Entrevista: Kamau fala sobre estreia no Lollapalooza, impacto do rap e novos projetos

Com mais de 27 anos de carreira, Kamau é um dos grandes nomes do rap...

Andressa CerqueiraNotíciasEntrevistas21 de fevereiro de 2025

Foto: Reprodução/Instagram

Com mais de 27 anos de carreira, Kamau é um dos grandes nomes do rap nacional, conhecido por sua trajetória independente e sua conexão profunda com a cultura hip-hop. Em 2025, ele dá mais um passo importante ao se apresentar no Lollapalooza Brasil, um dos maiores festivais de música do mundo. O show, que acontece no dia 29 de março, marca um momento especial para o artista, que vê a presença do rap no evento como um reflexo da evolução do gênero no mainstream.

Em entrevista ao Tracklist, o artista falou sobre a importância dessa conquista, a diversidade do público do festival e a experiência de levar sua arte para novas audiências. Ele também comentou sobre seu último EP, “EST“, e adiantou detalhes do setlist para o Lolla BR. Além disso, o rapper refletiu sobre a evolução do hip-hop no Brasil e sua participação na série “Nova Cena“, da Netflix. Confira a entrevista completa!

Em entrevista, Kamau fala sobre Lollapalooza, novos projetos e mais

A chegada ao Lollapalooza é um marco importante em sua carreira. Como você enxerga o impacto do rap no mainstream atual? O que o rap representa dentro desse grande festival?

Bom, a gente acabou de ver um evento gigantesco que foi o Kendrick Lamar no Super Bowl. Então, a partir disso, a gente já tem uma ideia do impacto do rap no cenário musical como um todo. O Kendrick Lamar, principalmente, é um cara que quando apareceu no mainstream, muita gente já o conhecia de um pouco antes e queria fazer algo com ele. E isso já vem de um tempo já, o Kendrick Lamar é um exemplo, mas a gente já teve outros exemplos chegando nesses lugares, não como agora, logicamente, tudo vem evoluindo para acontecer como está acontecendo agora, mas a gente já teve outros exemplos chegando nesses lugares. Então eu acho que ter o rap no Lollapalooza, assim como a gente vai ter agora, é um fortalecimento de toda uma história que já acontece fora. Eu acho que tem muito a ver com o Lollapalooza quando foi criado pelo Perry Farrell nos anos 90, porque é um resgate disso. Eu, como artista independente, desde sempre, receber esse convite e não necessariamente “cavar” para estar nesse lugar, acho que é importante também porque mostra o poder da arte, o poder da música e a força que a gente vai ter nesse bloco que, por um acaso, eu tô ali entre amigos, literalmente, porque antes do meu show, no outro palco, é o Zudizilla e, na sequência, no mesmo palco do Zudizilla, é a Drik Barbosa. Então, assim, para mim, é um passo gigantesco. É um pequeno passo para a humanidade do rap, mas é um grande passo para mim, porque é mais um dos passos firmes que eu venho conseguindo colocar na minha trilha desde o meu começo.

O festival, aliás, é conhecido pela diversidade de público e estilos musicais. Como você vê a importância de se apresentar para uma plateia tão eclética e o que espera dessa troca de energia no evento?

Eu sempre circulei por muitos lugares, principalmente por vir do skate. Então, a minha música, ela fala com um público diverso que tá inserido num mesmo lugar que é o skate e também com outras pessoas que não tem nada a ver com o skate, mas tem a ver com a rua, tem a ver com o rap, tem a ver com o jazz, tem a ver com a luta preta, com a causa preta. Então, acho que colocar esse trabalho para esse grande número de pessoas vai ser bem legal. E talvez nem todo mundo se conecte da mesma forma, mas eu sempre espero que as pessoas saiam do meu show melhor do que chegaram de alguma forma, com algo mais. Então, eu espero poder aproveitar bem essa oportunidade, essa plataforma, para que as pessoas saiam com algo mais. 

No último ano, você lançou o EP “EST”. O que os fãs podem esperar em termos de setlist para o Lollapalooza?

