Após apresentação no festival, artista fala sobre liberdade no palco, processo criativo do disco e a importância de espaços para a cena independente

Por Fernanda Freitas e Gabriel Haguiô – Logo após sua estreia no Lollapalooza Brasil 2026, Jadsa conversou com a Tracklist sobre a experiência de subir ao palco do evento pela primeira vez e o momento que vive na carreira. Natural de Salvador, a cantora constrói uma sonoridade que transita entre o rock e a MPB. Após o lançamento do álbum de estreia, Olho de Vidro (2021), a artista baiana ganhou ainda mais projeção com Big Buraco, de 2025, trabalho que ampliou seu alcance e chegou a figurar entre os indicados ao Grammy Latino.
Na conversa com a Tracklist, a cantora falou sobre a sensação de subir ao palco do festival pela primeira vez, relembrou o processo criativo por trás de Big Buraco, concebido a partir do improviso e da experimentação, comentou sobre a repercussão do disco e sua chegada a premiações importantes, além de refletir sobre o papel de festivais como o Lollapalooza Brasil na valorização de artistas independentes.
A artista também compartilhou suas principais referências musicais e entrou na brincadeira ao montar um lineup dos sonhos. Confira a entrevista completa:
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Como foi a sensação de tocar no Lollapalooza pela primeira vez, o que que você achou?
Eu não tenho palavras, sacou? Eu tava muito livre, tava muito feliz. A banda inteira, todo mundo feliz, assim, de fazer esse show, porque é um som muito específico também, né? E ter a oportunidade de mostrar um pedacinho disso, assim, também foi importantíssimo. Felicidade pura!
Você que lançou um dos melhores discos nacionais de 2025 — e um dos meus preferidos na minha opinião —, que foi o Big Buraco. Eu queria que você contasse um pouco sobre a jornada desse disco. Foi gravado em uma semana? De onde surgiu a ideia e como que você colocou tão rápido na ponta do lápis para gravar no estúdio?
Quando eu pensei num próximo disco eu achei que seria legal me jogar num lugar que eu não conhecia, me jogar no desconhecido. E eu pensei que esse lugar poderia ser um lugar gigante e que eu pudesse realmente, que eu tivesse a liberdade de cair, né? Então esse Big Buraco surgiu a partir desse desejo do inesperado. E, sem esperar nada, a gente conseguiu captar tudo lá em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, eu e Antônio Neves, junto com uma banda de peso. A gente conseguiu captar tudo em sete dias e foi uma surpresa também, assim, pra gente, né? De entender que tudo que a gente não pensava acabou surgindo assim.
Que legal! E você imaginava tamanha repercussão do disco, indo tocar no Lolla, chegando no Grammy Latino? Você imaginava que teria todo esse alcance?
O desejo, ele sempre tá dentro da gente, né? Então acho que agora foi uma confirmação de que o que a gente deseja pode acontecer, é só busca.
Eu queria que você comentasse um pouco sobre a importância do Lolla, de oferecer esse espaço para artistas nacionais, principalmente da cena alternativa. Como que você enxerga isso, vindo depois de tocar aqui com uma galera muito legal, um show muito legal?
Agradeço ao Lollapalooza por ter me chamado, por ter me instigado a fazer esse show também, a mostrar o que eu tenho de melhor agora, nesse momento. E pra nós, artistas independentes e novos na cena também, é de extrema importância ter espaços assim, pra gente poder trocar ideia, pra gente poder se conhecer, né? Aqui mesmo, do ladinho, tem uma placa Agnes Nunes e Jadsa. E isso nos aproxima, né? Eu não trocava ideia com Agnes e a gente começou a se seguir pelo menos no Instagram pra poder entender o rolê, né? Então, poxa, só agradeço, só agradecimentos ao Lolla e a todo mundo que tá colando e colou e tá comentando.
Sua sonoridade é bastante experimental, muito especial. Eu queria que você contasse um pouco sobre as suas influências que você tem com seu som.
Agora a gente entra num lugar muito Big Buraco, e eu tenho duas grandes referências: uma que é o disco de 73 de Elis Regina, que tá remixado agora. É uma referência, que pra mim nunca saiu da minha cabeça e o Big bebe muito dessa fonte. E a segunda referência é o Smoke City de 97, uma banda montada em Londres, mas com a cantora é de Brasília, que foi criada no Rio de Janeiro. E esse disco é tão atual, o Flying Away, que parece que foi lançado, ainda nem foi lançado, entende? E tem uma coisa tecnológica, de uma maneira inexplicável, só escutando. Esses dois discos pra mim são a referência do Big Buraco.
E para finalizar, a gente tem uma brincadeira que comenta com os artistas aqui no Lollapalooza, no Tracklist. Eu queria que você comentasse o lineup dos sonhos pra você. Qual seriam os três artistas que fariam o lineup dos seus sonhos?
Três artistas? Tá. Posso me colocar ou…?
Claro!
Então vou abrir porque abrir sabe, entende? Então Jadsa, a primeira banda aí pra abrir. Vamos botar Alabama Shakes, a segunda banda, sou muito fã. E tenho Britney ali como santinho, tá dentro do bolso, dentro da carteira. E pra completar essa noite, esse lineup, Gilberto Gil.
O Lollapalooza Brasil 2026 continua e conta com apresentações de Tyler, The Creator, Chappell Roan, Lorde e mais. Para não perder nada, acompanhe a cobertura da Tracklist pelo X, Instagram e TikTok!
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