Estava em um dilema entre fazer uma nova coluna sobre algum álbum/trabalho aniversariante ou não. Já estava com três em mente… Mas, dessa vez resolvi fazer diferente. O motivo? O hit “American Idiot”, do Green Day, lançado há 12 anos é um dos mais ouvidos da banda após a vitória de Donald Trump nos Estados Unidos. Nas paradas do iTunes, a canção disparou 400 posições e também foi bastante ouvida em outras plataformas, como o Youtube. “A música tema dos próximos quatro anos”, “que ótimo momento para ouvir essa música”,”Trump foi eleito, estamos condenados”, esses são os comentários ou a versão traduzida deles que podem ser lidos no site.

No domingo (6), a banda fez uma performance da canção durante o MTV Europe Music Awards (EMA), com direito a dedicação. “Acima de tudo, é legal sair da América por só um segundo, por conta dessa horrenda eleição que vai acontecer. Nosso país inteiro está prestes a ter um grande e coletivo ataque do coração”, disse Billie Joe Armstrong. E foi um sentimento coletivo, com certeza, um baque sentido não só em um país.

Originalmente escrita como protesto contra a gestão de George W Bush, marcada por guerras e mentiras, a canção também continua sendo válida para descrever a situação atual que inspira medo. Afinal, estamos falando de um presidente conhecido por declarações misóginas, xenófobas; enfim, preconceituosas em todos os níveis/parâmetros possíveis. As fronteiras estão se fechando cada vez mais e o cenário parece tanto antecipação de guerra que poderíamos fazer um paralelo com a Segunda Guerra Mundial. Billie Joe deixou claro, no domingo, a dedicatória (substituindo as palavras “fuck” por “trump” que é quase a mesma coisa, né?) : “Can you hear the sound of hysteria? / The subliminal mind-Trump America” ( Na tradução: “Você pode ouvir o som da histeria? A mente subliminar f*** a América). 

Poderia apontar outras canções do disco mais voltadas à política, como Holiday, Jesus of Suburbia, mas nenhuma delas tem tamanho poder para transpôr um período tão longo (uma vez que Holiday é totalmente marcada pelo tempo e Jesus of Suburbia é tão complexa e cheia de metáforas que confundem a mente). “American Idiot”, no entanto, possui bases sólidas como crítica social e política: fala do poder da mídia sobre o povo, que se transforma em massa de manobra. “Welcome to a new kind of tension/  All across the alienation/Where everything isn’t meant to be ok/ Television dreams of tomorrow/ We’re not the ones meant to follow/ For that’s enough to argue (Bem-vindos a um novo tipo de tensão/ Que atinge toda a alienação/ Onde tudo não está bem/ A televisão sonha com o amanhã/ Sonhos que não foram feitos pra nós/ Isso é o suficiente para fazer oposição)”.

Mais do que simplesmente uma crítica ao sistema que se prevalece o mesmo, a crítica também pode se estender para outros países (Por que não? Também devemos considerar que o Reino Unido saiu da União Europeia por motivo análogo). Outro fato marcante é que a queda do muro de Berlim completou 27 anos ontem, mas a tendência do mundo é construir mais muros do que derrubá-los. Wake Me Up When 2016 ends! 

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