Meu setlist sempre circula por toda minha história. Então eu sempre trago coisas do meu começo, trago participações que eu já fiz. Às vezes, quando posso, trago participações para o meu show, pessoas de fora para o meu show. E eu acho que é isso. A apresentação, como nunca foi vista, porque eu nunca repito as apresentações, eu tô fazendo algo bem especial para o Lolla também. Vai ter uma base boa do “EST”, mas com todo o meu fundamento também, as coisas que as pessoas já conhecem e talvez coisas que não esperam que aconteça e vai acontecer lá.

Tem algum spoiler mais específico que você possa nos contar?

Um spoiler bom: o show do Zudizilla é logo antes do meu e depois ele tá livre. 

Deixando o festival de lado, me corrija se eu estiver enganada, mas você tem 27 anos de carreira, certo? Como você percebe a evolução do rap nacional ao longo dos anos e qual é o seu papel nesse movimento atual?

Para mim é difícil dizer qual o meu papel dentro do movimento atual, principalmente porque eu tento me manter em movimento e não necessariamente parar e observar no que eu estou sendo utilizado, necessário ou chamado. Acho que a evolução é notória porque a gente tem outras ferramentas hoje em dia. Desde o meu começo, eu sou independente e as ferramentas para quem é independente foram mudando ao longo dos anos. E hoje a gente tem muitas ferramentas, mas essas ferramentas estão disponíveis não só para quem é independente, estão disponíveis para todo mundo. Então quem tem mais recursos às vezes consegue ter mais dessa ferramenta ou usar essas ferramentas melhor. Mas eu acho que a gente tem bastante gente realmente fazendo pela arte. Lógico que com o propósito de viver disso, de alcançar várias coisas pessoais também, várias coisas em prol de uma causa, mas as pessoas estão conseguindo usar essa ferramenta pela arte. E eu acho isso muito importante para que mais pessoas deem continuidade a causas, a lutas, a raízes, a essência do que a cultura hip-hop como um todo representa. 

A participação na série “Nova Cena” da Netflix foi uma forma de conectar com novos talentos. Qual foi o impacto dessa experiência tanto para você quanto para os novos artistas que conheceu? Existe alguma previsão para renovação da série?

Então, o impacto para mim acho que aconteceu mais depois que saiu o reality, porque eu vi o que as pessoas estavam percebendo da minha participação ali. O meu impacto no momento ali foi muito de perceber como as pessoas que estavam participando me viam. Eu não tive um contato mais aprofundado com as pessoas, de conviver, porque eu ia, fazia o que eu tinha que fazer naquele momento. Então eu praticamente encontrava os artistas naquele momento em que eles estavam no palco. Eu não tive a convivência de fora com eles.

Mas eu faço questão também de chegar, cumprimentar todo mundo. Isso é coisa que a gente aprende na rua também. Chegar a cumprimentar todo mundo e perceber o quanto as pessoas me conheciam. As pessoas que puderam me falar da minha importância, tanto dos jurados quanto dos participantes. E para mim é muito legal essa repercussão que teve do reality, e eu espero ser, sim, chamado para um próximo.

Eu já tinha acompanhado a versão estadunidense da série, tanto que eu conheci o artista D’Smoke e a partir de lá, e a gente até troca algumas ideias pela internet, eu falei para ele que eu era apresentador, ele ficou bem feliz. E espero muito que a gente tenha essa conexão também com as novas cenas e o ritmo e o flow de outros lugares que também tiveram a sua versão do reality.

Após o Lolla o que os fãs podem esperar do Kamau? Tem algum spoiler que você possa nos contar?

Eu estou seguindo a minha movimentação de criar. O ano passado culminou nos discos, né? Por conta de uma movimentação que eu já tô fazendo, principalmente desde 2018, quando eu consegui um espaço legal para trabalhar com outras pessoas ali, no estúdio que eu trabalho, o Atelier, que é um estúdio histórico para o hip-hop paulistano, brasileiro e mundial até. Então, Tenho mais trabalhos para entregar, eu estou num fluxo criativo bem legal, tenho mais trabalhos para entregar e pretendo viajar bastante com o “EST” e colocar mais coisas na rua em breve. Não só coisas minhas, mas colaborar com outras pessoas, mesmo que seja só na parte de incentivo e de palpites, digamos, mas eu pretendo colaborar bastante com isso.

Leia também: Entrevista: Drik Barbosa antecipa detalhes de show no Lollapalooza 2025

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