Conheça o Chuwi, ‘pupilos’ de Bad Bunny e atual promessa de Porto Rico

A banda encantou o público durante sua estreia nos palcos brasileiros

Ludmilla CorreiaColunasNotícias26 de fevereiro de 2026

Naturais de Isabela, Porto Rico, Wester, Lorén, Adrian e Willy vem projetando os sons da ilha para o mundo (Arenoviski/divulgação)

Um dia você está trabalhando como garçonete, entregando cardápios e anotando pedidos. No outro, recebe uma ligação dizendo que um dos principais artistas da sua terra natal quer colaborar com você. Parece loucura, mas foi isso que aconteceu com Lorén Aldarondo, seus irmãos Willy e Wester e o amigo de longa data Adrián López. Juntos, eles formam o Chuwi, promessa musical de Porto Rico em ascensão, que leva as raízes musicais da Ilha do Encanto.

“O Coelho [Bad Bunny] quer trabalhar com vocês, alguém da equipe dele me ligou”, disse o manager do quarteto, em uma ligação que mudou tudo.

Tão rápido e tão jovens, eles viram suas vidas mudarem como em um passe de mágica. Quando questionados sobre essa rápida mudança, eles ainda ficam um pouco perdidos, sem palavras para contar tal feito.

“Imagina? Somos quatro jovens que, quando começamos, todos estávamos trabalhando. Tínhamos nosso emprego comum de 40 horas, precisávamos pagar o aluguel e outras contas.”, recorda Lorén.

Adrián trabalhava na indústria alimenticia, Willy e Wester eram programadores. “Em Porto Rico, Bad Bunny é a nossa Anitta, como essa pessoa que está rodando o mundo quer trabalhar com a gente?.” –

“Seria como se a Anitta entrasse em contato com garotos aleatórios de um bairro qualquer por ai. Como que era possível que ele queria gravar com a gente?”, pontua Willy.

Essa virada de chave aconteceu em 2024 e, no ano seguinte, foi lançado o sucesso “WELTiTA”. Mas isso não era nem a ponta do iceberg. O grupo, natural da cidade de Isabela, se apresentou em 30 datas da residência “No Me Quiero Ir de Aquí” e está rodando o mundo como ato de abertura da “Debí Tirar Más Fotos World Tour”.

“São muitas coisas e tudo isso em menos de um ano. Pedi demissão antes de começar a residência, que foi em julho. Sim. Então, não faz nem um ano. O Willy ainda estava trabalhando durante a residência.”, conta Lorén.

“Meu último dia de trabalho também foi o último dia da residência”, comenta Willy.

Leia também: O que os porto-riquenhos estão achando da residência de Bad Bunny?

De Isabela para o Mundo

Os irmãos Aldarondo começaram a fazer música durante a pandemia e, por isso, se consideravam uma “banda de internet”. Willy e Wester cuidavam dos arranjos e da produção musical, enquanto Lorén cantava.

O primeiro lançamento do até então trio, nas plataformas digitais foi o EP “8-Bit Escapism” em 2020. “Nunca tínhamos tocado ao vivo, lançamos música, mas para que nossa família e amigos ouvissem”, diz Lorén.

A estreia nos palcos aconteceu em 2021, de surpresa, quando um amigo os colocou na programação de um evento, sem conhecimento deles. Com flyer e tudo mais, não tinha como cancelar. “Precisavamos de um percussionista e aí veio Adrián. Adrián e Western fizeram faculdade juntos.”

“Sou percussionista desde pequeno. Desde o quarto ano, eu tenho meu estúdio e estive em muitas facetas na música : orquestra sinfônica, orquestra só de percussão, bandas para shows, banda marcial”, explica Adrián.

O quarteto de Isabela traz frescor aliado à ancestralidade, mostrando que a música porto-riquenha vai além do reggaeton e do trap latino. Sons típicos da Ilha do Encanto, como salsa, plena e ritmos caribenhos, fazem parte da essência do Chuwi.

Conexão com o Brasil

Apesar de ser a primeira vez deles em terras brasileiras, o Chuwi se sentiu bem à vontade. Antes da entrevista, Lorén, que usava tranças, contava animada que havia comprado o cabelo e feito o penteado em São Paulo.

Já os meninos aproveitaram para curtir o Carnaval e a noite latina paulistana e se surpreenderam ao sentir a energia do público e ouvir sua “WELTiTA” ao vivo em uma apresentação da Banda Quimbará.“Fomos a um dos desfiles de Carnaval, foi sensacional. Uma das coisas mais incríveis que já vimos”, pontua Wester.

Por conta do DNA latino, a música dos porto-riquenhos está diretamente conectada à sonoridade brasileira. A faixa “Guerra”, que faz parte do EP “Tierra”, é facilmente associada a elementos do samba, do frevo e de ritmos típicos do Nordeste.

“De verdade, é uma surpresa”, diz a vocalista, que ficou honrada ao saber do feito.

“Vem da República Dominicana. Mas é afro-dominicana. Tem essa mesma linha de todos os gêneros afrodescendentes do Caribe, Brasil e América Latina”, explica Willy. “Outro dia colocaram um story tocando “Guerra” e era um venezuelano dizendo: “Ah, isso soa muito como o tambor venezuelano””.

“Há um elo bem forte. Mas, especificamente, é um gênero que se chama salve [também conhecida como] música palo, que é da República Dominicana”, conclui.

“Sinto que, no Brasil, a cultura afro-caribenha e afrodescendente é bastante forte. Também senti isso em Santo Domingo”, pontua Lorén.

“Estou muito animada com a forma como nos conectamos. E talvez as pessoas sintam algo como: “Ah, isso se encaixa com isso”, diz a cantora sobre as conexões sonoras com a música brasileira.

O Chuwi se apresentou nos dias 20 e 21 de fevereiro e encantou o Allianz Parque, mostrando por que são a atual promessa e também parte do futuro da música porto-riquenha.

Veja a entrevista completa do Chuwi para o Tracklist

Conheça outras canções do Chuwi

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