Sam Smith love goes

Um mês de “Love Goes”, a melhor era de Sam Smith

“Eu quero ser jovem e selvagem”. É dessa forma com que Sam Smith, de 28 anos, […]

Por em 30 de novembro de 2020

“Eu quero ser jovem e selvagem”. É dessa forma com que Sam Smith, de 28 anos, abre seu mais novo disco, intitulado “Love Goes” (O Amor Flui, em tradução livre). O álbum, que completa um mês hoje (30), se chamava “To Die For” (Por Quem Morrer), mas foi adiado por causa da pandemia do novo coronavírus, chegando seis meses depois do esperado. 

“Love Goes” conta com 11 canções inéditas, além de 6 outras bônus que haviam sido previamente lançadas. Dentre as músicas mais novas, é fácil perceber que esse — sem dúvidas — é o processo mais profundo de transformação pessoal de Sam desde o lançamento do seu primeiro álbum, “In The Lonely Hour” (2014).

“Love Goes”: um álbum apropriado de Sam Smith

Ainda que Smith tenha a fama de escrever músicas sobre corações partidos, “Love Goes” é o primeiro em que Sam passa por essa experiência. “Eu diria que [esta foi] a primeira vez que tive realmente o coração partido. Essa sensação de [alguém] que se foi, você não consegue dormir, a sensação muito, muito ruim”, disse a uma entrevista ao Apple Music.

“Os outros [álbuns] eram apenas uma ideia disso e eram sobre amor não correspondido. Nesse, eu gostaria de dizer que nos amávamos. Então, eu definitivamente, definitivamente o amava. Então, sim, foi apropriado”, concluiu.

Smith ganhou forças no pop por cantar músicas melancólicas e de sofrimento, como “Stay With Me”, de 2014, e “Too Good at Goodbyes”, de 2017. Mas, como Sam disse, havia uma falta de especificidade nas letras de amor e de lamento, mesmo que tivesse uma voz potente e tocante. 

Ao lançar seu primeiro álbum, em 2014, Smith explicou ao E! que seu álbum era sobre um amor não correspondido. “Eu nunca estive em um relacionamento antes”, admitiu Sam, que tinha apenas 22 anos. 

‘In the Lonely Hour’ é sobre um cara que eu me apaixonei no ano passado e ele não me amava de volta. Acho que superei isso agora, mas estava em um lugar muito escuro. Continuei me sentindo solitário no fato de não ter sentido o amor antes. Senti coisas ruins. E qual é a emoção mais poderosa: a dor ou a felicidade?”, afirmou.

Em sua capa para a revista Rolling Stone, em fevereiro de 2015, Sam — que ainda não havia adotado os pronomes neutros — recebeu o chamado de “O garoto solitário dentro uma grande voz”.

Mudanças não satisfatórias

Em 2017, vimos uma mudança drástica em Smith, que veio junto com seu álbum “The Thrill of It All”.

Sam cortou o cabelo — deixando de lado o topete do início da carreira —, começou a perder peso fazendo jejum intermitente, recebeu acompanhamento de um personal, um nutricionista e cortou carboidratos, de acordo com um perfil publicado pelo The New York Times em 2017.

No videoclipe de “Too Good at Goodbyes”, primeiro single do segundo álbum, Sam Smith aparece completamente diferente.

O fato é que Smith posteriormente falou abertamente sobre se arrepender de tudo isso. 

No passado, se fiz uma sessão de fotos com apenas uma camiseta, passei fome semanas antes e depois pegava e olhava cada foto e depois a apagava. Ontem decidi revidar. Reivindiquei meu corpo e parei de tentar mudar esse peitoral, os quadris e essas curvas que minha mãe e meu pai fizeram e amam incondicionalmente. Alguns podem tomar isso como narcisista e exibicionista, mas se você soubesse quanta coragem foi necessária para fazer isso e o trauma corporal que experimentei quando criança, você não pensaria essas coisas. Obrigado por me ajudar a celebrar meu corpo COMO ELE É @ryanpfluger. Nunca me senti mais seguro do que com você. Eu sempre estarei em guerra com esse maldito espelho, mas essa sessão de fotos e este dia foram um passo na p***a da direção certa 👅🤘🏼🍑

Enfim, liberdade!

