Os 25 melhores álbuns de 2020... até agora
foto de the weeknd um dos grandes injustiçados do grammy 2021
26 de julho de 2020 por Redação Tracklist.

por Allan César, Fernando Marques, Gabriel Haguiô, Giovana Bonfim e Lucas Ribeiro

2020 tem sido um ano desafiador para todo o mundo, mas para o bem da nossa saúde mental, é necessário destacar as boas surpresas que ele trouxe. Isso inclui as novidades no mundo da música – e olha que não foram poucas!

Só no primeiro semestre, tivemos grandes lançamentos que devem ser relembrados e reconhecidos, por inúmeros motivos que vão desde a originalidade até ao bom entretenimento que eles proporcionam. Porém, vale ressaltar que todos eles têm um pré-requisito em comum: a qualidade.

Pensando nisso, o Tracklist reuniu os 25 melhores álbuns de 2020… até agora, é claro – já que esperamos muito mais no segundo semestre. Veja a nossa lista e conte para a gente qual é a sua!

25 – “Color Blind” – Pluko

Com apenas 18 anos, Pluko lançou seu segundo álbum. Fato curioso: antes, o nome artístico de Sam Martinsen era Pluto, porém a Disney mandou aquela ameaça de processinho, e aí virou Pluko. “Color Blind” recebeu um filme do álbum, que também foi escrito, produzido e dirigido por Sam. Para quem gosta de música eletrônica, é um prato cheio.

24 – “Letrux aos Prantos” – Letrux

Lançado em um momento onde as coisas começaram a ficar estranhas, não só no Brasil como no mundo inteiro, “Letrux Aos Prantos” tornou-se um disco que até ganhou outro significado, em meio à pandemia que estamos enfrentando. O projeto conta com mais influências do synthpop oitentista (“Fora da Foda”, com Lovefoxxx), blues (“Sente o Drama”, com Liniker), psicodelia (“Esse Filme Que Passou Foi Bom”) e até uma pitada de samba (“Cuidado, Paixão”).

Dessa vez, as canções reunidas nesse projeto conseguem não só desaguar sobre frustrações, antigos relacionamentos, angústias e sexualidade de Letícia Novais, como também a realidade política que o Brasil tem enfrentado nesses últimos anos. Assim como em “Letrux Em Noite de Climão” (2017), as composições inventivas misturam o vocabulário cotidiano com metáforas e poesias. Letrux nos convida mais uma vez ao seu universo particular, mas que acabou se tornando ainda mais coletivo. 

23 – “Chromatica” – Lady Gaga

Lady Gaga retornou ao pop. Isso era o que todos estávamos esperando ansiosamente, e o pop dançante teve novas atualizações com o “Chromatica”. Com parcerias poderosas com Ariana Grande, Blackpink e Elton John, Lady Gaga foi a responsável por entregar o disco mais “dance” do ano até o momento, e um dos melhores álbuns de 2020 até então. Com certeza, as baladas terão muitos adeptos do “Chromatica” quando esta pandemia acabar.

22 – “Petals For Armor” – Hayley Williams

Hayley Williams lançou seu primeiro disco solo, “Petals For Armor”. Experimental e com produção de seus companheiros de Paramore, Hayley provou mais uma vez sua versatilidade na hora de cantar e escrever. Com letras marcantes e melodias bonitas, Hayley entregou um dos grandes álbuns do ano.

21 – “111” – Pabllo Vittar

O projeto iniciado no ano passado, que já contava com hits como “Parabéns” e “Amor de Que”, só teve a sua finalização após um vazamento, que acabou adiantando o lançamento da segunda parte e conclusão do álbum completo, agora em 2020.

Ideal para adicionar em suas playlists, esse disco é um compilado de canções que buscam experimentar no segmento do pop nacional, que Vittar já está estabelecido, ao não só se aprofundar nos ritmos regionais – principalmente o Forró e Brega – como também trazer suas influências de longa data. A música eletrônica no hit “Rajadão”, que beira ao trance; os ritmos latinos, com o reggaeton em “Tímida” e “Selvage”; e até um pouco de Pc Music , em “Ponte Perra”.

Mesmo que talvez esse seja o seu trabalho que mais converse com o público internacional, Pabllo e seu time de produtores conseguem entregar músicas que não fogem de sua identidade e elementos da música nacional.  

