Filho de Elba Ramalho e afilhado de Caetano Veloso, o cantor lançou recentemente seu último disco, "Deixei Meu Coração na Bahia"

Luã Yvys cresceu em um berço especial. Desde cedo, o cantor teve enormes referências artísticas ao seu redor: o paraibano é filho de Elba Ramalho e afilhado de Caetano Veloso, duas figuras que ajudaram a moldar as suas influências para a música. Foi escrevendo sobre as suas memórias que Luã construiu a sua própria identidade, e assim sua carreira tem decolado.
Os verões com a sua família inspiraram a criação de seu mais novo álbum de estúdio, “Deixei Meu Coração na Bahia”. Lançado no mês passado, o disco é uma homenagem aos amores, às influências e as belezas do estado. “A Bahia pra mim é memória, lembrança de tempos em que posso me reconectar com minha verdade, com meu ritmo. O amor pelo lugar, pelas pessoas, pela minha infância cresceram e amadureceram no tempo certo para inspirar muitas dessas faixas”, contou Luã.
O disco marca uma nova fase na trajetória do cantor, com uma sonoridade moderna e carregada de inspirações da MPB. O álbum abraça as raízes de Luã com colaborações com Elba e Caetano, ao mesmo tempo em que imprime as suas próprias digitais nas músicas e, principalmente, nas composições.
Em entrevista ao Tracklist, Luã Yvys conversou sobre o processo criativo por trás do trabalho e as principais influências para a sua formação artística, entre outros assuntos.
TRACKLIST: Olá, Luã! Tudo bem? Parabéns pelo lançamento de seu novo disco! Poderia nos detalhar como foi o processo criativo do álbum?
LUÃ: Oi! Tudo ótimo, obrigado pelo carinho. Esse disco foi um convite que eu fiz a mim mesmo para revisitar memórias, afetos e territórios internos. Começou na Bahia, onde passo os verões com minha família, e de lá vieram as primeiras canções, as primeiras imagens. Foi tudo muito fluido, feito aos poucos, respeitando meu tempo. Gravei bastante coisa em casa, em clima de intimidade. Esse álbum é todo autoral e em todo projeto que faço, sempre busco trazer uma identidade musical e sonora. Dessa vez quis explorar algumas composições mais MPB, que eu já tinha, e outras que fui compondo ao longo de um ano de produção até o lançamento. O produtor Filipe Soares, que assina a produção musical comigo, sugeriu de colocarmos elementos mais pop, para darmos uma sonoridade mais moderna e contemporânea para algumas músicas, como beats, sintetizadores e programações. Até que chegamos a um equilíbrio muito gostoso entre acústico, elétrico e eletrônico sem perder a essência que é a música brasileira, balanço, ritmo e voz bem encaixados.
TRACKLIST: Quais você diria que foram as principais influências para a construção da identidade musical de seu novo trabalho?
LUÃ: Acho que tem muita influência do universo da música popular brasileira mais sensorial. Aquela que mistura palavra, corpo, paisagem, sentimentos… Gil, Caetano e Caymmi são grandes mestres e referência neste sentido. Mas também ouvi muito som atual, gente como Jota.pê, Russo Passapusso, Gilsons, que trazem um frescor e uma pegada mais renovada no som. Fora da música, fui muito tocado por vivências espirituais e pela própria natureza ao meu redor. Tudo isso acabou influenciando no disco de alguma forma. O propósito maior desse projeto era ser leve com músicas fáceis de ouvir, uma história de amor cantada de muitas formas diferentes.
TRACKLIST: O disco passa por muitos temas pessoais, como relacionamentos amorosos e sua relação com a Bahia. Pra você, como foi escrever sobre essas experiências e traduzi-las nas canções?
LUÃ: Cantar essas histórias foi a maneira que encontrei de dar forma e beleza a dores, dúvidas e também a momentos de grande amor e alegria. A Bahia pra mim é memória, lembrança de tempos em que posso me reconectar com minha verdade, com meu ritmo. O amor pelo lugar, pelas pessoas, pela minha infância cresceram e amadureceram no tempo certo para inspirar muitas dessas faixas. O ato de apaixonar-se em cenários paradisíacos como o sul da Bahia é muito comum, então busquei trazer um pouco desse sentimento que só quem já viveu sabe como é, mas mesmo não indo pra lá entende e sente porque são temas humanos e universais.
TRACKLIST: A faixa “Deixei Meu Coração na Bahia” tem a participação especial de Caetano Veloso, que também é seu padrinho! Como surgiu a ideia para essa parceria?
LUÃ: Quando compus essa canção em Trancoso pensei logo nele… na maneira como ele canta o tempo, a saudade, a Bahia. Mandei a música pra ele e na mesma hora ele topou gravar. Foi muito emocionante pra mim. Ter meu padrinho nesse disco é como uma benção mesmo, de quem sempre me inspirou e de certa forma me viu crescer. Acredito que ele se apropriou lindamente da composição como o grande artista que é, valeu a pena ter sonhado e esperado dez anos por essa participação. Fico muito feliz e emocionado até hoje quando escuto a voz dele na canção, de fato é a realização de um sonho.
TRACKLIST: O disco também tem a participação de sua mãe, Elba Ramalho, na música “Ainda Tenho Asas”. Como você descreveria a importância dela para a sua formação artística?
LUÃ: Minha mãe é minha primeira escola, primeira referência. Desde criança a vejo subir no palco com muita entrega, energia e garra. Ela sempre me incentivou a buscar minha voz, a não ter medo de experimentar. Busquei uma formação acadêmica na música através dela, construí um estúdio pra mim e pra ela, então termos uma composição juntos no disco foi uma forma de honrar esse vínculo, de reconhecer essa herança que me atravessa, mas também de mostrar que a gente pode se encontrar artisticamente de vários jeitos. Por curiosidade, essa canção também nasceu em Trancoso há alguns verões atrás, então não tinha como não fazer parte desse álbum também.
TRACKLIST: No Tracklist, convidamos os artistas a montarem a tracklist de suas vidas. Quais são as três músicas que não poderiam faltar na tracklist de sua vida?
LUÃ: Nossa… difícil escolher só três! Mas acho que “Luz do Sol”, do Caetano, que me emociona desde sempre. “Estou de Volta pro Meu Aconchego”, de Dominguinhos, na voz da minha mãe, que marcou minha infância e me conecta com minhas raízes. E “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso, porque representa esse amor imenso que tenho pelo nosso país, com toda sua beleza e complexidade.






