Na última semana, os Estados Unidos assistiu a dois assassinatos de negros por policiais, um em Minnesota e outro em Luisiana. Os fatos reacenderam a campanha #BlackLivesMatter (as vidas dos negros importam), e chocados com os casos, que infelizmente são recorrentes, estrelas da música divulgaram cartas abertas sobre os ocorridos, pedindo o fim do ataque à jovens negros do país.

Confira os textos divulgados por Beyoncé, Normani Kordei, do Fifth Harmony, e pelo rapper canadense Drake:

Beyoncé

Estamos exaustos dos assassinatos de jovens homens e mulheres das nossas comunidades. Cabe a nós tomar uma posição e exigir que eles ‘parem de nos matar’. Nós não precisamos de simpatia, precisamos que todos respeitem nossas vidas. Nos uniremos como comunidade e lutaremos contra qualquer pessoa que acredite que assassinatos ou qualquer ato de violência cometidos por aqueles que juraram nos proteger devem continuar impunes. Essas extorsões de vidas nos faz sentir impotentes e sem esperança, mas temos que acreditar que estamos lutando pelos direitos da próxima geração, para os próximos jovens homens e mulheres que acreditam no bem. Essa é uma luta humana. Não importa sua raça, sexo ou orientação sexual. Esta é uma luta para qualquer um que se sinta marginalizado, que está lutando pela liberdade e direitos humanos. Isso não é um apelo a todos os agentes policiais, mas direcionado a qualquer ser humano que não valoriza a vida. A guerra contra as pessoas de cor e todas as minorias precisa acabar. O medo não é uma desculpa. O ódio não vencerá. Todos nós temos o poder de transformar nossa raiva e frustração em ação. Devemos usar nossas vozes para entrar em contato com os políticos e legisladores em nossos distritos e exigir mudanças sociais e judiciais. Enquanto oramos pelas famílias de Alton Sterling e Philando Castile, também vamos orar por um fim a esta praga de injustiça em nossas comunidades.

Normani Kordei

Estou furiosa. A realidade desse mundo me deixa amedrontada. Sendo uma mulher de cor, posso dizer verdadeiramente que não me sinto segura perto desses que são empossados para honrar e cumprir a lei. Eu não deveria me preocupar toda vez que meu pai caminha em frente à porta da minha casa. Eu não devia ter medo de que ele fosse levado de mim e baleado até a morte por falsas percepções de que todos homens negros são perigosos e sem educação ou status. Tem havido muitos assassinados insensíveis por policiais, que não foram punidos. O governo não está fazendo um bom trabalho em policiar a si mesmo. Parece que ninguém liga que essa perseguição com pessoas de cor, que chega até aos seus quintais em casa. Também acredito que aqueles que não são negros deveriam tomar uma atitude e falar sobre essas tragédias. A primeira etapa é ser verdadeiro e consciente de que problemas raciais continuam nesse país. Tristemente, nas redes sociais e nas notícias, minorias são sempre retratadas como criminosos violentos e pessoas preguiçosas, que não querem trabalhar e vivem à parte do estado social. Donald Trump, o homem que quer ser nosso presidente, se sente no direito de ir nas redes sociais e fazer comentários ofensivos sobre cada grupo minoritário, mas fica calado sobre algo importante como isso. Por que não há debates suficientes sobre a violência das armas em nossas comunidades? As pessoas estão sempre falando sobre armas nas mãos de portadores de armas responsáveis, mas ainda temos policiais que abusam completamente desse direito. Uma sociedade que não confia no que deveria ser bom e justo só cria caos e ressentimento pelas autoridades. ONDE ISSO TERMINA? Precisamos de mais solucionadores de problemas de injustiça ao invés desses que só falam e não fazem nada. A injustiça não tem cor de pele ou fronteiras. #BlackLivesMatter

Drake

Me sinto orgulhoso de poder chamar os Estados Unidos de minha segunda casa. Quando vi o vídeo de Alton Sterling sendo morto na noite passada, fiquei desmotivado, emocionado e muito assustado. Acordei nesta manhã com um verdadeiro sentimento de dizer alguma coisa. É impossível ignorar que a relação entre a comunidade negra e forças da lei está tão tensa como era há algumas décadas. Ninguém nasce sendo apenas uma hashtag. Ainda assim, a tendência em ser reduzido a uma continua. Isso é real e eu estou preocupado. Preocupado com a segurança da minha família, amigos e qualquer ser humano que possa ser vítima desse padrão. Eu não sei a resposta, mas acredito que as coisas podem mudar para melhor. Um diálogo honesto e aberto é o primeiro passo.

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