20 – “Women In Music Pt. III” – HAIM

Do primeiro álbum até agora, é o álbum com mais personalidade das irmãs HAIM. As letras não são baseadas no que rolou nas suas vidas, mas sim, são um retrato fiel e exato do que aconteceu. Exemplo disso é a faixa “Man From The Magazine”, que conta relatos de quando homens da indústria da música foram machistas com elas.

O álbum conta com um pouco de deboche o que é ser uma mulher no mundo da música através de misturas do jazz com o rock, pop, R&B e até com um quê de country (mas não o meloso suficiente para ser chato que nem o último álbum, o “Something To Tell You”).

Por ter sido um disco concluído perto do seu lançamento, acaba falando até da quarentena, o que é bastante interesse para se identificar diante de tempos sombrios.

19 – “Rough and Rowdy Ways” – Bob Dylan

Um álbum um pouco diferente do que Bob Dylan faz, mas longe de ser ruim. Nesse disco, ele é bastante direto e fala sem muitas metáforas. Faz referências à cultura pop (fast food, Indiana Jones, etc), o que é bem legal pra alguém mais afastado musicalmente desse mundo. Ele afirma ser um pouco de tudo desse mundo, não só um cantor mais fechado para as coisas de uma única bolha.

Mas duas coisas prevalecem, características maravilhosas desde sempre de Dylan: a profundidade de suas letras e instrumentos acústicos. A produção é simples e nos faz ter foco justamente nas letras. Incrível e grande contribuição para os álbuns de 2020.

18 – “Manic” – Halsey

2020 foi o ano que recebemos o terceiro álbum de estúdio da Halsey, “Manic”. Com 16 faixas e 47 minutos de duração, a artista entregou baladas, músicas com uma pegada mais agressiva e letras que nos fazem refletir sobre diversos aspectos da vida e como a levamos. Pena não termos uma turnê, pois o disco tem uma pegada interessante para se ver ao vivo.

17 – “Ungodly Hour” – Chloe X Halle

Mesmo com o primeiro disco indicado ao Grammy, Chloe e Halle só chegaram aos holofotes agora com o incrível “Ungodly Hour”. Mais maduro do que os trabalhos anteriores da dupla, o disco traz letras fortes e instrumentais mais experimentais, fugindo um pouco do que as pupilas de Beyoncé estavam acostumadas a fazer. A era chegou com visuais e vídeos incríveis (coisas que elas já serviam desde o início), mas agora com a vibe catchy” que estava faltando. 

16 – “Sawayama” – Rina Sawayama

Rina Sawayama se expõe de uma forma brilhante no aclamado “Sawayama”. Considerado por muitos como um dos melhores discos pop do ano, a cantora aborda temas como a cultura japonesa, a família, amizades, relacionamentos amorosos, entre outros, ao longo de pouco mais de 40 minutos. A versatilidade de gêneros musicais também é cativante ao longo do material, o que não deixa ele cansativo. Sem dúvidas, é um dos materiais mais completinhos até o momento. 

15 – “Here For Now” – Louis The Child

Após muitos anos de espera, Louis The Child finalmente lançou seu primeiro disco. “Here For Now” retoma a essência da dupla, que tinha o foco em músicas com a letra e a vibe positiva, questionamentos sobre o mundo e o senso de comunidade em que vivemos. Um dos grandes álbuns de 2020 até o momento. 

14 – “Circles” – Mac Miller

Em sua precoce despedida do mundo, Mac Miller deixou para trás diversos vestígios, entre rimas e mensagens incompletas, de uma das mentes mais criativas da nova geração de rappers. “Circles”, trabalho póstumo do cantor, reúne várias dessas passagens sob a produção de Jon Brion, desbravando temas recorrentes em sua discografia, como a depressão, o vício em drogas e a própria morte.

Apesar de sua carreira não ter tido o desfecho que merecia, “Circles” é um epílogo sentimental e iluminado que se eleva à altura da obra e da vida de Mac Miller, cuja memória se faz presente em cada verso.

13 – “Good To Know” – JoJo

Nunca é tarde demais para descobrir (ou redescobrir) um artista novo. JoJo ficou muito famosa nos anos 2000 pelo hit mundial  “Too Little To Late”, mas neste ano ela veio com tudo no seu quarto disco de estúdio, o incrível “Good To Know”.

Mais R&B e menos pop, o trabalho traz canções que remetem muito aos trabalhos de artistas como Janet Jackson e Toni Braxton, sem deixar de lado a essência que projetou JoJo para o mundo. Os vocais fortes também são destaque no material.

