade, como a redução da escala de trabalho e a realidade da periferia. É um disco que soa cinematográfico não somente pela maneira com o qual é contado, mas também com o quão atrelado está aos dias de hoje. Mais uma vez, Fabrício se reinventou – e mais uma vez, para melhor.


12º – Afim” – Zé Ibarra

Há tempos, Zé Ibarra figura entre os artistas mais talentosos das últimas gerações da música nacional, desde seu trabalho com o Bala Desejo e a Dônica até suas experiências solo, que incluem um disco e uma participação na turnê de despedida de Milton Nascimento. Com “Afim”, porém, o cantor carioca dá um novo passo: o álbum expande o seu leque musical com composições sensíveis e arranjos grandiosos que marcam sua obra. Zé Ibarra constrói uma sonoridade bastante atual e criativa, para fincar o seu trabalho entre os mais vistosos da nova geração.


11º – Big Buraco” – Jadsa

Em “Big Buraco”, Jadsa canta em uma linguagem própria de palavras, melodias e paixões. O segundo disco solo da artista baiana cria um universo particular com uma trilha sonora bastante experimental; aqui, a cantora explora suas experiências em composições bastante íntimas e ousadas, em forma e significado. Faixas como “Tremedêra” e “1000 Sensations” usam de jogos de palavras para encantar o ouvinte, enquanto a sonoridade faz o seu trabalho com influências da MPB, do R&B e do groove. Com “Big Buraco”, Jadsa tem muito a contar, mas o faz à sua própria maneira – e não poderia ser de outra forma.


10º -⁠ “⁠⁠KM2” – Ebony

KM2” é uma obra visceral, na qual Ebony mergulha nos traumas de sua vivência como mulher negra na periferia do Rio de Janeiro. Com um flow afiado, a rapper transita por diferentes gêneros e experimentações sonoras, reafirmando o motivo pelo qual consolidou seu nome na cena do rap nacional. A ousadia com que ela peita a cena ao longo do projeto também merece exaltação.


9º – “Carranca” – Urias
De longe um dos trabalhos mais maduros de Urias, “Carranca” é um disco denso e carregado de simbolismo, no qual a artista mescla com maestria ancestralidade e crítica social. A maneira como Urias transita entre diferentes gêneros musicais e explora novas facetas vocais reforça que seu nome não irá sumir dos nossos ouvidos tão cedo.


8º – Caro Vapor II – Qual a Forma de Pagamento?” – Don L

2025 marcou o retorno do “último bom malandro” do rap nacional depois de três anos. “Caro Vapor II – Qual a Forma de Pagamento?” é a sequência da mixtape de Don L, que definiu o tom de sua carreira solo há 12 anos. Hoje, porém, o rapper de Fortaleza se vê em um Brasil diferente do início de sua trajetória: um país tomado pelas casas de aposta, pela sedução da influência digital e o poder das big techs e das redes sociais. Don L rima sobre tudo isso em seu novo trabalho, discorrendo sobre a atualidade com uma sonoridade essencialmente brasileira. A construção das rimas, a escolha das influências e a contundência do rapper em como canta sobre a atualidade destacam um artista em plena consciência de seu talento e de seu lugar.


7º – Melodia&Barulho” – Maui

Foram poucos os trabalhos mais inovadores e ousados em 2025 do que o de Maui. “Melodia&Barulho”, álbum de estreia do cantor e MC de Duque de Caxias, mistura estilos e melodias bastante distintos entre si para criar uma estética extremamente autêntica. No caldeirão, vão influências do grime, do garage, do R&B e de afrobeats junto a ritmos brasileiros em corpo e alma, como o pagode e, claro, o funk carioca. O resultado é um dos projetos mais interessantes e inventivos dos últimos anos, consolidando uma das estreias mais impactantes de 2025.


6º -⁠ “⁠⁠Gambiarra Chic, Pt. 2” – Irmãs de Pau

A “Gambiarra Chic” das Irmãs de Pau é uma síntese perfeita das contradições vividas pelas artistas. Ao abordar a dualidade entre o glamour da rotina e os “perrengues”, além da transfobia enfrentada no cotidiano da dupla, as irmãs apresentam um novo lugar para corpos trans na música brasileira, tudo respaldado por um projeto repleto de reflexão e visuais.


5º – Diamantes, Lágrimas e Rostos pra Esquecer” – BK

Diamantes, Lágrimas e Rostos pra Esquecer“, de BK, reforça que o rap nacional está em boas mãos, impulsionado pela liberdade de utilizar samples de clássicos brasileiros como de Djavan e Milton Nascimento. Explorando os percalços e as vitórias que o tornaram ser o artista que é hoje, além da superação do velho amor romântico, o carioca vence o inimigo ao longo de todo o disco e encontra o triunfo em meio aos elementos de rap e a essência do MPB.


4º – “Um Mar Pra Cada Um” – Luedji Luna

O refinamento musical que Luedji Luna constrói em “Um Mar Pra Cada Um” surge como um sopro em meio a tantos trabalhos carentes de coesão. A articulação harmoniosa entre piano, bateria, sopros baianos e a voz encantadora da soteropolitana rompe com um marasmo sonoro em que, hoje, nem a letra nem a melodia costumam se destacar.

