Confira a seleção realizada pela equipe do Tracklist

Por Andressa Cerqueira e Juliana Gomes – Mais alguém está com a sensação de que, assim como Georgie caiu no conto do Pennywise, 2025 simplesmente flutuou e passou rápido demais? Mas isso de forma positiva: quando avaliamos o balanço do ano, a lista de melhores séries de 2025 deixou grandes marcas no quesito “qualidade”.
Dessa forma, para celebrar os últimos 12 meses, o Tracklist reuniu as 10 melhores séries de 2025. A seleção destaca produções que se destacaram pelo impacto cultural e repercussão ao longo do ano. Confira a lista completa!
Observação: A lista inclui trabalhos lançados no Brasil entre os dias 1º de janeiro e 1º de dezembro de 2025. As produções foram definidas a partir da opinião dos redatores e da equipe do Tracklist, além de considerar a opinião da crítica especializada.
Fenômeno global desde sua estreia em 2021, “Round 6” retornou em 2025 para sua terceira e última temporada, encerrando a trajetória da série criada e dirigida por Hwang Dong-hyuk.
A produção acompanha pessoas endividadas que aceitam participar de jogos mortais em troca de um prêmio milionário. Misturando suspense e crítica social, a série expõe desigualdades extremas e testa os limites da moral humana, mantendo sua força narrativa até o desfecho.
Romântica e sensível, “O Verão Que Mudou Minha Vida” acompanha um verão inesquecível marcado pelo primeiro amor e pelas descobertas emocionais de seus personagens. A trama gira em torno de um triângulo amoroso que dividiu o público entre Time Jeremiah e Time Conrad.
A série acompanha Belly (Lola Tung), que se vê dividida entre os irmãos Jeremiah (Gavin Casalegno) e Conrad (Chris Briney). Na terceira e última temporada, a produção encerra sua trajetória com maturidade, oferecendo um desfecho emocionalmente para a história dos protagonistas.
Baseada no podcast homônimo de Chico Felitti, a produção transcende o formato de true crime tradicional ao transformar uma investigação jornalística em um retrato perturbador sobre privilégios, apagamentos históricos e as violências que insistem em sobreviver ao tempo.
O que começa como uma curiosidade urbana — uma casa em pandarecos em um dos bairros mais tradicionais de São Paulo e sua moradora excêntrica — rapidamente se revela algo muito mais profundo e incômodo. A série constrói sua narrativa com paciência e rigor, revelando camadas que conectam passado e presente de forma brutal, sem recorrer ao sensacionalismo fácil.
O grande mérito da produção está na maneira como expõe a assimetria de poder que sustenta essa história. “A Mulher da Casa Abandonada” não se contenta em apresentar fatos: ela questiona silêncios, investiga omissões e evidencia como estruturas sociais permitem que certos crimes sejam esquecidos (ou convenientemente ignorados).
Mais do que um fenômeno de audiência, a obra de Chico Felitti se consolidou como uma das produções mais relevantes do ano. Uma série que entende o audiovisual como ferramenta de investigação, memória e confronto, provando que, às vezes, as histórias mais assustadoras não precisam de ficção para causar impacto.
Tinha que ser a droga do Chaves de novo! “Chespirito: Sem Querer Querendo” se destaca por revisitar um ícone da cultura popular latino-americana com sensibilidade e consciência histórica. A produção se afasta da simples celebração para investigar o impacto, as contradições e a dimensão humana de Roberto Gómez Bolaños, criador de personagens que atravessaram gerações e fronteiras.
A série compreende que falar de Chespirito é falar de memória coletiva. “Chaves”, “Chapolin Colorado” e tantos outros universos não são apenas produtos televisivos, mas parte da formação afetiva de milhões de espectadores. Ainda assim, o roteiro evita a armadilha da nostalgia acrítica, optando por contextualizar sua obra dentro do tempo, das dinâmicas de poder e das tensões criativas que marcaram sua trajetória.
Um dos grandes acertos da produção está em revelar os bastidores desse fenômeno. Ao explorar processos criativos, conflitos internos e escolhas profissionais, a série constrói um retrato mais complexo do artista por trás do mito. O resultado é uma narrativa que reconhece o legado sem apagar suas imperfeições, permitindo uma leitura mais madura sobre fama, autoria e influência cultural.
E se de repente todos ficassem felizes demais… de forma patológica? Poucas séries de 2025 chegaram com um conceito tão inquietante quanto “Pluribus“. Criada por Vince Gilligan, a produção parte de uma premissa simples — e profundamente perturbadora — para refletir sobre identidade, moralidade e a fragilidade do pacto social.