12 – “What’s Your Pleasure?” – Jessie Ware

O quarto álbum de estúdio da britânica Jessie Ware consegue se destacar em meio a todo o movimento de retomada da estética e sonoridade oitentista, que vem dominando o mainstream.

Se em “Glasshouse” (2017), no qual a artista caminhava por produções voltadas para o R&B e soul moderno, alcançando notas altas e evidenciando a sua grande voz, em “What’s Your Pleasure?”, ela opta em dar destaque às produções. Ao usar efeitos vocais e reverberações em sua voz, Jessie deixa claro que a evidência desse conjunto de músicas estão nas composições e no groove das produções, concretizando uma atmosfera sexy e refinada no disco inteiro.

Após três álbuns de estúdio bem sucedidos, esse aparentemente é o primeiro em que ela conseguiu furar a sua bolha musical, apresentando-a pela primeira vez ao grande público. Se em “Future Nostalgia”, Dua Lipa faz um ótimo álbum pop, com influências da dance music e house dos anos anos 80, aqui Jessie Ware consegue entregar um trabalho mais intimista, com um misto de produções orgânicas e eletrônicas, mais puxada para o R&B e soul dos anos 70 e 80, principalmente evidenciadas nos seus refrões e melodias animadas.

A produção refinada e glamourosa fazem a faixa “What’s Your Pleasure?”, por exemplo, ser aquele tipo de música para ouvir em um jantar com seus amigos, abrir uma garrafa de vinho e dar aquela dançadinha com os ombros! 

11 – “Histórias da Minha Área” – Djonga

É indiscutível a contribuição de Djonga para a cena do rap nacional. Lançado bem no início da pandemia, “Histórias da Minha Área” é a perfeita prova disso. O material traz o mineiro falando das suas experiências da forma mais crua possível embaladas por instrumentais cheios de detalhes e que te fazem refletir sobre questões que estão no seu cotidiano e que você nem percebe. Mais confessional do que nunca, o álbum é sem dúvidas um dos melhores discos nacionais lançados até o momento. 

10 – “RTJ4” – Run The Jewels

Em um ano permeado por debates sociais, o novo disco do Run The Jewels se faz essencial para compreender os tempos conturbados que vivemos. “RTJ4” é um verdadeiro manifesto político que discorre sobre diferentes temas, desde a brutalidade policial até os males da fama, com precisão cirúrgica nas rimas de Killer Mike e El-P, acompanhados de uma produção igualmente certeira. Trata-se do melhor trabalho da dupla até então, com versos atemporais que resumem tantas tragédias cotidianas a quais muitos são submetidos sem sabermos.

9 – “La Vita Nuova” – Christine and The Queens

Christine and The Queens surpreendeu e prendeu a atenção com “La Vita Nuova”. Apesar de ser um EP, poderia fácil ter virado um álbum se tivesse um pouco mais de músicas por sua ótima qualidade.

Com produções incríveis, mescla o francês e italiano com o inglês em suas letras, o que torna a sonoridade muito mais gostosinha. Todo o EP ganhou uma parte também visual, acompanhando histórias e o conceito meio baseado no poema “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri. Ah, e de bônus, o material tem um feat. com Caroline Polachek. É perfeito.

8 – “The Slow Rush” – Tame Impala

Após o sucesso de “Currents” (2015), que consagrou grandes hits da carreira e os tornaram headliners dos principais festivais de música, em “The Slow Rush”, em vez de tentar replicar os caminhos bem sucedidos do passado, Kevin Parker, vocalista e produtor do Tame Impala, provou que está sempre pronto para se arriscar em novos caminhos.

O quarto álbum de estúdio, lançado às vésperas dessa grande e inesperada pandemia, é um álbum que ressignifica suas composições – quase que proféticas – com um pé nos anos 80, mas sem perder a sua marca registrada do psicodelismo. Esse é o repertório mais pessoal do artista, por trazer composições que falam mais sobre sua infância, a morte de seu pai, relacionamentos e até a reflexão sobre o tempo, como na música “One More Year”, que ganha um contexto e significado totalmente diferente com o momento que enfrentamos agora em 2020.

7 – “Fetch The Bolt Cutters” – Fiona Apple

Disco após disco, Fiona Apple continua encantando até mesmo os seus fãs mais ávidos com surpresas inesperadas, mas sempre bem-vindas. “Fetch The Bolt Cutters”, seu quinto álbum de estúdio, talvez tenha sido a maior delas até então.