Ao longo de 11 faixas, a cantora envolve o ouvinte com um letrismo sofisticado e afrontoso sobre amores rasos e o conduz a uma dimensão espiritual não religiosa, marcada por um equilíbrio sensível entre drama, humor e dor.

Para coroar esse trabalho, a artista foi agraciada com o Grammy Latino 2025 na categoria “Melhor Álbum de Música Popular Brasileira/Música Afro-Portuguesa Brasileira“, mostrando que seu quarto disco de estúdio consolida sua maturidade artística e força criativa.


3º – ⁠”Coisas Naturais” – Marina Sena

Reconhecida pela ousadia e originalidade desde sua estreia, Marina Sena mantém essas marcas em seu terceiro álbum de estúdio, o “Coisas Naturais”. No novo trabalho, a cantora amplia sua ambição artística ao se afastar do pop tradicional e explorar sonoridades ligadas a diferentes brasilidades

A estética visual do projeto também ganha destaque, com uma proposta mais sofisticada que funciona como complemento à narrativa musical. Outro ponto que também merece mérito é o esforço da artista em experimentar novos registros vocais, até então pouco mostrados ao longo da carreira. Um experimento ambicioso, mas que funcionou com maestria.


2º – “Dominguinho” – João Gomes, Mestrinho e Jota.pê

O Brasil de muitas culturas e faces, “Dominguinho” é um retrato bonito de tudo o que há de bom nesse território continental. Lento, mas sem abrir mão do forró, o álbum de João Gomes, Mestrinho e Jota.pê incorpora o chamego em meio a um combo de vozes suaves que se alternam para cantar o dengo, mas também abordar a política. Com visual gravado no Sítio Histórico de Olinda, em Pernambuco, o projeto alcança uma catarse artística ao mesclar diferentes vertentes da música popular brasileira, unindo tradição e inovação.

Ao revisitar clássicos do trio, o trabalho desses artistas ancorado na sanfona de Mestrinho e nos graves de João Gomes e Jota.pê reforça na memória do público brasileiro que o forró raiz também é capaz de se reinventar por meio da fusão de gêneros. O piseiro e a sensibilidade do soul ganham destaque e dão origem a releituras como “Pontes Indestrutíveis”, de Charlie Brown Jr., que recebe um toque forrozeiro sem perder a essência roqueira da banda.

Para selar esse pacto, o álbum foi premiado com o Grammy Latino 2025 de Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa, validando a força da música brasileira e a identidade do Nordeste para o mundo.


1º – “Rock Doido”- Gaby Amarantos

Não só paraense, não apenas regional, “Rock Doido” é Brasil, o Brasil da Amazônia, da aparelhagem e do eletrônico que se encontra com o tecnobrega, o pop e o funk. Em suas letras, a belenense Gaby Amarantos transforma seu quinto álbum de estúdio em uma carta aberta que convida o ouvinte a vivenciar uma noite nas festas de aparelhagem que embalam o Pará e diversas cidades amazônicas. O convite vem em forma de um disco non-stop, com 22 faixas curtas e dinâmicas. Entre brincadeiras sobre o amor, referências a memes e o uso de gírias regionais, a cantora assume um papel fundamental ao celebrar a alegria das festas das periferias de Belém.

É impossível não se encantar e se divertir ao ser levado de volta à infância no clássico Tumbalatum, que, com uma dose de latinidade, entrega um Brasil repleto de energia e um pique contagiante. Há também as boas risadas provocadas pelo sucesso “Foguinho”, que nos conecta diretamente ao linguajar da internet usado no dia a dia. Em “Bonito Feio”, lembramos daquela vez em que demos uma chance a quem nem era tão belo assim, mas que acabou nos marcando de alguma forma. Já “Dá-Lhe Sal” nos transporta automaticamente para as multidões da festa de aparelhagem Crocodilo, tradição em Belém, conhecida por sua estrutura de madeira, aço e fórmica, além do uso intenso de LEDs e TVs.

“Rock Doido” é festa, é agitação, mas também pertencimento e música brasileira. Empolgando quem já curte um bom batidão e dando boas vindas até a quem não é tão fã do caos, no melhor sentido da palavra, Gaby Amarantos convence o público a sair do sofá e se conectar com uma pulsação cultural que nasce no Pará, sem precisar estar lá. Essa adesão vem tanto da curiosidade quanto de um movimento cada vez mais central na música pop nacional, em que o estado ocupa papel decisivo. Ao unir tecnobrega, carimbó, funk e ritmos latinos, o álbum aponta para o futuro do pop brasileiro, com uma riqueza cultural que vai muito além do som.

O projeto também inclui um curta-metragem, “Rock Doido – o filme”, um musical cinematográfico de 22 minutos gravado em plano-sequência, inteiramente em um aparelho de celular. O conteúdo adentra nas noites belenenses e nos convida a curtir um boa festa da cena periférica de Belém.


O que achou da lista? Concorda com a seleção dos melhores álbuns nacionais de 2025? Veja o nosso especial de fim de ano completo:

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