A série constrói sua narrativa com paciência e rigor. Em vez de apostar em reviravoltas constantes, “Pluribus” prefere o desconforto gradual, deixando que a estranheza se infiltre nas relações, nos diálogos e nas escolhas aparentemente banais dos personagens. A pergunta central não é “o que está acontecendo?”, mas “o que isso diz sobre quem somos quando ninguém está olhando?”.
Ao final, a produção se consolida como uma das séries mais provocativas do ano. Uma obra que entende a ficção científica como ferramenta de questionamento moral e social — e que reafirma Vince Gilligan como um criador interessado não em respostas fáceis, mas em dilemas que continuam ecoando muito depois do último episódio.
A segunda temporada de “The Last of Us” abandona qualquer conforto construído anteriormente. Se o primeiro ano da série apresentou um mundo devastado e a relação de sobrevivência entre Joel (Pedro Pascal) e Ellie (Bella Ramsey), o novo capítulo se dedica às consequências emocionais, morais e irreversíveis dessas escolhas. É uma temporada menos interessada em agradar e muito mais comprometida em provocar.
A narrativa assume um tom mais duro e fragmentado, refletindo um universo em que não há espaço para certezas. A série troca a lógica da jornada por uma estrutura marcada por rupturas, silêncios e confrontos internos, colocando seus personagens diante de dilemas que não oferecem respostas fáceis. O apocalipse segue como pano de fundo, mas o verdadeiro conflito acontece no campo da ética, da vingança e da memória.
Mais do que expandir seu universo, a segunda temporada de “The Last of Us” redefine o que a série se propõe a ser: um drama sobre perda, ciclo de violência e humanidade em colapso, que entende que nem toda história precisa ser confortável para ser poderosa. É essa recusa em oferecer alívio fácil que a coloca, novamente, entre os grandes destaques do ano.
Ao acompanhar jovens em um momento de formação marcado por pressões sociais, expectativas irreais e violência simbólica constante, a produção constrói um retrato incômodo — e necessário — sobre crescer em um mundo que cobra maturidade antes mesmo de oferecer estrutura emocional.
A série se destaca por evitar soluções fáceis. Não há vilões claros nem respostas prontas. O que existe é um emaranhado de inseguranças, conflitos de identidade e relações atravessadas por redes sociais, família, escola e pertencimento. “Adolescência” entende que essa fase da vida é, por definição, um território instável, e faz disso sua principal força narrativa.
Inspirado no universo real do jogo do bicho no Rio de Janeiro, a série nacional explora os bastidores do poder, onde ambição, estratégias e jogos de influência moldam destinos.
A narrativa gira em torno de quatro famílias – Moraes, Guerra, Fernandez e Saad – que disputam o controle da contravenção do Rio. Cada clã representa uma força distinta de poder e resistência, compondo um retrato intenso e dramático das engrenagens que movem o submundo carioca. O elenco reúne nomes de peso como Juliana Paes, André Lamoglia, Chico Díaz, Mel Maia, Xamã, Otávio Muller e Giullia Buscaccio.
Baseada na obra clássica de Stephen King, a nova adaptação de “IT” prova que o terror pode ir além do susto fácil. Com uma abordagem mais psicológica e emocional, a série aprofunda traumas, laços de amizade e o medo como uma força que atravessa gerações.
Desenvolvida por Andy Muschietti, a produção se passa 27 anos antes dos eventos dos filmes e explora a ligação sombria entre a cidade de Derry e a entidade responsável por décadas de desaparecimentos. À medida que um grupo de jovens presencia aparições sobrenaturais, eles descobrem que todas as visões – de monstros a figuras grotescas – são manifestações de uma única entidade mutável que se alimenta do medo: Pennywise.
A série, que explora a origem do palhaço assassino, marca o retorno de Bill Skarsgård ao papel do icônico vilão, consolidado como um dos mais “medonhos” do terror moderno.
Inspirada em fatos reais, “Tremembé” lança um olhar cru e contundente sobre o sistema prisional brasileiro. A trama acompanha o cotidiano de detentos envolvidos em casos de grande repercussão, como Suzane von Richthofen, os irmãos Cravinhos, Elize Matsunaga e o casal Nardoni, revelando bastidores da convivência e das tensões internas dentro de um dos presídios mais conhecidos do país.
Produção original do Prime Video, a obra alcançou um feito histórico ao se tornar a série nacional mais assistida da plataforma. O elenco reúne nomes como Marina Ruy Barbosa, Bianca Comparato, Letícia Rodrigues, Carol Garcia, Felipe Simas, Lucas Oradovschi, Kelner Macêdo e João Pedro Mariano. A direção é de Vera Egito, com roteiros inspirados nos livros do jornalista Ulisses Campbell.
O que achou da lista? Concorda com a seleção das melhores séries de 2025? Veja o nosso especial de fim de ano completo:
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