O trabalho foi gravado ao longo dos últimos cinco anos e traz algumas das composições mais transparentes da cantora, captadas de maneiras totalmente experimentais e intimistas. Misturando percussões das mais diversas origens, desde o estilo industrial até mesmo o latido dos seus cachorros, Fiona Apple nos entregou uma das obras mais inovadoras e pessoais dos últimos tempos, que se transforma a cada audição e consolida a artista como um dos nomes mais inventivos da atualidade.

6 – “BOY” – RAC

André Anjos, mais conhecido como RAC, lançou seu terceiro, e melhor, disco. “BOY” conta a história de quando André saiu de Portugal para viver de música nos Estados Unidos. Com letras impactantes e melodias encantadoras, RAC se reafirma como um dos grandes produtores da atualidade. Com mais de 300 remixes e um Grammy, “BOY” é a sua melhor experiência fonográfica e, com certeza, um dos melhores álbuns de 2020.

5 – “Brightest Blue” – Ellie Goulding

Deixando de lado as construções radiofônicas e os drops da música eletrônica, Ellie Goulding optou por um caminho diferente, em seu quarto álbum de estúdio, “Brightest Blue”. Após um hiatus de cinco anos, esse é o momento que suas composições brilham e mostram todo o crescimento que Goulding  passou, principalmente nesses últimos anos fora dos holofotes.

Aqui, Ellie reflete sobre a busca do amor próprio e achar o seu caminho, após tanto tempo perdida em sua vida pessoal e na carreira. 

O álbum é dividido em duas partes. na primeira, Ellie usa produções mais orgânicas, com orquestras e piano, mas também mistura elementos eletrônicos, que aqui servem mais como um complemento às melodias. Esse é a parte mais intimista, dando realce às suas melhores composições e camadas vocais.

Já na segunda parte, a cantora descreve mais como o seu “alter-ego”, com músicas radiofônicas, em especial com a tendência do trap-pop, e normalmente em parcerias com artistas que ela admira. Nela, as letras são mais confiante e sexy, um lado que segundo ela, nem sempre é a sua realidade, mas que ela gosta de escrever nessa perspectiva. O álbum estreou em #1 lugar na parada oficial de música do Reino Unido, sendo o seu terceiro álbum da carreira a alcançar tal feito. 

4 – “YHLQMDLG” – Bad Bunny

Trazendo um frescor para o cenário latino, este ano Bad Bunny nos presenteou com o incrível “Yo Hago Lo Que Me Da La Gana”. Segundo disco do porto-riquenho, Benito sai completamente da zona que tem dominado as plataformas de streaming, trazendo sons que passeiam entre trap, o rock, o pop, sem deixar de cantar o ritmo que o consolidou como um dos nomes mais fortes da cena, o reggaeton. O trabalho é ótimo para aqueles que não querem ouvir mais do mesmo do segmento. 

3 – “The New Abnormal” – The Strokes

“The New Abnormal” representa um “novo anormal” não só para o mundo, mas também para o The Strokes. Depois de anos de quase duas décadas sob a sombra de seu disco de estreia, “Is This It”, o grupo finalmente entregou uma obra à altura com seu novo álbum de estúdio, que marca o encontro entre duas gerações distintas da banda: a descompromissada de 2001 e a experiente de 2020. O resultado foi um dos trabalhos mais prazerosos, surpreendentes e cativantes do ano.

2 – “After Hours” – The Weeknd

The Weeknd retorna com um de seus trabalhos mais coesos. A carreira de Abel é extremamente bem construída, com uma narrativa linear em todos os seus discos. Porém, a estética de After Hours é o que eleva o nível por aqui. O nível das produções, composições, clipes… tudo foi extremamente bem pensado e executado. De nada adianta uma ideia boa sem uma boa execução, certo? The Weeknd entregou um dos melhores discos do ano, completamente atemporal.

1 – “Future Nostalgia” – Dua Lipa

Dua Lipa entregou o melhor disco do ano até o momento. “Future Nostalgia” é a prova de que a vibe oitentista voltou e com qualidade. Sucinto, compacto, poderoso e impactante, o “Future Nostalgia” entrega a sensação de um disco que será escutado e lembrado por muito tempo. A maldição do segundo disco não pegou por aqui. Parabéns, Dua!

Neste texto, trouxemos um pouquinho da nossa visão sobre os 25 melhores álbuns de 2020. Mas no episódio especial do nosso podcast, “E Vamos De…“, reunimos parte da nossa equipe, que bateu um longo e divertido papo sobre os seus respectivos 5 melhores trabalhos do primeiro semestre. Ouça agora!

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