Audiovisual: 3 obras com trilhas sonoras marcantes
4 de junho de 2020 por Giovana Bonfim Escudine.

Se você é fissurado por música, muito provavelmente você também ama filmes e séries com trilha sonora que se conectam verdadeiramente com a história. E é por isso que criamos essa coluna no Tracklist: para apresentarmos 3 filmes e/ou séries por semana que possuem trilhas sonoras incríveis!

De duas em duas semanas, daremos três filmes e/ou séries com suas descrições brevemente, enquanto nessa semana de intervalo de tempo, aprofundaremos em um dos três. Em nossa primeira edição da coluna, falaremos sobre as trilhas da série “High Fidelity”, os filmes “Baby Driver” e “The Secret Life Of Walter Mitty”.

High Fidelity

Baseada no filme de mesmo nome de 2001, “High Fidelity” é de produção de Zoe Kravitz e também estrelada pela mesma. É uma versão atualizada do filme, e, do ponto de vista feminino. Rob, personagem principal interpretado por Zoe, termina com seu namorado e decide revisitar todas as pessoas com quem se relacionou e partiram seu coração, para tentar entender o que tinha de errado com ela.

No meio disso tudo, ela é uma apaixonada por música e vinil, possuindo uma coleção deles e até mesmo sua própria “record store” com mais dois amigos que divide aventuras: Cherise e Simon.

Durante os episódios, rolam metáforas de sua vida com músicas, e quase todos os momentos são acompanhados por elas. A série literalmente não faria sentido se tais músicas e referências à elas não estivessem ali.

Dou destaque para dois artistas que são importantes para o desenvolvimento dela: Debbie Harry (do Blondie) – que chega até a fazer uma incrível aparição! – e David Bowie. Não me estendo tanto à Bowie pois: daria spoiler. Mas sério, a presença forte dele em um dos episódios faz ele ser um dos melhores!

Fora os dois artistas, a trilha conta com Fleetwood Mac, Prince, OutKast, Aretha Franklin e até mesmo com artistas brasileiros como Serguei, Lula Cortes e Os Mutantes!

A série possui só uma pequena temporada que nos deixa sedento por mais várias. Ela é uma produção do serviço de streaming Hulu.

Baby Driver

Baby (cujo nome realmente não é esse e não vou dar spoiler já que só falam no final do filme) sofreu um acidente na infância que o fez ter um tipo de deficiência auditiva. Com isso, sempre escuta zumbidos que são amenizados apenas quando escuta música. E aí em todos os momentos ele aparece escutando músicas de diferentes estilos, do rock ao rap.

Assim como em “High Fidelity”, o protagonista Baby (interpretado por Ansel Elgort) do filme “Baby Driver” é um amante da música que não a consegue deixar de lado nos momentos de sua vida. Com duas diferenças: ele REALMENTE precisa da música e faz parte de uma gangue.

Baby também é motorista de uma gangue, participando de todos os assaltos para ajudar seu pai adotivo. É praticamente o “Velozes e Furiosos” destinado para jovens que gostam de músicas alternativas. O que não deixa o filme ruim, de forma alguma.

No meio disso tudo, ele conhece Deborah, com quem se apaixona. Logicamente, momento também cercado por músicas. “Debra”, do Beck, e “Deborah”, do TRex.

Dentre os grandes destaques musicais, pode-se dizer que as músicas “Tequila”, do Button Bass Down, “Brighton Rock”, do Queen e “Baby Driver”, de Simon & Garfunkel. Curiosidade: Sky Ferreira faz uma aparição no filme e até mesmo regrava a famosa “Easy” para a trilha. Foi a primeira aparição musical de Sky com uma nova música desde seu álbum “Night Time, My Time”, lançado em 2013.

Leia também: Charli XCX e Sky Ferreira misturam o pop e o rock em “Cross You Out”

The Secret Life Of Walter Mitty

Da primeira vez que assisti “The Secret Life Of Walter Mitty”, fiquei encantada. Tanto com a trilha sonora quanto todos os outros aspectos do filme. Para escrever esse post, reassisti quase 4 anos após vê-lo pela primeira vez e reparei que a trilha sonora dele é um aspecto não tão comum como nas outras duas produções aqui citadas.

“The Secret Life The Walter Mitty” mostra a vida de Walter Mitty, um cara de vida monótona que trabalha nos arquivos fotográficos de uma revista, vive de “e se” e de daydreamings em sua cabeça. Uma coisa meio ansiosa. Mitty trabalha na última edição física da revista e se depara com a foto de capa perdida. Nessa, ele se aventura viajando para ir atrás da imagem perdida e de forma total sem preocupações (fora a de lógico, achar a foto).

E é só aí que as músicas realmente começam. Nisso já se passou quase ¼ do filme. É como se a vida ali realmente começasse, saindo da zona de conforto. E – pequeno spoiler – nada melhor que “Wake Up” do Arcade Fire pra dar esse indício. Daí pra frente, rola muito folk/indie – que combinam muito com todos os cenários e cenas. Of Monsters And Men, Jack Johnson, Bahamas e muito Jose Gonzalez.

Bônus para uma cena em que o novo chefe de Walter cita uma parte de “Space Oddity” do David Bowie para chamá-lo de volta à vida real, zoando e quase que pondo um significado negativo. Ao longo do filme, essa parte é ressignificada de uma forma bem bonita.

As músicas de “The Secret Life Of Walter Mitty” não poderiam se encaixar melhor. Talvez precise assistir mais de uma vez para reparar em tantos detalhes que fazem tanto sentido.

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