Em setembro de 2019, Sam se assumiu não-binário e gender queer, explicando que agora usa os pronomes “they”/“them” (elu/delu). Em uma publicação em seu Instagram, afirmou: “Espero que agora vocês possam me ver como me vejo. Por enquanto, quero apenas ser VISÍVEL e aberto.”

Desde então, Sam Smith demonstra estar livre para experimentar o amor correspondido e expressar ainda mais suas dores pessoais por meio da música e é por isso que “Love Goes” é a sua melhor era. Esse álbum mostra o quanto Smith se libertou e amadureceu pessoalmente e artisticamente. 

Desde que Sam começou a lançar suas músicas novas, a dança passou a fazer parte de suas habilidades. Vale destacar duas de suas canções: “Dancing With a Stranger”, parceria com a cantora Normani, e “How Do You Sleep?”, ambas lançadas no ano passado.

“Cansei de ficar chorando acordado”, diz Sam na canção “How Do You Sleep?”. No videoclipe dessa mesma música, Smith questiona a si sobre as mentiras de um amor passado e deixa claro que não faz mais questão de ficar. Esse mesmo sentimento de coração partido e desejo é carregado em todas as músicas de “Love Goes”

“Lembro de cada gosto, caso eu fique um pouco bêbado”, canta Sam em “Dance (’Til You Love Someone Else)”. Essa música em específico aborda um coração partido onde o eu-lírico precisar dançar para superá-lo. “Alguém me faça superar isso”, diz na mesma canção.

Os primeiro planos para o álbum

Como já dissemos “Love Goes” era para se chamar “To Die For” e estava previsto para o início do ano. Contudo, devido às péssimas notícias que 2020 nos trouxe, Sam decidiu retirar os anúncios do álbum e avisou a seus fãs que ele demoraria mais um pouco para sair.

Sam Smith love goes
Foto: Divulgação

Leia também: Sam Smith adia álbum e segue trabalhando em novas músicas

Entre “Love Goes” e “To Die For” também fica claro o quanto essa pandemia e o distanciamento social fez Smith crescer em confiança como artista e como indivíduo.

A música “To Die For” é sua zona de conforto. Mais do mesmo. Uma balada sobre observar casais em uma passarela, onde eles parecem posar para uma foto enquanto anseiam por um amor pelo qual estão dispostos a morrer.

“Love Goes” é um completamente diferente. A canção é a declaração mais profunda de alguém que amou alguém, perdeu essa pessoa e que está cansado de ansiar pelas pessoas erradas.

“Eles estão todos posando em uma moldura/ Enquanto meu mundo está desabando/ Uma sombra solitária na calçada/ Só quero alguém por quem morrer”

Trecho da música “To Die For”

“Você está quebrado, eu sei disso / E se você soubesse também, me amaria de uma maneira totalmente diferente”

Trecho da música “Love Goes”

Sam Smith e sua melhor fase

Mas não foram apenas letras que ficaram mais elaboradas. A construção das músicas é algo a se elogiar. A música “Love Goes”, por exemplo, começa calma como uma canção de ninar e depois explode em trombetas, terminando em cordas graves.

O álbum ainda conta com canções mais acústicas renovadas. Ainda encontramos Sam Smith ali, mas 100% entregue a quem realmente é.

No seu single mais recente, “Kids Again”, Smith se frustra por não se permitir conhecer um parceiro novo e que possa tornar sua dor menos intensa, cantando sobre uma época em que os sentimentos eram bem mais simples. “Perdoe-me”, Sam canta sobre abandonar um antigo amor. “Não posso amar ninguém até que me perdoe”, diz.

Coragem para ser quem é

A indústria do pop ainda é predominada por brancos e heterossexuais. Isso é fato. Não foi por acaso que Sam Smith seguiu essa onda, querendo atingir a maior quantidade de pessoas que pudesse com suas músicas.

Em entrevista recente, Sam admitiu que sentia “uma pressão profunda e pesada” no início da sua carreira, além do medo de decepcionar “meus fãs, minha gravadora, minha família”, disse.

“Love Goes”, como uma declaração pop de ume artista não binário e sem medo de ser quem é de verdade, é um grito sem precedentes contra a imensa cis-normatividade da música pop.

Ainda que Sam Smith entenda os risco que corre, canta na última música de seu álbum, intitulada “Fire on Fire”: “Não deixe que eles estraguem nossos belos ritmos”.

Parece que Sam vai continuar dançando em sua própria melodia. Que assim o faça!


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Agradecimento especial a Gabe Gadelha.


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